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Ressaca literária: o que é e como você pode sair dela

Já aconteceu de você terminar de ler um livro e não conseguir começar outra leitura? Seja por falta de vontade de embarcar em uma nova história ou por não conseguir se envolver na trama, o fato é que às vezes precisamos de um tempo.

E vou te contar um segredo: talvez você esteja sofrendo de ressaca literária.

Ressaca literária é um termo carinhosamente criado pelos leitores para definir aquele período entre livros quando você simplesmente não consegue ler. Geralmente, acontece depois de uma leitura incrível que te marca tanto que, quando termina, te faz perder o interesse em qualquer outra coisa – já que parece impossível superá-la.

Nesse período de hiato, nos sentimos tristes e alegres ao mesmo tempo, por ter terminado uma história tão boa, que nos cativou ou destruiu o coração (sem julgar preferências, rs). Isso gera um desânimo de entrar em outro universo literário, porque você ainda está profundamente imerso no anterior.

Outra possibilidade é que a ressaca aconteça após a leitura de uma obra muito cansativa, monótona ou extensa – a ponto de te fazer desistir e querer dar um tempo das leituras.

Alguns sinais de que você pode estar vivendo uma ressaca literária são:

  • Você ainda se sente muito conectado com os personagens da história;
  • Você pensa muito a respeito do universo criado pelo autor e, convenhamos, adoraria continuar vivendo nele;
  • Você está com o livro sempre por perto, faz anotações, lê e relê suas citações ou trechos favoritos;
  • Você já tentou se esforçar para começar um livro novo, mas fez muitas comparações e sente que não é  a mesma coisa. 

Os sintomas mais comuns são o desinteresse em começar novos livros, dificuldade para se concentrar, ou até sentir-se saturado do mundo da literatura. Mas pode ficar tranquilo, essa condição é normal e uma hora atinge a todos nós leitores.

A sensação que dá é a de que nunca mais encontraremos um livro tão bom ou uma história que nos prenda tanto.

A boa notícia é que a ressaca literária pode ser superada e o hábito da leitura retomado.

O primeiro passo para sair de uma ressaca é entender o motivo que te fez entrar nela. Pode ser que a vida esteja corrida e o cansaço é tanto que no seu tempo livre você só quer descansar e se distrair com coisas mais simples. Neste caso, respeite o seu tempo e não deixe a ansiedade dominar – colocar pressão em cima das leituras não ajuda em nada.

A seguir, separei algumas dicas valiosas para te ajudar a voltar a ler com regularidade:

  1. Converse com alguém sobre o livro: pode ser que você ainda esteja muito imerso na história de sua última leitura e, nesse caso, conversar com alguém sobre a trama pode ajudar. Pode ser uma pessoa que já leu o livro, se você conhecer alguém, ou então qualquer outra pessoa, pois falar sobre a história e fazer uma indicação irá te ajudar a entender o que te impactou tanto;
  2. Releia um livro: todo mundo tem seus queridinhos. Reler um livro é entrar em contato com uma história já conhecida, e isso pode ser aconchegante e trazer boas memórias. Assim, você não perde o ritmo e consegue, aos poucos, se desligar da narrativa que está te prendendo. Eu gosto tanto desse tema que escrevi um artigo inteiro sobre a experiência de reler livros, confira aqui;
  3. Leia contos: talvez se prender a uma nova trama e a novos personagens seja esforço demais neste momento. E é justamente por isso que os contos são uma ótima opção! Geralmente são curtos, fáceis de ler e tem uma alta capacidade de nos tirar da ressaca. E aproveito para fazer uma indicação bem pessoal aqui, meu conto “Malditos Morangos”, disponível na Amazon;
  4. Leia livros fáceis: se suas habilidades de leitura estão meio enferrujadas, procure livros leves, rápidos e fáceis de ler. A ressaca traz aquela sensação de fadiga, de leitura que não flui. Por isso, não hesite em investir em clichês ou leituras rápidas. Elas ajudam a destravar e então você pode seguir em frente;
  5. Não tenha medo de abandonar um livro: às vezes o problema não está no seu ritmo de leitura, e sim na obra escolhida. Por isso, se você sente que a leitura não está avançando, não se obrigue a ler até o final. A leitura precisa ser prazerosa, e se o livro não está te acrescentando nada, talvez ele não seja para você – pelo menos não neste momento. Por isso, desistir não é só uma possibilidade, como pode ser a solução para retomar as leituras;
  6. Experimente mudar de gênero: talvez você esteja consumindo o mesmo gênero, autor ou formato de livro há muito tempo e a sensação de estar estagnado pode vir daí. Experimente alternar gêneros e até ler algo completamente novo. Explore os livros e talvez você descubra algo que combine melhor com o momento atual da sua vida;
  7. Tente ler mais de um livro ao mesmo tempo: alternar entre formatos e estilos também ajuda a destravar a leitura. Se uma obra estiver muito densa, você pode intercalar com uma leitura leve e fluída. Eu, por exemplo, gosto de alternar sempre entre um livro de ficção e um tema de estudos do meu interesse. Conto tudo sobre isso aqui;
  8. Dê um tempo: e às vezes não adianta insistir. Você deve respeitar o seu tempo e procurar outras mídias e formatos de conteúdo para se entreter. Explore os catálogos de séries e filmes e se permita explorar novas possibilidades, até que em algum momento você encontrará o livro certo e a vontade de ler voltará de forma natural.

A verdade é que ler é igual a andar de bicicleta: a gente aprende na prática e não esquece mais. Para conquistar o hábito da leitura, você precisa encaixar os livros em sua rotina, de forma prazerosa. Se quiser saber mais sobre como criar e manter esse hábito, recomendo a leitura deste artigo, que segue sendo um dos mais acessados aqui no blog.

Respeite o seu tempo e se permita sentir a ressaca literária. Aos poucos, as coisas voltam a se encaixar e um livro cativante surgirá em seu caminho. Aproveite-o até a próxima ressaca 😉

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Ler mais de um livro ao mesmo tempo: descubra os benefícios e mais 7 dicas para aproveitar a leitura

Ler mais de um livro ao mesmo tempo é uma prática comum entre os leitores assíduos. Mas pode ser uma novidade desafiadora para quem está tentando adquirir o hábito da leitura.

Estudos revelam que a leitura não traz benefícios apenas para o momento presente, mas ajuda também a proteger o cérebro contra o surgimento de doenças neurodegenerativas – como a demência e o Alzheimer.

O hábito de ler mais de uma obra simultaneamente também contribui muito com a atividade mental, uma vez que estimula o cérebro a lembrar de mais coisas e abre espaço para mais memórias, além de aguçar a concentração.

O hábito da leitura no Brasil

Apesar de existirem hoje comunidades de leitores dominando espaços digitais e divulgando uma série de obras – literárias e de não ficção –, o panorama geral do nosso país não é tão animador.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) em 2019,  o número de leitores no país caiu de 56% para 52%, totalizando 4,6 milhões de pessoas. Essa pesquisa considera como leitor toda pessoa que leu pelo menos um livro (inteiro ou em partes) nos últimos três meses antes da aplicação da entrevista.

Os dados apontam que o brasileiro lê, em média, cinco livros por ano — mas apenas dois e meio completos.

Diante deste cenário, surge a urgência de conscientizar mais pessoas sobre a importância da leitura e incentivar o hábito.

Ler mais de um livro ao mesmo tempo é uma forma de aprender, se entreter e reforçar a criação de uma rotina que inclua mais livros, cultura e vocabulário.

Vale a pena ler mais de um livro ao mesmo tempo?

Quem me conhece sabe que eu não saio de casa sem ter ao menos um livro em minha companhia – não raro, você encontra mais do que um exemplar em minha bolsa. Tenho desde muito cedo o costume de ler como forma de aproveitar o tempo em intervalos como filas e salas de espera.

Desde que entrei na faculdade, esse hábito cresceu muito e comecei a conciliar leituras simultâneas para poder ler os materiais que os professores recomendavam sem abandonar a literatura, que é tão importante para o meu lazer e descanso.

E hoje eu vim dividir com vocês as 10 principais vantagens que eu percebo nesse hábito:

  1. Melhora a memória e a capacidade de reter informações: ao ler sobre mais de um assunto, você estimula seu cérebro a absorver mais informações, reter memórias e também a fazer mais associações entre os livros, ou seja, contribui para o desenvolvimento de pensamento crítico;
  2. Alternância entre temas: às vezes uma leitura pode ser densa e cansativa e, por isso, variar livros com diferentes temas e níveis de dificuldade é uma boa maneira de não abandonar os livros e se manter firme na leitura. Se um dos livros cansar e você precisar fazer uma pausa, outro estará à sua espera;
  3. Melhora o foco e a concentração: por estar trabalhando com mais informações e retendo um número maior de memórias, você treina a habilidade de se focar em cada assunto, e isso passa a se refletir em outras áreas da sua vida;
  4. Aprender sobre diferentes temas: somos seres plurais e temos diversos interesses. Se você se organizar, pode estudar sobre assuntos diferentes em paralelo e aprender sobre mais de um tema ao mesmo tempo;
  5. Expansão de vocabulário: ler mais de um livro te mostra diferentes formas de contar histórias e, ao entrar em contato com diferentes estilos de escrita, você adquire mais vocabulário e aumenta seu repertório cultural;
  6. Estimula a criatividade: a variedade de histórias fictícias e/ou temas de interesse, expande nossos horizontes e conhecimentos, nos tornando pessoas de pensamento mais ágil e criativo;
  7. Mescla estudos com lazer: se você precisa estudar e tem um compromisso, é comum que se foque nesse aprendizado. Porém, é possível encaixar livros mais leves na rotina como forma de descansar dos assuntos teóricos e ter um momento de lazer – lendo um livro de literatura ou poesia, por exemplo;
  8. Distribui o peso dos livros: pode ser que você queira ler um romance de quase mil páginas, ou esteja lendo um livro de referências enorme e pesado. Se você não quiser carregar esses calhamaços por aí, pode alterná-lo com um livro mais curto e leve. Deixando os livros maiores em casa, você torna a experiência da leitura mais confortável, e este pode ser um incentivo para não perder o ritmo; 
  9. Aumenta o volume de leituras: lendo mais de um livro ao mesmo tempo, você amplia a variedade de temas estudados e também tem a oportunidade de aumentar o número de livros lidos, uma vez que as leituras começam a fluir melhor e mais rápido com o tempo;
  10. Satisfação pessoal: se sua meta é ler mais livros, parabéns! Conquistar o hábito da leitura nos dá a sensação de que estamos aproveitando o tempo com temas prazerosos e que agregam valor para a vida – pessoal e profissional. 

Como vimos, existem muitas vantagens em organizar suas leituras e aproveitar o tempo para ler mais livros. Mas aqui vai um alerta: é preciso ter cuidado para não se atrapalhar no início do processo e nem perder a motivação. Entre as maiores dificuldade de quem está começando estão:

  1. Você pode se confundir: para algumas pessoas, lembrar de dois enredos, diferentes temas ou personagens de uma vez pode ser demais. É possível que você se sinta perdido e confunda as narrativas uma com a outra, estragando a experiência de ambas as leituras;
  2. Perder o foco: algumas pessoas começam a ler diversos livros, mas não terminam nenhum. Quando o foco muda muito rápido, pode ser difícil se demorar em uma história. Por isso é importante selecionar cada leitura e assumir um compromisso com os livros. Começar muitas leituras pode realmente ser pouco proveitoso;
  3. Preferir apenas as leituras fáceis: especialmente quando você divide seu tempo entre uma leitura por lazer e um estudo, pode ser uma tentação ler apenas o livro mais leve e prazeroso – é preciso encontrar um equilíbrio.

Como várias partes do nosso cérebro são ativadas durante a leitura, ao ler mais de um livro ao mesmo tempo, estamos fazendo-o trabalhar com mais intensidade e exercitando nosso potencial cognitivo. Isso já faz valer o desafio de dar uma chance para as leituras simultâneas!

7 dicas para aproveitar melhor a leitura

Se você está começando agora, se liga nessas dicas para aproveitar melhor as leituras e organizar os diferentes livros:

  1. Misture gêneros literários e/ou teóricos: para não se confundir, você pode optar por ler livros de diferentes gêneros. Por exemplo, pode ler um livro de ficção e um de poesias; ou então um livro de ficção e um livro teórico de sua área de estudos. Como os temas não se relacionam, você cria dois momentos distintos de leitura e absorve melhor o conteúdo de cada um;
  2. Não fique muito tempo sem retomar o livro: se você deixar passar muito tempo, a chance de esquecer parte da história ou do contexto é maior. Isso pode te levar ao abandono da leitura, ou à necessidade de retomar uma parte já lida, prejudicando a experiência com o livro;
  3. Faça anotações: especialmente quando for estudar sobre um tema teórico, você pode fazer anotações em um caderno ou arquivo do seu computador para revisitar os principais tópicos no futuro. Essa técnica também contribui com a retenção de informação pela mente, além de criar um material de consulta e referências;
  4. Você também pode variar o formato: hoje em dia temos livros físicos, livros digitais e audiobooks como opções. Por isso, você pode escolher um tema diferente para cada formato e criar momentos no seu dia para consumir cada um deles. Por exemplo, pode ler um exemplar físico em casa e ouvir um audiobook a caminho do trabalho ou enquanto malha na academia. Os leitores digitais também são boas opções para levar como acompanhante na rua, devido à sua praticidade e leveza;
  5. Estabeleça uma rotina: crie horários ao longo do seu dia para ler. Se você não estabelecer um compromisso consigo mesmo, dificilmente conseguirá incluir o hábito da leitura em seu dia a dia. Para saber mais sobre como criar um hábito, recomendo a leitura deste artigo aqui no blog;
  6. Leia cada livro em um horário diferente: se você emendar as leituras, seu cérebro pode não conseguir trocar de contexto com tanta agilidade e isso tornará a experiência cansativa e confusa. Por isso, o ideal é encontrar um momento diferente do dia para cada livro;
  7. Defina o objetivo de cada leitura: para organizar suas leituras e horários, pense sobre o objetivo de cada livro lido e, assim, sempre terá o livro adequado em mãos. Uma leitura leve e descontraída é perfeita para salas de espera, por exemplo. Já um livro de estudos requer um ambiente silencioso e maior concentração.

Minha experiência pessoal de leitura sempre foi muito positiva, sinto que consigo ler mais e, desta forma, aproveito melhor meu tempo para explorar os diversos temas que são do meu interesse. Por isso, recomendo que você separe alguns livros e dê uma chance para a leitura simultânea.

Me conta aqui nos comentários como é essa experiência pra você: você já leu ou tem o hábito de ler mais de um livro ao mesmo tempo? Quais são os desafios que encontra em sua rotina? Vou adorar bater um papo sobre as nossas leituras ❤

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Estranhas com memórias

Eu perdi uma amiga durante a pandemia. Não, não foi da forma como você está pensando. Ainda assim, doeu bastante.

Algumas amizades definham, outras simplesmente terminam.

Assim que saí da escola, prometi manter o contato com meus amigos. Mas a vida foi ficando corrida, cada um foi para um lado e então vieram a faculdade, o trabalho, o namoro… E ficou cada vez mais difícil nos encontrarmos.

Ainda trocávamos mensagens, lutávamos para abrir um espaço em comum em nossas agendas, até que a comunicação foi se espaçando para mensagens de aniversários e uma curtida aqui, outra ali.

E eu entendi que isso faz parte da vida. Ainda tenho algumas dessas pessoas nas redes sociais e acompanho, de longe, um pouquinho sobre suas vidas: uma foi morar fora do país, outra se casou e já tem uma filha, e uma delas dá dicas incríveis em seu perfil profissional. Às vezes a gente cresce em sentidos diferentes e os desencontros acontecem.

Na faculdade, o ciclo se repetiu, bem como em outros meios que frequentei. Algumas pessoas se afastam, enquanto outras seguem guardadas com carinho na memória. E são poucas as que realmente ficam, que crescem com a gente e continuam fazendo sentido em nossa história. Essas se tornam muito especiais – e essenciais – com o tempo.

Mas, pouco menos de um mês antes do mundo virar de cabeça para baixo, tive um pequeno desentendimento com meu grupo de amigos. Do meu ponto de vista era algo simples mesmo: manifestei um incômodo, gerei um incômodo, e conversamos sobre isso para seguir em frente sem mal-entendidos – ou pior, coisas não ditas.

Estávamos trocando mensagens até que alguém propôs um encontro presencial para conversarmos sobre tudo. Porém, logo em seguida, chegou a notícia da pandemia e da quarentena aqui no Brasil. Obviamente nosso encontro foi adiado.

E é claro que ninguém esperava que precisaríamos passar tanto tempo afastados.

Como medida emergencial, deixamos tudo isso de lado e nos comprometemos a trocar notícias, afinal, a prioridade era saber se todos estavam bem e em segurança. A amizade falou mais alto, sabe?

 Mas um incômodo ficou, e foi com uma única pessoa. Aquilo ficou martelando na minha cabeça, então eu a procurei e tentei resolver, mas ela disse que não estava em condições de lidar com isso no momento bom, em meio a uma pandemia, quem poderia julgá-la?

Só que os meses foram passando, e ela negou todas minhas tentativas de contato, até que atingimos o ápice: eu enviei um presente pelo correio em seu aniversário e ela nem se deu o trabalho de agradecer. Eu, boba, fui perguntar se havia sido entregue, pois a primeira coisa que eu pensei foi em extravio e não em descaso. Me enganei.

Esse foi o começo do fim.

A partir daí, comecei a me questionar se essa amizade tinha mesmo algum valor, pois, aparentemente, não era recíproca. Será que valia a pena insistir em alguém que decidiu me tratar de tal maneira? Passei os meses seguintes refletindo sobre isso e elaborando esse término.

Confesso que a história teve um agravante: nossos amigos em comum. Fiquei insegura quanto ao grupo e não quis envolvê-los, pois não queria que ninguém precisasse se posicionar. Entendi que aquele era um caso isolado – entre ela e eu.

Com o tempo, eu consegui me libertar desta relação. Nós compartilhamos muitos bons momentos juntas, sei muito sobre sua história, assim como ela sabe sobre a minha. Vivemos o final da adolescência e início da vida adulta juntas, foram muitas inseguranças compartilhadas, muito incentivo e sororidade – aliás, a gente nem conhecia essa palavra naquela época.

Eu acredito que nada apaga um relacionamento de mais de uma década. Mas é muito estranho pensar em como a balança estava desnivelada e em como ela não teve um pingo de consideração com nossa história.

Hoje, somos estranhas, mas ainda carregamos tantas memórias dos momentos compartilhados… Eu sei que este é um lugar estranho para se ocupar na vida de alguém, ainda assim, é melhor do que manter por perto – ou tentar ficar perto – de alguém que não te faz bem nenhum. 

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Metas SMART: O que são e como elas podem te ajudar a alcançar seus objetivos

O conceito de metas SMART foi criado para atender às necessidades do mundo corporativo, mas vem sendo amplamente utilizado em diferentes contextos. No artigo de hoje, eu vou te contar o que são metas SMART, o significado de cada letra da sigla e como essa metodologia pode te ajudar a alcançar os seus objetivos. Acompanhe!

Pra que servem as metas?

Pra gente começar essa conversa, primeiro precisamos entender a diferença entre um objetivo e uma meta: um objetivo nada mais é do que um fim que queremos atingir, pode ser algo que desejamos, por exemplo. Por isso, é muito importante ter muita clareza sobre quais são os seus objetivos, afinal são eles que motivam as ações. 

Quando falamos em metas, nos referimos ao tempo e aos meios que serão utilizados para atingir esses objetivos que foram definidos. Os dois conceitos estão relacionados, e as metas funcionam como um direcionamento. 

Em resumo, é preciso saber o que se deseja conquistar ou qual lugar quer alcançar. A partir daí, conseguimos analisar o contexto e as variáveis envolvidas, quais são as ferramentas disponíveis, além dos desafios e dificuldades que podem surgir no caminho. Com isso, é possível elaborar um planejamento estratégico de suas ações em direção ao resultado esperado. 

As metas são muito usadas em empresas ou para trabalhos em grupo porque funcionam como uma forma de estimular as pessoas em prol de um objetivo em comum. Porém, é preciso se atentar para que sejam sempre estimulantes e promovam o engajamento da equipe, nunca o contrário.

Quando uma meta é definida sem embasamento, ela se torna apenas um número arbitrário. Uma vez que não condiz com a realidade, não é possível utilizá-la para trilhar um caminho até o objetivo e seu efeito acaba sendo exatamente o oposto ao esperado: desmotivação, falta de confiança e desistência. 

A melhor parte é que, apesar de serem normalmente associadas a trabalho e objetivos profissionais, a verdade é que você também pode aplicar o conceito de metas em sua vida pessoal e usá-las como aliadas e motivadores para atingir seus objetivos. 

A seguir, vamos nos aprofundar no conceito de metas SMART e entender como elas podem nos ajudar a manter o foco, a motivação e a produtividade.

O que são metas SMART

O conceito de metas SMART diz respeito a uma metodologia que te ajuda a criar metas inteligentes, como seu próprio acrônimo sugere. O método SMART é uma forma objetiva e eficiente de criar metas que façam sentido

Originalmente, seu conceito foi desenvolvido para empresas, pois auxilia todas as fases de um plano de negócios: planejamento, ação e mensuração dos resultados. Mas com um resultado tão expressivo e satisfatório, logo passou a ser aplicada em outras áreas da vida. 

Seguindo essa metodologia, toda meta deve possuir cinco critérios essenciais, que são: 

S (Específica)

Para atingir uma meta, é fundamental que todas as pessoas envolvidas com o seu cumprimento entendam com clareza do que ela se trata e, por isso, precisa ser bastante específica.

É importante que você saiba exatamente o que deseja alcançar – seu objetivo – para que possa planejar as ações e definir o marco que determinará o seu alcance. 

Não exite em explorar seu objetivo e ser bastante específico nessa etapa. Para se guiar nessa etapa, você pode responder às seguintes questões: 

  • O que eu espero alcançar com essa meta?
  • Por que ela é importante? 
  • Onde será realizada? 
  • De que forma será realizada? 

M (mensurável)

Só faz sentido criar uma meta se você puder medir os esforços e resultados, concorda? Então você precisa criar um sistema que possibilite a análise do desempenho das ações rumo ao objetivo final. 

Uma boa forma de realizar isso é dividindo sua meta em ações que contenham elementos mensuráveis. Assim, terá a possibilidade de acompanhar seu progresso por meio de indicadores – quantitativos ou qualitativos – que expressem o desempenho e evolução do processo.

Isso também ajuda os envolvidos a se manterem focados e cumprirem os prazos, sem desanimar ou procrastinar. 

Para ser mensurável, sua meta deve responder: 

  • Qual é o resultado esperado?
  • Quanto tempo será necessário para atingi-la? 
  • De que maneira o resultado pode ser mensurado? 

A (atingível)

Não adianta estabelecer metas que não condizem com a realidade. Toda e qualquer meta precisa ser atingível, caso contrário não há razão de existir. 

Se você estabelecer uma meta muito alta ou mesmo impossível de se atingir, conseguirá apenas desmotivar os envolvidos, gerando um alto nível de frustração.

Imagine que você crie estratégias, se empenhe para executar e medir suas ações para, no final, não conseguir atingir os resultados propostos. É justamente para evitar que isso aconteça que você precisa garantir que o resultado da meta deve ser algo tangível, e não apenas um sonho – impossível de ser realizado. 

Seja desafiador ao propor uma meta, porém realista quanto a seu contexto e recursos, de forma a identificar oportunidades e engajar os envolvidos.  

Antes de definir sua meta, se pergunte: 

  • Com base nas informações que possuo, é possível atingir o objetivo desejado? 
  • As pessoas envolvidas acreditam no sucesso do resultado? 
  • Como posso atingi-la com os recursos que tenho à disposição hoje? 

R (relevante)

Quando você estabelece uma meta e define os responsáveis e algumas métricas para seu cumprimento, deve saber que, quanto mais relevante for a meta, mais motivados estarão os envolvidos. 

Basicamente, você precisa ser capaz de entender o porquê ela é importante, já que isso terá relação direta com a motivação para seu alcance e resultados. E atenção para o pulo do gato: a meta precisa ser relevante tanto para quem a propõe quanto para quem a executa.

Para confirmar se sua meta é relevante, se pergunte: 

  • Por que você deseja alcançar essa meta?
  • O que motiva você e os demais envolvidos? 
  • Essa meta é útil? 

T (temporal)

Uma meta sem prazo não tem foco, fica solta, sem prioridade. Por isso, você precisa estabelecer, de forma atingível, um período para sua realização. 

Defina se sua meta deve ser alcançada em um mês, seis meses ou um ano, por exemplo. Estabelecer um período de tempo dá contorno ao plano de ação, deixa a meta mais realista e objetiva.

É claro que você pode – e deve! – ser flexível e reestabelecer prioridades se necessário, mas é importante ter uma data limite para se organizar e começar a agir. Isso ajuda a manter um ritmo de produção e ter uma previsão de sua conclusão.

Para definir o tempo de cumprimento de sua meta, de forma realista, responda às seguintes questões: 

  • Quanto tempo tenho para atingir meu objetivo? 
  • Tenho os recursos necessários para executá-la no tempo estabelecido?
  • Todos os envolvidos concordam que o prazo definido é viável?

Como as metas SMART podem te ajudar

Se você deseja conquistar seus objetivos, precisa concentrar seus esforços e recursos, economizando tempo e energia para se focar naquilo que realmente importa. Para que isso aconteça, deve estabelecer metas inteligentes e cumpri-las.

Portanto, ao criar uma meta, garanta que ela seja específica, ou seja, tenha um objetivo claro; mensurável, com ações possíveis de medir e acompanhar; alcançável, para manter os envolvidos motivados; relevante, ou seja, que haja propósito em atingi-la; e temporal, com um prazo de conclusão pré-estabelecido.

Se você gostou do conceito de metas SMART, se organize e planeje suas ações sempre que tiver um objetivo, assim, você terá clareza sobre os recursos e tempo disponíveis, além de uma dose extra de foco e motivação. 

E não se esqueça de comemorar suas pequenas vitórias. Estabelecer submetas ajuda a acompanhar seu progresso e fazer mudanças de rota, se necessário. Assim, você acompanha seu progresso e se mantém motivado e com o foco no objetivo final. 

Por fim, recomendo a leitura deste artigo para descobrir como criar ou mudar um hábito, afinal, o cumprimento das metas está muito relacionado a nossos comportamentos e hábitos. 

Uma meta não se realiza em um dia, mas pouco a pouco, ação após ação. 

E o grande diferencial do modelo de metas SMART está em garantir o foco nos objetivos, de forma estimulante e atingível.

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Leitura e empatia

Você que me acompanha por aqui sabe que sou apaixonada por literatura e vivo defendendo os livros e o hábito da leitura, não é mesmo?

Isso porque não importa o estilo de livros que você goste de ler, pode estar certo de que reservar um tempinho para a leitura em sua rotina só trará benefícios. Separei alguns deles aqui:

  • Enriquece o vocabulário;
  • Ajuda a desenvolver a habilidade de comunicação, pois quanto mais você ler, mais facilidade tem para escrever e se expressar;
  • Oferece visões de mundo e pontos de vista diferentes, funcionando como uma excelente expansão de consciência;
  • Ensina coisas novas;
  • Desperta a curiosidade e dá vontade de ler ainda mais;
  • Estimula a capacidade imaginativa e é um alimento para a criatividade;
  • Aumenta o repertório cultural;
  • Auxilia na capacidade de entender e interpretar fatos e dados;
  • Apresenta novas possibilidades e realidades;
  • Oferece a chance de conhecer outros mundos sem precisar sair do lugar.

O poder da literatura

A literatura é a arte das palavras, que pode ou não ser baseada em fatos reais. Por meio dela, os autores criam narrativas que imitam a realidade e, mais do que isso, vão além. Existem autores com uma incrível capacidade imaginativa que nos presenteiam com universos inteiros saídos de suas mentes. 

Ao ler uma história, nós mergulhamos de cabeça no mundo dos personagens. A depender do tipo de narração, podemos saber tudo o que acontece à volta dos protagonistas, ou então conhecer até mesmo seus pensamentos mais íntimos.

Acompanhar as experiências destes personagens nos permite experimentar novas possibilidades e conhecer uma realidade diferente da nossa.

O que eu quero dizer é que as histórias têm a capacidade de nos emocionar e nos ensinar. Criamos vínculos com aqueles personagens que nos identificamos, vibramos por suas conquistas e podemos até sentir reações de raiva perante seus antagonistas.

Essas emoções nos revelam como a literatura tem a capacidade de mexer com as nossas emoções e que, dessa forma, podemos aprender com ela. Lendo um livro, você pode repensar uma situação passada e tem a chance de ressignificar um acontecimento de sua própria história.

O olhar distanciado para uma história que não é a sua, apesar de semelhante, pode te ajudar a ter uma nova perspectivas sobre suas vivências. E é aí que a mágica acontece!

Leitura e Empatia

Quando lemos uma obra de ficção, nos tornamos aptos a compreender as pessoas e suas intenções. É isso mesmo: nós conseguimos aprender com os personagens ao explorar como os acontecimentos de suas vidas se desdobram.

Estudos comprovam que ler ficção pode aumentar nossa capacidade de sentir empatia por outras pessoas. O que acontece é que o leitor tem a oportunidade de formar ideias sobre as emoções, motivações e pensamentos dos outros personagens. E, a partir daí, transferir esse conhecimento e sensibilidade para sua vida real.

O psicólogo e romancista Keith Oatley, explica que quem lê ficção pode ampliar sua experiência social, e isso ajuda a entender as relações à sua volta.

A oportunidade de criar empatia com a história pessoal de alguém e conhecer sua vida íntima — mesmo que seja de um personagem fictício — melhora nossa compreensão sobre o mundo. Isso quer dizer que nós podemos conhecer mais sobre as nossas emoções e relações ao explorar a vida afetiva dos personagens que encontramos nos livros.

A empatia também aumenta do fato de conseguirmos compreender melhor que é normal que as pessoas tenham opiniões e visões de mundo diferentes da nossa.

Então, se você já se sentiu emocionado ou emocionada ao ler um livro, comemorou a vitória de um personagem como se fosse sua ou já teve vontade de se mudar para o mundo que encontrou dentro de um livro, fique sabendo que isso acontece porque os livros têm um forte impacto emocional sobre nós.

Quando embarcamos em uma leitura, tendemos a tratar as experiências ali narradas como se elas fossem reais. Enquanto você lê e absorve as palavras daquela história, ela realmente existe e se passa em sua mente.

Para exercitar sua capacidade empática por meio da literatura, você precisa de duas coisas:

  1. Frequência: não se constrói inteligência emocional de um dia para o outro. Transformar a leitura em um hábito é o que te ajudará a treinar sua percepção e ficar mais atento às emoções — suas, dos personagens e das pessoas à sua volta;
  2. Interesse: é claro que, para que essa imersão aconteça, você precisa realmente gostar da história e se sentir conectado a ela. Infelizmente não é qualquer livro que tem o poder de nos transportar para outros mundos. Por isso, é importante encontrar o seu tipo de leitura — e aqui não tem julgamento sobre o que é melhor ou pior, certo ou errado — literatura boa é aquela que você gosta e que te envolve tanto que até te faz perder a noção do tempo!

Cada livro é uma nova chance de conhecer um universo completamente novo e de enxergar a vida através de outro olhar.

Quando uma história nos toca e nos conectamos com ela, aproveitamos essa visão privilegiada e algo dentro de nós muda. É possível sentir seu impacto em nossa vida mesmo depois de terminar a leitura.

Por isso, acredito que uma estante diz muito sobre o seu dono. Afinal, ali estão os livros que ajudaram a moldar sua forma de pensar, se abrir para sentimentos e se tornar a pessoa que é hoje.

Clique aqui para conferir uma série de dicas que vão te ajudar a conquistar de vez o hábito da leitura. E acompanhe o blog para não perder as postagens, aqui sempre tem lugar pra gente enaltecer a literatura e os livros ❤.

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O impacto dos GIFs na sua comunicação e 5 motivos para usá-los

Eu não sei você, mas nos últimos anos eu me tornei adepta dos GIFs. Ao longo de minha experiência, percebi como o elemento visual é capaz de alterar o tom da comunicação, trazendo mais leveza e dinamismo para a conversa. 

Seja falando com amigos ou mesmo com um cliente, o uso dos GIFs definitivamente cria um vínculo entre as partes e acrescenta sentido à mensagem.  

No artigo de hoje vamos falar sobre esse formato de mídia e seu impacto na comunicação. Está preparado para transformar a forma como você se comunica por mensagens? Então vamos nessa! 

O que são GIFs

O GIF é um formato de imagem que pode compactar várias cenas e, com isso, exibir movimentos. Apesar de possuir uma qualidade menor que os demais formatos, os GIFs são amplamente utilizados, especialmente quando se deseja criar uma animação. 

O nome “Graphics Interchange Format” (GIF), pode ser traduzido para o portugês como “Formato de Intercâmbio de Gráficos”. Apesar da recente popularidade, a verdade é que o formato GIF tem mais de 30 anos. Com o crescimento das redes sociais, ele passou a ser muito mais usado, ganhando um papel importante nas comunicações, como veremos a seguir. 

O impacto dos GIFs na comunicação

Assim como os emojis, os GIFs vieram para transformar a forma como nos comunicamos e nos relacionamos no mundo digital. 

A seguir, separamos 5 bons motivos para usar GIFs em sua comunicação:

  1. Linguagem universal: esse formato de mídia não tem áudio e muitas vezes dispensa legendas. A verdade é que o GIF é, por si só, uma forma de se comunicar e, em determinadas situações, ele pode expressar um sentimento melhor do que palavras. Além disso, independente do idioma falado, o GIF pode ser compreendido;

2. Impacto visual: o aspecto visual contribui muito para a comunicação. De forma rápida e eficiente, você consegue se comunicar e transmitir uma mensagem. Além disso, o fato de serem animados os torna mais chamativos, captando a atenção do leitor;

3. Humor: o uso dos GIFs demonstra senso de humor por parte de quem o envia, isso pode ajudar a “quebrar o gelo” e tornar a comunicação mais leve e descontraída;

4. Identificação: usar um GIF na comunicação ajuda a gerar identificação por parte do leitor, o que potencializa a formação de um vínculo entre as partes. É claro que o GIF escolhido precisa fazer sentido dentro do contexto e ser parte das referências culturais do leitor;

5. Altera o tom da conversa: a comunicação exclusivamente via texto deixa uma margem muito grande aberta à interpretação, uma vez que nem sempre é fácil expressar o tom de sua fala. O uso de um GIF ajuda a transmitir a mensagem de forma mais clara, além de trazer um elemento divertido e leve para o diálogo. 

Agora que você já sabe como os GIFs podem enriquecer a sua comunicação é só pensar em como inseri-los em suas mensagens para complementar sua fala, de forma leve e descontraída. 

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Tempo

Quanto tempo cabe em dois anos? 

Faz pouco mais de dois anos que nos confinamos em nossas casas para nos protegermos da pandemia. E, falando por mim, até hoje ainda passo muito tempo olhando para as paredes da minha sala. Os jornais e comerciais alegam que a vida voltou ao normal, o “novo normal” – como gostam de chamar – , mas os números de casos nos contam outra história: a pandemia ainda está aí.

Para além do risco da contaminação, o que anda me afligindo é a quantidade de tempo que se passou desde março de 2020. 

Eu adotei um cachorro, comecei uma nova carreira e devo ter mudado toda a minha rotina pelo menos umas três vezes. 

As coisas foram acontecendo dentro de nossas casas, afinal, as demandas não pararam. Mantivemos contato pessoal com algumas poucas pessoas e estendemos nossas relações para as telas de nossos computadores e celulares. Nos alimentamos de cursos à distância e lives até enjoarmos. 

E assim, o tempo foi passando. Ainda que de uma forma estranha e inesperada, dois anos se passaram na minha vida. E, da mesma forma, esse mesmo tempo se passou na vida dos meus conhecidos. 

Agora que estamos retomando os encontros presenciais, tenho me deparado com alguns desafios: minha família já não é mais a mesma, eu perdi a amizade de alguém que antes me era querido, me afastei de algumas pessoas e me (re) aproximei de outras. 

O fato é que todos nós mudamos. A retomada não se dá do mesmo ponto em que as coisas foram interrompidas. Voltar ao mundo presencial parece como acordar depois de uma longa noite de sono, o mundo gira lá fora, mas eu não consigo acompanhá-lo. 

Algumas convenções sociais mudaram, não sei se devo chamar meus amigos para sair ou não. Será que irei expô-los ao vírus? Será que ainda somos amigos? Será que devo tirar férias e comemorar mesmo sabendo que tantas pessoas estão tristes com suas perdas? E quanto às minhas perdas, o que devo fazer com elas?

Sentei para escrever esse texto e parece que me perdi em meus próprios pensamentos. Isso tem acontecido com alguma frequência… Ultimamente as palavras me escapam. 

Eu queria sair para o mundo de novo, mas, por enquanto, a janela é o limite.

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Vale a pena reler livros?

Começo o texto de hoje com uma pergunta polêmica: Você relê livros? Por qual motivo?

Eu realmente acho que a vida é muito curta para ler todos os livros que que desejo conhecer. Sei que algumas pessoas veem a releitura de obras como um “desperdício de tempo”. Afinal, para que reler os mesmos livros, se ainda há tantos novos para descobrir?

Mas eu te garanto que há bons motivos para revisitar um livro. Além de tipos diferentes de leituras, que também geram experiências diversas.

Se você quiser entender melhor do que eu estou falando, siga a leitura até o final para descobrir algumas das experiências que uma releitura pode te proporcionar e, de quebra, receber algumas dicas sobre boas oportunidades para dar uma segunda chance a um livro da sua estante.

Vamos nessa?

Tipos de Livros

Em primeiro lugar, você precisa ter uma razão que te motive a voltar a um livro, concorda? Isso dependerá de acordo com o tipo de livro. Vejamos alguns exemplos:

  • Livros Teóricos: podemos estudar um mesmo tema em diferentes momentos de nossas carreiras. Além disso, uma releitura também pode ajudar a assimilar melhor alguns conceitos, caso você esteja lidando com muitas informações. O interessante é que cada experiência pode ser muito particular, uma vez que a cada leitura carregamos uma bagagem maior de conhecimentos. Você pode reler o livro todo, alguns trechos, ou então as anotações que fez ao longo da primeira leitura. Livros teóricos são um excelente material de estudo e, por isso, devem ser lidos sempre que necessário;
  • Livros de Consulta: esses talvez não configurem uma releitura propriamente dita. Mas são aqueles livros que servem para tirar dúvidas – podem ter os principais conceitos de uma área, modelos, citações, exemplos, dicas ou sugestões. É o famoso “livro de cabeceira”, ao qual você pode retornar sempre que tiver uma dúvida ou curiosidade. A ideia não é reler o livro inteiro, mas procurar exatamente aquilo que te interessa em determinado momento. Em resumo, são livros que devem ficar à disposição para eventuais consultas;
  • Biografias: se você admira uma celebridade, político ou qualquer personalidade, pode se interessar por consumir sua biografia. Porém, esse tipo de leitura pode ser densa para ser feita toda de uma vez. Por isso, assim como nos livros de consulta, você pode retornar às biografias sempre que desejar, caso queira se lembrar de um evento em especial, de uma citação, ou passagem marcante. O maior objetivo ao ler uma biografia é se inspirar, então é esperado que isso aconteça mais de uma vez;
  • Livros de Ficção: a literatura pode ser uma grande companheira ao longo da vida. Por meio da ficção, temos a oportunidade de viajar para diferentes mundos e realidades, mesmo sem sair do lugar. Mesmo sem um objetivo formal, um livro pode ser relido simplesmente porque você deseja ter um novo encontro com ele. Você pode querer reviver uma experiência ou então dar uma nova chance a uma história. É sobre isso que falaremos nos próximos tópicos.

7 Motivos para reler um Livro

Em geral, quando você pergunta a alguém o motivo dessa pessoa querer reler um livro, a resposta é simples: porque gosto dele! Quando criamos uma conexão com uma história, podemos sentir o desejo de reviver a experiência. Mas os motivos podem ir muito além disso. Confira!

  1. Para matar a saudade: é o motivo número um mesmo. Quando gostamos de uma história e de seus personagens, a experiência de retornar ao livro pode ser muito satisfatória. Aquela nostalgia gostosa, sabe? Uma sensação de familiaridade. Por isso, não hesite em revisitar seus velhos amigos;
  2. Melhor compreensão: seja um livro teórico ou ficcional, o fato é que algumas obras podem ser bastante densas, e talvez não dê para absorver tudo em uma única leitura. Por isso, você pode voltar em busca de alguns detalhes ou mesmo do pacote completo, tentando assimilar melhor o conteúdo. Uma segunda leitura pode te ajudar a compreender melhor as ideias do autor;
  3. Apreciar a obra: algumas obras são tão boas – seja na construção da narrativa, nos conceitos apresentados, ou mesmo nas frases bonitas e memoráveis – que você pode querer retornar por puro prazer, e não tem problema nenhum nisso;
  4. Resgatar conceitos: lembra que falamos sobre os livros de consulta? Um dos motivos para retornar a uma leitura pode ser a vontade de relembrar um conceito ou frase. Uma segunda leitura te permite achar os pontos chave com mais facilidade, então volte ao texto sempre que necessário;
  5. Absorver detalhes: alguns livros têm uma narrativa tão rica e detalhada que, por mais façamos uma leitura atenta, é difícil absorver todos os detalhes. Por isso, você pode retornar a ele depois de conhecer a trama central e, assim, conseguirá prestar atenção a sutilezas que tenham escapado em seu primeiro contato com a obra;
  6. Ler a história sob outro ponto de vista: após algum tempo e com uma nova bagagem, podemos ter um outro olhar sobre a mesma obra. Ler um mesmo livro no primeiro e no último ano da faculdade, por exemplo, podem proporcionar experiências completamente diferentes. O mesmo vale para um livro lido na adolescência e relido na vida adulta. Recomendo fortemente a experiência;
  7. Dar uma segunda chance: simples assim. Sabe aquele livro que você tentou ler e não gostou? Mas todas as pessoas parecem falar bem dele e você se pergunta o motivo de não ter se conectado com ele… Talvez você possa experimentá-lo novamente depois de algum tempo. Por mais que o livro permaneça o mesmo, você com certeza já mudou.

Tipos de Releitura

Ler um livro pela primeira vez é como abrir uma janela: você ainda não sabe o que vai encontrar do outro lado, mas há todo um mundo te esperando do outro lado. Você pode ter um vislumbre inicial da história, mas é aos poucos que uma imagem vai se formando à sua frente. Nesse sentido, uma segunda leitura pode oferecer uma experiência diferente. Como você já sabe o que vai acontecer, está mais confortável para prestar atenção e absorver detalhes. Desta vez, por não estar tocado pela curiosidade, pode fazer uma leitura mais crítica e reflexiva.

O fato é que a maneira como interpretamos um livro tem muito a ver com o nosso momento presente. A cada leitura, você será influenciado pelo conjunto de sentimentos, conceitos e opiniões que fizerem parte de seu cotidiano.

E é justamente essa a mágica do reencontro com uma obra!

Segundo o dicionário, “releitura” é a ação de interpretar novamente alguma coisa, acrescentando algo novo e original. E é exatamente isso o que fazemos ao nos depararmos com novos sentidos ao ler as mesmas páginas mais uma vez.

Eu acredito que existem dois tipos de releituras. Às vezes, reler um livro é como reencontrar um velho amigo e descobrir que algumas coisas nunca mudam. É encontrar conforto, voltar para um lugar conhecido. Da mesma forma que nos deliciamos com séries ou filmes que já memorizamos até as falas. Me refiro aqui àquelas leituras íntimas, acompanhadas de bastante nostalgia.

Por outro lado, às vezes nos deparamos com uma mesma obra em diferentes momentos da vida, e a cada leitura é possível ter uma percepção diferente, afinal, carregamos nossa própria história e bagagem de experiências, e estamos em constante mudança.

Então, é possível que um livro que você tenha gostado uma vez possa não te agradar em uma releitura. E, ao contrário, um livro que não tenha agradado no início, pode ser uma boa surpresa na segunda tentativa, mudando completamente sua opinião sobre ele.

Oportunidades para reler um livro

Se você fica naquele impasse entre ler um livro novo ou reler um já conhecido, se liga nessas dicas de momentos que podem ser boas oportunidades de embarcar em uma releitura:

  • Aprendizado: quando você precisa estudar e aprender – ou reaprender – um conceito, e decide recorrer às referências de sua área;
  • Lançamento de novas edições: se você for um colecionador de livros como eu, ocasionalmente deve se encantar com o lançamento de uma nova edição de uma obra já conhecida. Acertei? Quando comprar um livro repetido, pode aproveitar o momento para entrar em contato com a obra novamente, desta vez na nova edição;
  • Antes do lançamento de uma adaptação: sabe a alegria que dá quando um livro que a gente gosta vai receber uma adaptação nos cinemas ou então virar uma série? Antes de assistir a nova versão da obra, você pode querer se reencontrar com a original;
  • Antes do lançamento da continuação:  quem acompanha séries ou sagas, sabe que às vezes um novo volume pode demorar tanto para sair que a gente mal lembra em que ponto a história parou. Reler os volumes já lançados pode ser uma boa oportunidade de relembrar os detalhes e voltar para a familiaridade daquela história. Desta forma, com certeza o lançamento será mais bem aproveitado.
  • Ler em outro idioma: uma dica para quem está aprendendo outro idioma é ler um livro já conhecido. E essa é uma dica dois em um, você tem a oportunidade de retornar a uma história conhecida e pode ler no novo idioma algo que já conhece e tem familiaridade com o contexto;
  • Participar de um clube do livro: com as redes sociais, é cada vez mais comum ver leitores se reunindo para discutir suas obras favoritas. Isso deu força ao chamado “Clube do Livro” que, apesar de suas variações, consiste basicamente em um conjunto de pessoas que lê a mesma obra dentro de um prazo combinado e depois se reúne para compartilhar impressões e trocar experiências.

Chegamos a uma conclusão?

Não sei, essa resposta é muito pessoal. Então vou deixar que você me conte aqui nos comentários para continuarmos essa conversa.

É claro que nem todos os livros precisam ou devem ser relidos. Crie critérios para selecionar as obras que você deseja reler, de acordo com seus objetivos e suas vontades. Você não precisa se forçar a fazer uma leitura, especialmente se estiver lendo por lazer.

Eu acredito que vez ou outra precisamos retornar às bases, ou mesmo dar uma nova chance. O importante é o quanto uma releitura nos faz florescer, pois além do conteúdo absorvido, temos a oportunidade de nos reencontrarmos com nós mesmos, descobrindo o quanto mudamos entre uma leitura e outra.

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Rituais Noturnos para dormir melhor

Rituais são comportamentos e atividades realizados sempre da mesma forma – e, às vezes, na mesma ordem – com o objetivo de criar ou manter um hábito.

Criar um ritual noturno ajuda a sinalizar para o corpo que ele deve passar do estado de vigília ou alerta para o estado de sonolência. Repetir uma sequência de atividades todas as noites acalma a mente e ajuda o corpo a entender que está chegando a hora de dormir.

 Pequenos rituais noturnos podem te ajudar a dormir melhor, evitando a insônia, além de te deixar mais bem disposto na manhã seguinte. Assim, mudar seus hábitos noturnos se reflete também em sua produtividade em geral.

O Sono e a saúde

É durante o sono que o nosso cérebro desempenha algumas atividades fundamentais para nossa existência, como organizar pensamentos, consolidar as memórias adquiridas ao longo do dia e exercitar a criatividade.

Além disso, é ao longo das horas de sono que o organismo produz novas proteínas que ajudam no sistema imune e regula a produção hormonal, secretando diversos hormônios que são fundamentais para nosso desenvolvimento e manutenção do organismo.

O sono não é apenas um momento de descanso. Ele desempenha um papel fundamental em nosso processo de desenvolvimento e aprendizagem.

Por isso, a privação de sono pode ser muito prejudicial à saúde, podendo causar diversas alterações endócrinas, metabólicas, físicas e cognitivas. Pode alterar, por exemplo, nossa capacidade de concentração e de reter novas memórias, aumentar a irritabilidade e diminuir a libido.

Vivemos hoje na era da conectividade, e desligar das cobranças e estímulos externos tem sido um desafio cada vez maior. Em decorrência, quem não se desliga nunca, enfrenta sintomas como: fadiga crônica, falta de energia, exaustão e dificuldade para dormir.

Com o passar do tempo, tais sintomas se transformam em falta de produtividade, além de comprometerem a saúde física e a qualidade de vida, podendo resultar em doenças dermatológicas, gastrointestinais ou dores de cabeça.

Para mudar este cenário, é preciso motivação e comprometimento para criar novos hábitos e estabelecer uma rotina mais saudável. E é sobre isso que falaremos a seguir!

A importância dos Rituais

Incorporar hábitos em sua rotina e repetir uma sequência de atividades todos os dias, ajuda o organismo a entender o momento de começar a relaxar e dormir. Para pessoas que sofrem com insônia, esse momento pode ser especialmente difícil, e é por isso que educar o corpo pode ser uma boa forma de entrar no clima de relaxamento até pegar no sono.

Para criar um hábito você precisa:

  1. Observar e entender sua rotina para encontrar os componentes do hábito: a deixa (o que o motiva o comportamento), a rotina (o comportamento) e a recompensa;
  2. Estabelecer pequenos objetivos: sempre que desejar alcançar uma meta, quebre-a em pequenas tarefas, assim poderá subir um degrau de cada vez e a cada novo objetivo alcançado, estará mais próximo de seu desejo final;
  3. Manter o novo comportamento em sua rotina: no começo é necessário fazer um esforço consciente, lembrar-se de executar o comportamento, lutar contra empecilhos, preguiça e tudo o que pode surgir pelo caminho;
  4. Acompanhar seus progressos: acompanhe e comemore suas pequenas vitórias. Isso vai estimulá-lo a continuar seguindo seu foco.

E lembre-se: quando falamos em hábitos, consistência é a palavra-chave! As mudanças não acontecem do dia para a noite, é preciso se esforçar um pouquinho por dia. Por isso, repita seus rituais até que eles sejam incorporados em sua rotina.

É o efeito a longo prazo que proporcionará as mudanças que você tanto deseja.

Em termos práticos, uma rotina noturna consiste em um conjunto de atividades que você faz com o objetivo de desacelerar e prestar atenção no próprio organismo, oferecendo atenção e cuidados à pessoa que mais importa: você.

12 Dicas para criar sua rotina noturna:

 Antes de começar, pense sobre seu dia e sobre as necessidades de sua rotina. Tente estabelecer o número de horas ideal para que você tenha uma noite de sono revigorante. As necessidades de cada organismo são diferentes, por isso, procure se conhecer melhor e esteja atento aos sinais de seu corpo. A partir daí, tente estabelecer o horário ideal para ir para a cama, com base no horário que seu despertador tocará na manhã seguinte.

Cada pessoa tem um ritmo e uma rotina, por isso é importante adaptar essas atividades para suas necessidades e possibilidades. Para te dar uma ajudinha para começar e criar seus próprios rituais, separei 12 dicas que podem te acompanhar nas horas anteriores ao sono. Confira:

  1. Higiene Pessoal: sem dúvidas, a higiene noturna deve fazer parte do seu ritual. Tome um banho quente, lave o rosto e faça sua higiene bucal. Se você estiver com tempo, invista em um banho relaxante, você pode fazer um escalda-pés, usar sais de banho e até mesmo fazer um Spa-day no seu banheiro. Se você se interessar por cuidados pessoais, crie uma rotina de Skincare e transforme o autocuidado em parte de sua rotina diária.
  2. Vista seu pijama: sinalize para seu organismo que chegou a hora de dormir, coloque um pijama confortável, que não incomode ou aperte seu corpo. Trocar de roupa ajuda a indicar para o cérebro que o dia acabou e que não queremos mais ficar ativos. Use roupas adequadas à estação para ficar mais confortável;
  3. Desligue as telas: evite aparelhos eletrônicos, como celular, televisão e tablets, de 60 a 90 minutos antes de dormir. A exposição à luz azul das telas interfere na produção de melatonina, o hormônio do sono. Além disso, as notificações do celular podem nos manter em estado vigilante e ansioso, por isso é importante saber a hora de parar de mexer no aparelho;
  4. Planeje o dia seguinte: você pode se planejar e fazer uma lista com as tarefas do próximo dia, ou adiantar coisas como separar a roupa que vestirá na manhã seguinte, ligar o despertador ou deixar a louça do café da manhã na mesa. Esses pequenos gestos nos ajudam a entender que o dia já terminou, além de evitar preocupações com o que você não pode esquecer no dia seguinte. Depois que preparar tudo, você sabe que pode relaxar;
  5. Alongamentos: a prática de alongamentos pode ser eficaz para relaxar o corpo, aliviando possíveis pontos de tensão, além de ajudar a mente a se focar mais no próprio corpo e menos nas preocupações do dia. Você pode aliar a prática a uma música relaxante; 
  6. Respiração: esta técnica funciona como um calmante e ajuda a induzir o sono. Assim como na meditação, sua atenção se volta para o ato de respirar. Respirar de maneira consciente, mais lenta e profunda ajuda a relaxar os músculos, diminuir a velocidade dos batimentos cardíacos além de levar sua atenção para longe de pensamentos que podem estar acelerando sua mente;
  7. Faça um chá: incluir uma xícara de chá na rotina cerca de uma hora antes de dormir é um hábito que pode melhorar a qualidade do sono e diminuir a ansiedade. Invista em ervas com componentes relaxantes, como camomila, maracujá ou erva-cidreira. Esses chás ajudam a proporcionar um efeito calmante no organismo, colaborando com a chegada do sono;
  8. Reduza o consumo de cafeína: reduzir o consumo de cafeína ou outros estimulantes após o meio-dia pode te ajudar a ter um sono de mais qualidade. Para uma noite de sono tranquila, o corpo precisa estar relaxado e, por esse motivo, a ingestão de cafeína pode acabar atrapalhando;
  9. Prepare seu quarto: arrumar o espaço onde você dorme, como estender um cobertor na cama, pegar o travesseiro, diminuir as luzes e manter a roupa de cama limpa, envia mensagens ao cérebro para que possamos relaxar e desfrutar do conforto e segurança do ambiente. Isso reduz o estresse e o estado de alerta do organismo;
  10. Meditação: existem diversas práticas de autocuidado que são excelentes aliadas na hora de buscar por uma qualidade de sono melhor, a meditação é recomendada porque ajuda a reduzir os níveis de depressão, estresse e ansiedade, acalmando os pensamentos acelerados que atrapalham uma boa noite de sono. Esvaziar e acalmar a mente antes de adormecer é uma prática que prepara o corpo para o relaxamento;
  11. Aromaterapia: outra técnica bem recomendada é o uso de óleos essenciais em difusores de ar, como na aromaterapia. Estimulando o olfato com aromas específicos, podemos proporcionar um efeito relaxante e calmante. A lavanda é muito boa para quem deseja ter uma noite mais tranquila de sono;
  12. Leia um livro: ler pode ser uma ótima estratégia para mostrar ao corpo que é hora de relaxar. Procure um local adequado e posição confortável e se concentre na leitura. Mas lembre-se de escolher uma leitura que não te deixe agitado ou ansioso se não o efeito será contrário.

Se você seguir essas dicas e criar um ritual que funcione para você, aprenderá a entender melhor as mensagens de seu corpo e logo terá maior facilidade em mudar do estado de atenção e vigília para um estado de relaxamento.

            Com uma melhor qualidade de sono, seu dia ficará mais produtivo e você se sentirá mais saudável e relaxado.

Espero que as dicas te ajudem e que você tenha uma ótima noite de sono hoje 🙂

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Aprenda a dizer “não” e pare de se sentir na obrigação de realizar tarefas que não deseja

Quantas vezes você já se sentiu na obrigação de fazer alguma coisa só para agradar alguém? Seja fazer um favor, atender um pedido ou mesmo para agradar uma pessoa querida. O fato é que muitas vezes dizemos “sim” quando queremos dizer “não”.

Mas por que é que essa palavrinha pode ser tão difícil de ser dita?

É sobre isso que conversaremos no artigo de hoje: por que é tão comum nos submetermos a situações ruins, quando um simples “não” nos pouparia muita energia, tempo  e estresse? Continue a leitura e descubra alguns dos motivos que podem estar te travando.

Sempre reparo em como é comum as pessoas sentirem dificuldade de priorizar os próprios interesses e vontades e acabarem se rendendo a situações ruins que seriam evitadas com uma recusa. E por que tanta contradição? Por que aceitamos docilmente e ignoramos os sinais que nosso corpo e mente nos dão sobre aquilo?

Alguns dos principais motivos são:

  • Aceitação: desde muito novos, somos ensinados a aceitar e, por isso, queremos pertencer, queremos ser aceitos. Quem não deseja ser o amigo estimado, o filho querido, o colega de trabalho bem visto?;
  • Necessidade de querer agradar a todos: essa vontade de ser aceito pode nos conferir uma identidade de “pessoa boa”, sabe aquele amigo que faz tudo? Esse mesmo! O fato é que algumas pessoas, sem perceber, desagradam a si mesmas numa tentativa de agradar as outras;
  • Sentimento de rejeição: com medo de ser mal interpretado ou mesmo rejeitado, podemos acabar aceitando situações na tentativa de preservar nossos relacionamentos;
  • Querer ser prestativo: é muito bom ajudar os outros, e algumas pessoas se sentem realmente bem sendo prestativas. Mas até a solidariedade precisa de limites, caso você esteja sendo prejudicado no caminho;
  • Evitar conflitos: é comum que as pessoas se submetam e aceitem determinadas situações em nome de evitar conflitos com seus entes queridos, com medo de perder ou prejudicar seus relacionamentos;
  • Achar que o problema dos outros é mais importante do que suas próprias necessidades: aqui temos um alerta para questões de autoestima. Às vezes exageramos na dose de querer ser prestativo por reconhecermos os problemas que as outras pessoas passam, mas corremos o risco de esquecer ou não considerar nossas próprias questões.

Ao dizer “sim”, quando na verdade sua vontade é justamente a contrária, muitas pessoas se sujeitam a situações ruins e relacionamentos tóxicos, gerando uma série de prejuízos para si.

 É muito comum que essas pessoas se sintam sobrecarregadas e frustradas. Pois tentam abraçar o mundo ao aceitar tudo e então não dão conta de fazer ou concluir tudo aquilo com o que se comprometeram.

É preciso entender a necessidade de estabelecer limites, que sejam saudáveis para si e para as relações, caso contrário, criamos e estimulamos relacionamentos abusivos que, com o passar do tempo, se tornam insustentáveis.

Para criar esses limites, você deve primeiro voltar-se para dentro e entender até onde você consegue aceitar e ajudar o outro sem se prejudicar. Uma pessoa que simplesmente aceita tudo, pode passar a ter dificuldade em reconhecer o que gosta ou não, o que lhe faz bem e o que lhe faz mal. Justamente por não ser seletiva, não filtrar suas demandas. É como se dependesse do outro para guiar e decidir sua própria vida. 

A importância do Autoconhecimento:

Uma boa dose de autoconhecimento nos ajuda a entender nossas necessidades e desejos, além dos medos, inseguranças e necessidade de pertencimento, que podem estar dificultando a tomada de decisões.

Saber reconhecer e atender às próprias necessidades é algo que exige prática. Priorizar suas próprias vontades não é algo que acontece do dia para a noite. Praticar o autoconhecimento é essencial para entendermos nossas atitudes e a sincronia entre as reações do organismo e tudo aquilo que acontece em nossa vida. É praticar a autopercepção, entendendo o que se sente, pensa ou gosta.

Então, só para deixar bem claro: cuidar de si não é egoísmo, é ter amor próprio e saber se respeitar.  Tão importante quanto cuidar de amigos e familiares, é saber cuidar de si. E isso não significa que você não se importe ou não se preocupe com as outras pessoas, quer dizer apenas que entende a importância de estar bem consigo mesmo para que possa então contribuir com o bem-estar de outras pessoas.

Exercer o autocuidado ajuda nesse processo e, com o tempo, você terá mais clareza e facilidade para identificar suas necessidades e limites.

Do mesmo modo que você consegue compreender suas necessidades, passa a conseguir identificar as necessidades das outras pessoas, então, por meio da prática do autoconhecimento, também desenvolverá mais empatia. E isto tende a trazer uma melhora significativa para os seus relacionamentos. Muito maior, inclusive, do que se você estivesse apenas aceitando todas as solicitações alheias sem nenhum tipo de filtro.

E quando o “não” deve ser dito?

Sempre que você perceber que será mais saudável a todos. É verdade que aprender a dizer “não” é um processo: no começo será difícil e incômodo, e nem sempre é fácil lidar com a reação da outra pessoa. Romper padrões de comportamento é um desafio. Mas, a longo prazo, você estará criando relacionamentos mais saudáveis e, principalmente, uma relação mais amorosa e respeitosa consigo mesmo, e assim todos saem ganhando.

Precisamos treinar o uso da palavra “não” para não abrirmos mão de nossa liberdade, tempo e interesses. Afinal, somos todos importantes e temos nossas próprias tarefas para realizar.

Em cada situação, reflita antes de responder “sim” ou “não”.

Para finalizar, listei a seguir algumas sugestões que podem te ajudar na construção deste novo hábito:

  • Pratique o autoconhecimento: como já foi dito, aprenda a reconhecer suas necessidades e ponderá-las com as demandas externas, assim será mais fácil estabelecer os seus limites;
  • Estabeleça limites e prioridades: não temos tempo para fazer tudo o que somos solicitados, por isso, é importante estabelecer prioridades e escolher a forma como usamos nosso tempo. E não se esqueça de que você deve ser sempre sua própria prioridade;
  • Seja claro e objetivo em suas decisões: você não precisa de justificar ou dar muitas explicações, mas seja claro sobre os motivos de não conseguir atender a uma solicitação, para que o outro entenda e respeite sua decisão;
  • Não se sinta culpado: lembre-se de que se priorizar não significa que você esteja sendo egoísta. Não se sinta mal quando precisar ou quiser negar um pedido. Faça escolhas assertivas sobre como usar sua energia e tempo;
  • Faça outra proposta: se você não puder ajudar ou fazer o que foi solicitado, pense se há outra maneira de ajudar, oferecendo uma solução ou caminho viável, assim poderá contribuir de outra forma, sem se comprometer;
  • Repasse a tarefa: caso você não consiga ajudar, mas conheça alguém que possa, indique o caminho, forneça um contato, enfim, ajude a pessoa a ter sua solicitação atendida por alguém que esteja disponível, uma vez que você não esteja naquele momento;
  • Peça um tempo: você não precisa aceitar na mesma hora. Se não estiver confortável com a situação, você pode pedir um tempo para pensar e assim elaborar uma lista de prós e contras, ou então pensar em uma alternativa que ajude a pessoa sem comprometer seu tempo e energia;
  • Repita: se a pessoa não entender ou insistir, repita o seu “não”. Não ceda apenas por pressão. Ceder é abrir mão da própria liberdade de escolha.

     Qualquer que seja a sua agenda e seus compromissos, eles devem primeiramente ser respeitados por você, e só depois pelas outras pessoas. Se você não consegue se priorizar, não espere que ninguém faça isso por você.

Coloque as sugestões em prática na próxima vez que for solicitado a realizar algo que você não tem conhecimento, tempo ou vontade de fazer. Logo você verá o resultado dos seus “não”s convertidos em mais tempo e energia em suas próprias atividades.