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Guia do Home Office: 10 dicas para manter a produtividade

Mulher trabalhando em sua casa no modelo de Home Office.

O home office é uma modalidade de trabalho que permite que os funcionários de uma empresa se conectem remotamente. Não existe fronteira geográfica que limite o trabalho, basta ter conexão com a internet e usar algumas ferramentas que facilitem a comunicação e garantam a segurança da informação.

Com a tecnologia que temos à disposição hoje, essa modalidade é possível em diversas empresas e segmentos. Porém ainda existem uma série de desafios a serem superados, além da necessidade de uma mudança na cultura das empresas que decidem aderir ao modelo, uma vez que é preciso gerar transformações comportamentais nas equipes.

Trabalhando à distância, precisamos encontrar formas de manter a comunicação entre os membros da equipe, minimizando ruídos e interferências que podem surgir nas relações. A empresa deve ainda se preocupar com as condições físicas e emocionais de seus funcionários, para que as pessoas não se sintam desmotivadas pela falta de contato e proximidade. Além disso, é preciso encontrar maneiras de incluir momentos de descontração para que os laços se estreitem, favorecendo o entrosamento da equipe.

A pandemia do Coronavírus nos obrigou a ficar em casa. Muitas empresas que ainda não haviam experimentado o home office, precisaram se adaptar rapidamente, para manter as pessoas em segurança e minimizar os riscos de contágio. Isso fez com que diversas pessoas improvisassem um cantinho de suas residências para poder trabalhar.

Trabalhar em casa, à primeira vista, pode parecer extremamente atrativo, pois oferece maior privacidade, independência e autonomia, flexibilizando desde os horários até as roupas que vestimos. Sem perder tempo no trânsito e com a oportunidade de comer comida caseira, ganha-se também em qualidade de vida, com notável redução de estresse.

Porém, logo descobrimos que é difícil não misturar o trabalho e a vida pessoal quando todas as atividades são exercidas dentro do mesmo ambiente. Corre-se o risco de trabalhar em excesso, ao mesmo tempo que a produtividade pode cair se não houver um bom gerenciamento de tarefas.

Já vivemos essa realidade há mais de um ano e, para algumas empresas, essa será a modalidade definitiva. Muitas optaram por remanejar seus escritórios e manter parte, ou mesmo toda a equipe, em trabalho remoto.

É preciso considerar que o que vivemos hoje é um momento de isolamento social, ocasionado por uma crise sanitária. Além de trabalhar dentro de casa, todas as atividades estão restritas, bem como o lazer e o contato social com nossos pares. Isso pode provocar efeitos emocionais negativos, como tristeza, melancolia, angústia e sensação de isolamento. É fundamental ter uma rede de apoio — ainda que online — e contar com o suporte das empresas para cuidar da saúde mental, caso necessite de ajuda profissional. A expectativa é que, no futuro, mesmo aqueles que permanecerem trabalhando remotamente, poderão encontrar os colegas para reuniões ou eventos presenciais, fortalecendo os contatos, além da retomada das atividades de lazer.

Para trabalhar em casa, é preciso estabelecer horários, se concentrar e não cair em armadilhas como distrações e procrastinação. Em algumas situações, trabalhar fora do escritório pode ser mais complicado do que parece. É preciso muito foco e algumas mudanças de comportamentos e hábitos para conseguir se adaptar e estabelecer uma rotina mais funcional e saudável.

Foi pensando em como manter a produtividade no trabalho mesmo em um momento tão turbulento como esse, que separei essas dicas para te ajudar na organização do ambiente e rotina de trabalho. Confira!

  1. Organize seu ambiente de trabalho: sempre que possível, escolha um ambiente ou cômodo da casa só para você. Monte sua estação de trabalho com computador, bloco de notas e todas as ferramentas e dispositivos que forem necessários para o desempenho de suas tarefas. Pense também no conforto, como a luz ideal e uma cadeira ergonômica. Essa separação de ambientes ajuda a estimular a criatividade e produtividade, evitando distrações e demarcando os momentos de trabalho, assim, ao final do dia, você deixa a mesa de trabalho e pode aproveitar os outros ambientes da casa com sua família. Parece algo simples, mas isso ajuda nosso cérebro a entender quando estamos em um ambiente de trabalho e precisamos de foco e concentração para realizar as atividades diárias;
  2. Faça combinados com a família: um dos maiores desafios de trabalhar em casa é conseguir estabelecer limites para as pessoas com quem você mora. Por isso, é importante fazer combinados quanto ao horário de trabalho e os barulhos na casa. Se todos cooperarem, é possível adaptar a rotina da família sem que ninguém seja prejudicado. Também é fundamental que entendam e respeitem que não é porque você está em casa que está livre para ajudar em outras tarefas. É claro que para quem tem filhos em casa, a dificuldade na adaptação pode ser maior;
  3. Organize sua rotina: sem a rotina habitual como o horário para sair de casa e o trajeto até o trabalho, é necessário estabelecer novos horários e definir uma rotina. Tenha um horário para acordar, tomar café da manhã e estabeleça um horário de trabalho. Lembre-se de respeitar o horário de almoço e fazer algumas pausas ao longo do dia. Nosso organismo precisa de rotina para ser mais produtivo;
  4. Planeje suas tarefas: não dispense um bom planejamento semanal. Faça combinados com sua equipe e estabeleça, se possível, metas pessoais. Isso te ajudará a não perder o foco, mantendo a motivação e o ritmo de trabalho. Crie um cronograma de atividades, e use recursos como gerenciadores de tarefas, agendas e listas;
  5. Elimine distrações: as distrações podem ser maiores e mais frequentes em casa do que no escritório, já que os ambientes se misturam. Evite trabalhar no sofá, na cama ou com a televisão ligada. Faça uso moderado de redes sociais e desative as notificações para se focar. Tenha períodos de atenção concentrada, deixe as distrações para suas pausas;
  6. Se arrume para trabalhar: parte importante de manter uma rotina diz respeito a tirar o pijama e se vestir para trabalhar. É claro que, se seu trabalho permitir, poderá optar por roupas mais confortáveis, mas tirar a roupa de dormir envia para o cérebro a mensagem de que o dia começou e está na hora de ser ativo. Além disso, é importante estar pronto para uma reunião online ou outro imprevisto que gere a necessidade de ligar a câmera;
  7. Faça pausas: tão importante quanto trabalhar com concentração, é fazer pausas ao longo do dia. Levante, vá ao banheiro e beba água, pode tirar uns minutinhos para conferir as notificações do celular. As pausas, além de necessárias para a saúde, têm um efeito revigorante no trabalho;
  8. Respeite o horário de almoço: assim como você se levantava e ia até o refeitório ou um restaurante, é importante fazer uma pausa prolongada para o almoço. Muitas pessoas têm que cozinhar o próprio almoço, cuidar dos filhos, lavar a louça. Esse é um momento que você volta a “se sentir em casa”, por isso é importante que dedique esse tempo a si e a sua família. Depois, volte para o cômodo onde trabalha e retome suas atividades;
  9. Estabeleça um horário limite: saiba a hora de parar, caso contrário, você pode cair na cilada de trabalhar o dia inteiro, já que não há trânsito na ida ou na volta, por exemplo. Respeite o momento que estipulou para desligar a tela de seu computador e sair de sua mesa, assim como encerraria o expediente no escritório para ir embora;
  10. Mantenha uma boa comunicação com a equipe: padronize a comunicação entre seus pares, escolha um canal para trocar informações e se comunicar. No trabalho remoto, é fundamental que as rotinas sejam documentadas e que os colegas possam acompanhar o andamento das atividades. Faça vídeo-chamadas e reuniões periódicas para manter a comunicação e um bom clima entre o grupo, isso colabora para que ninguém se sinta isolado, além de diminuir possíveis ruídos de uma comunicação assíncrona.

A verdade é que nós não temos a capacidade de ser multitarefas, precisamos aprender a gerenciar o tempo para ter uma rotina produtiva e adaptada ao ambiente em que estivermos. Trabalhar remotamente exige um esforço inicial de adaptação que envolve não apenas a sua rotina, mas a de todos que vivem com você.

Fazendo combinados, estabelecendo horários e mantendo uma boa comunicação com a empresa, é possível usufruir dos benefícios dessa modalidade. Inclua atividades de lazer e cuide de sua saúde, lembre-se de que o trabalho não é tudo!

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Poção do Amor

Mesa com ingredientes e poções místicas. A Poção do amor está no meio.

Eu pesquisei no Google, e agora o histórico de navegação me assombra. Mas, conhecimento adquirido é conhecimento compartilhado, então vamos lá:

“Poção do amor é uma forma mítica de beberagem, feita por feiticeiros, que é capaz de provocar em alguém os sentimentos amorosos em relação a outrem. É uma forma de feitiço de amor.”

Os sites vão ficando mais obscuros com o rolar da página. Descobri que, para a bruxaria, trata-se de um afrodisíaco que tem o poder de fazer uma pessoa se apaixonar pela outra. Existem diversas e inusitadas receitas disponíveis ao alcance de um clique. Mas cuidado, algumas advertem que a paixão pode acontecer pela primeira pessoa com quem fizer contato visual. Imagina o estrago?!

Pois eu não caio nessa. Se apaixonar é fácil, é leve, dá um friozinho gostoso na barriga. Não preciso de uma poção para fazer alguém se apaixonar por mim, isso eu sei fazer. Teve uma vez que deixei um cara caidinho por mim em uma festa, tenho certeza de que foi meu vestido decotado e o copo de bebida em minhas mãos, que chacoalhava enquanto eu dançava e ria com meus amigos, que o conquistou. Difícil foi fazer o encanto sobreviver a um encontro no final de semana seguinte, sóbrios, com iluminação neutra e som ambiente.

Teve também uma vez que fiz uma garota se apaixonar por mim, estávamos ambas sozinhas em uma manifestação, até que começamos a conversar e a caminhar lado a lado. Sabe como é, é bom estar acompanhado na multidão. Nosso papo tinha um cheiro afrodisíaco, também senti. Dividimos a garrafa de água que eu tinha na bolsa e paramos em uma lanchonete para comer um salgado, antes de nos separarmos na plataforma do metrô. Até chegar em casa, já estávamos mais íntimas, conversando por mensagem. No dia seguinte, ela tomou coragem e me chamou para sair. Eu é que não encarei, apesar da vontade, nunca saí com outra garota.

Teve ainda meu mais antigo caso de sucesso – ou fracasso – no quesito amor. Meu melhor amigo de faculdade, que passou os melhores anos de sua vida apaixonado por mim, logo eu, que nem o notava. Mantive o pobre coitado na friendzone por muitos anos. Quando percebi o que tinha feito, já era tarde. Sabe, com o tempo a gente descobre que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio. Senti na pele como um sentimento consegue se transformar no outro, bastou uma faísca.

É por isso que eu digo, se apaixonar é moleza. Difícil mesmo é ter paciência e persistência. Porque o relacionamento leva tempo para ser construído, moldado de um jeitinho que fique bom para os dois.

Eu preciso de uma poção que me ajude a manter relacionamentos, uma que, magicamente, me revele como responder mensagens com pedidos de ajuda; que não me faça sair correndo quando sinto que já estamos muito íntimos; que feche a minha boca quando eu estiver prestes a dizer aquilo que estragará tudo.

Mas parece que para isso a bruxaria ainda não inventou uma fórmula com ervas e especiarias, ou então, o Google é que não sabe como me mostrar a resposta.

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Primeiro Dia de Aula

Cachorrinha com mochila nas costas, pronta para o primeiro dia de aula na creche.

Talvez eu esteja começando a entender minha mãe, mais de vinte anos depois dela sentir o que sinto hoje: a agonia frente ao primeiro dia de aula do filho.

Acordei cedo, preparei a lancheirinha, revisei tudo uma porção de vezes só para garantir que não esqueceria nada. Já pensou se a minha menina passa vergonha no primeiro dia?

Lotei a caixa de mensagens da responsável pela creche, para confirmar os horários de entrada e saída. Não quero que minha filha cresça com o trauma de ser a última a ser buscada depois da aula.

Assim que tudo foi confirmado, fiz alguns combinados com a pequena. Prometi que seria divertido e que as outras crianças gostariam dela. Sim, é claro que ela poderia voltar para casa mais cedo se algo acontecesse, mamãe estaria pronta para ela, era só pedir para a tia me ligar.

Na noite anterior, fiquei mais nervosa do que ela, me revirando na cama, sem conseguir pegar no sono. Enquanto ela dormia profundamente em sua caminha, sem saber o que esperar do dia seguinte.

Finalmente o momento chegou. Saímos de casa mais cedo, já que eu não conhecia o trânsito nesse horário. Estacionei a duas quadras da creche e demorei para conseguir tirá-la do carro. Acho que o nervosismo bateu, e então suas unhas agarraram o banco traseiro.

Conversei, esperei que ela se acalmasse e a carreguei no colo até a calçada. Fomos até a porta e uma funcionaria sorridente veio em nossa direção, já com a mão estendida para pegar a lancheira de minhas mãos.

Maya balançou o rabo timidamente, ainda insegura. Quando confirmou que a mulher tentava pegar sua guia da minha mão, virou-se, pulando em mim e pedindo colo.

Voltei a lhe dizer que tudo ficaria bem, ela passaria o dia se divertindo com os outros cachorros e, de noite, eu voltaria para levá-la para nossa casa. A moça se abaixou e fez um carinho atrás de sua orelha, seu ponto fraco. Maya foi amansando, até que aceitou se afastar de mim.

Cachorrinha com mochila nas costas, pronta para o primeiro dia de aula na creche.

A funcionária, paciente, me garantiu que só o início seria difícil, mas, após algumas semanas, ela entenderia que aquela era sua nova rotina: viria brincar e sempre voltaria para casa depois.

“Posso buscá-la mais cedo, se necessário?”, perguntei.

Ela me tranquilizou, afirmando que não seria necessário. Maya ficaria bem.

Sim, mas e eu? Tive vontade de perguntar.

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Será que alguém nasce querendo ser escritor?

Mesa de um escritor, com notebook, blocos de rascunho e uma xícara de café.

Quando criança, meu sonho era ser professora, assim como minha mãe.

Assim que entrei na pré-escola, meus pais penduraram uma pequena lousa no quintal. E eu passava a tarde toda lá fora, dando aula para uma fileira de bichinhos de pelúcia enquanto sujava toda minha roupa com giz.

Em seguida, comecei a desenvolver o gosto pela leitura. Os livros sempre foram bons companheiros. Primeiro herdei as antigas edições de contos de fadas que fizeram parte da infância de minha mãe, depois, chegaram os livrinhos infantis garimpados nas feirinhas da escola e, com alguma frequência, ganhava gibis da Turma da Mônica.

Uma de minhas brincadeiras favoritas era copiar as histórias dos livros em um caderno, já que eu logo terminava de ler e precisava esperar até ganhar o próximo gibi ou livro. Eu transcrevia as palavras e quase decorava uma história quando gostava dela.

Pode parecer estranho, porque era mesmo. Mas foi assim, de maneira solitária e me apoiando em outros autores, que me introduzi no mundo das palavras.

Na adolescência, comecei a me arriscar com minhas próprias ideias, escrevendo trechos de histórias sobre minha banda favorita, as famosas fanfics. Mas, sentia tanta vergonha que nunca consegui mostrar meus rascunhos para ninguém. É uma pena que eles tenham se perdido com o tempo.

Conforme fui crescendo, surgiu a curiosidade com o comportamento humano, um brilho nas aulas de filosofia. Algumas questões inquietavam minha mente adolescente e me faziam buscar respostas nos livros, foi assim, no último ano do ensino médio, que decidi ser psicóloga.

Entrei na faculdade e pensei ter encontrado meu lugar ao sol. Passei os anos seguintes  deslumbrada dentro da enorme biblioteca do campus, e se engana quem pensa que parei de estudar quando me formei. Aliás, arrisco dizer que foi só então que aprendi a estudar: sem um professor guiando meus passos, dizendo qual capítulo eu deveria ler ou o que decorar para uma prova.

Comecei a estudar filosofia e logo encontrei um grupo de estudos. As leituras coletivas me ajudaram a entender aquelas difíceis e encantadoras palavras. Os cadernos de anotações viraram meus tesouros.

Eu só não contava que a profissão fosse tão solitária. Com algumas horas vagas em meu consultório, a vontade de escrever voltou: pensamentos, frases. Foi assim que comecei a organizar meus sentimentos em um pedaço de papel.

Meu irmão foi o primeiro a dizer que um dia eu seria escritora, já que era uma ávida leitora. Eu não acreditei nele, e cheguei a rir de sua sugestão, afinal, não acreditava que eu tivesse algo de interessante a dizer.

Mas persisti, fui escrevendo a cada intervalo, dando voz à imensidão que me habitava. Ficção e realidade começaram a se misturar conforme meus pensamentos encontravam a folha em branco.

Tive a sorte de ser incentivada por amigos e familiares, que aceitaram ler meus escritos tão logo tive coragem de tirá-los da gaveta. E assim, a escrita passou a ocupar um lugar tímido em minha vida, um momento de descontração e lazer.

A verdade é que as pessoas à minha volta me reconheceram como escritora antes que eu o fizesse.

No trabalho, sempre sobrava pra mim a missão de escrever comunicados e agradecimentos, já que eu articulava tão bem as palavras. Quando precisava escrever um cartão, logo me passavam a caneta, afinal, eu era boa nisso.

O primeiro convite para publicação de um conto chegou como presente de natal atrasado, um singelo e-mail no dia vinte e seis de dezembro. Um ano depois, mais um. Mais dois anos, e eu já conto com uma pequena prateleira de participações.

Eu já deveria ter sacado à essa altura, não acha? Sinto lhe informar, caro leitor, mas demorei um pouco mais. Precisei ficar entre dois empregos, me sentindo extremamente perdida e desmotivada para olhar para os lados e perceber algo que esteve ali esse tempo todo.

Dessa vez, quando me perguntaram o que eu gostava de fazer, a resposta escapuliu: “escrever”. Foi mais forte do que eu, com gosto de sonho, mas então já era tarde. Ouvi minha própria voz ressoando por dentro e me atrevi a pensar o “e se” mais maluco da minha vida: “e se eu fosse escritora?”

Transformar esse hobby em profissão foi fácil, pois ele já estava completamente entremeado em minha vida, a rede de contatos, o blog e o portfólio feitos. A mudança de identidade simplesmente aconteceu.

Não nasci querendo ser escritora, mas foi nas palavras que descobri minha voz e tudo o que eu gostaria de dizer ao mundo.

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8 Dicas para não errar na hora de nomear um Arquivo

Mesa organizada com caderno e laptop, para discutir a forma de nomear arquivos.

Você já passou pela situação de escrever um documento, salvar o arquivo e depois perdê-lo completamente em sua máquina?

Além de ser muito importante fazer backups e salvar cópias de seus arquivos como medida de segurança, é preciso nomear cada um deles de forma que seja fácil encontrá-los e acessá-los sempre que necessário.

A melhor forma de nomear seus arquivos é definir um padrão lógico que seja fácil de lembrar e ser seguido por você, ou por sua equipe, caso seja compartilhado com mais pessoas. Foi pensando nisso que preparei esse guia rápido com dicas que te ajudarão a nunca mais perder um arquivo em seu computador. Confira!

  1. Crie uma nomenclatura padrão que seja comum a todos da equipe: assim, o acesso aos arquivos fica mais fácil, ágil e democrático;
  2. Dê nomes simples: escolha nomes que digam, em poucas palavras, o tema principal do conteúdo do arquivo. Evite nomes genéricos como “relatório” ou “documento”, mas também não seja extremamente específico, para evitar visitas indesejadas em seus documentos;
  3. Evite criar códigos: criar um código para nomear seus arquivos pode parecer uma boa ideia, mas a longo prazo isso tende a atrapalhar, pois o sistema de códigos pode deixar de ser familiar para você, além de não ser compreendido por outras pessoas;
  4. Registre versões: sempre que realizar uma edição, não se esqueça de atribuir uma versão para o arquivo. Para grandes alterações, use “v.1”, por exemplo; quando fizer uma correção ou alteração simples, você pode considerar como versão “v.1.1”. Fuja de nomes como “versão final” ou “corrigido”;
  5. Atribua a data: no final do nome, coloque a data invertida (ano, mês, dia), assim, sempre saberá quando foi feita a última alteração no arquivo;
  6. Crie pastas: depois de nomear, organize seus arquivos em pastas. E lembre-se de que toda a organização deve seguir uma lógica de nomenclatura, ou seja, não adianta nomear e agrupar seus documentos para guardá-los em uma pasta chamada “nova pasta”;
  7. Não guarde arquivos desnecessários: exclua duplicatas e evite acumular arquivos desnecessários, que podem poluir e atrapalhar a visualização daquilo que realmente importa. Crie pastas e arquive aquilo que é importante, mas já não está em uso. Deixe à mão apenas o que for necessário, assim não se confundirá na hora de abrir ou enviar um documento;
  8. Mantenha sua organização: toda vez que iniciar um documento, já salve com o nome de acordo com o padrão pré-definido por você e na pasta correspondente. Evite acumular pendências desnecessariamente.

Manter os arquivos bem nomeados e agrupados é fundamental para evitar que qualquer informação se perca. Seguindo essas dicas, você não perderá mais tempo procurando ou refazendo um documento.

Se desejar, você pode criar uma planilha ou mapa mental para guardar o nome de seus arquivos e assim criar um guia de consulta rápida que ajude a lembrar sobre o que se trata cada documento e onde pode encontrá-lo. Porém, tome cuidado com informações sigilosas, lembre-se de que a segurança deve vir em primeiro lugar.

Me conta aqui nos comentários se você conhece mais alguma dica para a nomenclatura e categorização de arquivos, vou adorar saber!

Obrigada, e até a próxima 🙂

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Garota de Hábitos

Mulher de olhos fechados, inspirando calmamente.

Sou uma garota de hábitos.

Rotina e planejamento são como música para meus ouvidos. Não há nada que me encante mais do que uma agenda bem preparada, com compromissos e atividades estabelecidos.

Listas são o meu hobbie. Organizo tudo, desde criança. Minhas coisas, as coisas de casa, e as coisas de outras pessoas, se elas permitirem. Minha mãe sempre contou comigo para fazer listas quando viajávamos, era eu a responsável por não permitir que ninguém esquecesse nada. Um hábito que mantenho até hoje, sempre que faço as malas.

Admiro pessoas que conseguem gerir seu tempo e manter uma rotina produtiva. Passei muitos anos andando nos trilhos de meu próprio planejamento. Uma garota certinha, que não sai da linha.

Sempre me orgulhei de ostentar tais características. E elas são louváveis mesmo, pelo menos até certo ponto. O problema é quando você se torna refém do planejamento e acaba por perder a flexibilidade, quando o hábito se torna obrigação e a agenda uma profecia do destino.

Demorei para descobrir que ser produtivo de verdade é saber usar o tempo de forma equilibrada: trabalho, lazer, autocuidado e descanso. Cuidar de mim e de meus relacionamentos é tão importante quanto concluir um projeto que está com o prazo anotado em vermelho na agenda.

A lógica é simples: se um aspecto da vida não vai bem, que chance têm os outros? Sem descanso, chega um ponto que o trabalho para de render, e o foco vai embora se tudo o que estiver em minha mente for uma briga que tive no dia anterior.

Apesar de usarmos técnicas que categorizam e fragmentam nossas atividades, somos um só, inteiros e completos. Somos o conjunto de nossos interesses, desejos e ações. Somos nossas referências, projetos e cada uma das tarefas que fazemos ao longo do dia.

Logo eu, tão organizada, precisei reexaminar todos os meus conceitos e reaprender a realizar minhas atividades, sem cronometrar meus afazeres, e deixando algum tempo livre para relaxar e cuidar de mim.

Fazer o que me faz bem também precisa ser um hábito.

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5 atitudes que te ajudam a demonstrar empatia

Varal com figura de coração pendurado, representando um gesto de empatia.

Empatia é a palavra da vez, parece que a ouvimos em todos os lugares. Mas, apesar de estar na moda, será que esse conceito é mesmo tão praticado?

E você, sabe o que é empatia?

De modo geral, podemos descrever empatia como a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa e sentir ou entender o que ela está passando. Porém, precisamos entender as nuances implicadas nesse processo: ao ver uma pessoa triste, posso, por exemplo, sentir pena de sua situação e isso não significa, necessariamente, que eu esteja tendo uma atitude empática.

Antes de explicar o que é empatia, gostaria de falar sobre o que ela não é, pois, muitas vezes, confundimos outras atitudes e sentimentos com esse conceito. E, com isso, corremos o risco de afetar nossas relações com as outras pessoas, mesmo que tenhamos as melhores intenções.

  • Empatia não é simpatia: simpatia é uma relação mais superficial, como quando você sorri e diz ao outro que “vai ficar tudo bem”, sem acolher seus sentimentos e entender a complexidade do que essa pessoa está realmente sentindo;
  • Empatia não é aconselhar: temos a mania de querer resolver tudo. Mal ouvimos o outro falar e já tentamos propor soluções, sendo que, às vezes, essa pessoa só quer poder falar e ser ouvida;
  • Empatia não é uma competição por problemas: outro erro comum é, numa tentativa de animar o outro, começarmos também a falar dos nossos próprios problemas. Assim, quando percebemos, estamos discutindo para saber quem sofre mais.

Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, sendo o outro. Sem julgar ou tentar encontrar uma solução. É se esforçar para estar aberto a enxergar para além do próprio ponto de vista. Envolve presença e escuta genuínas, que resultam em conexão entre duas pessoas.

Empatia envolve uma atitude de curiosidade e interesse. É preciso que você escute o outro, pergunte sobre seus sentimentos, entenda suas necessidades e desejos. Pois, apenas assim, conseguirá enxergar uma situação com os olhos do outro.

Estar aberto para a empatia requer lidar com uma dose de vulnerabilidade. Isso porque, ao se conectar com o que outra pessoa sente, você precisa primeiro estar atento e confortável em relação aos próprios sentimentos. Assim, conseguirá separar o seu ponto de vista dos demais. Isso significa que o autoconhecimento é peça-chave no processo de construir relações mais empáticas e profundas.

Segundo estudiosos de Inteligência Emocional, existem três tipos de empatia, são elas:

  • Empatia Cognitiva: entender o ponto de vista do outro, ou seja, a capacidade de entender os sentimentos e pensamentos de outra pessoa ao colocar-se no lugar dela;
  • Empatia Emocional: compartilhar os sentimentos do outro, sentindo o que o outro sente. Envolve um nível mais profundo de conexão emocional, onde é possível sentir até fisicamente o que o outro sente;
  • Empatia Compassiva: é simplesmente perceber que o outro precisa de ajuda e, assim, colocar-se à disposição para ajudar, respeitando o tempo e espaço dessa pessoa. Também pode ser chamada de preocupação empática.

A capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa é uma das principais ferramentas da Inteligência Emocional. Ser uma pessoa empática muda a relação que temos com nossas próprias atitudes, comportamentos e sentimentos, e isso muda como nos portamos frente ao mundo em relação às outras pessoas.

Ao exercitar e desenvolver nossa capacidade empática, também ampliamos nossa visão de mundo, pois além de autoconhecimento, aprendemos a questionar nossas certezas e suposições, enxergando o mundo a partir de outras perspectivas.

A seguir, listei uma série de comportamentos que você pode adotar para ir em direção de uma vida mais empática. Confira!

  1. Avalie sua perspectiva em relação ao outro: esse deve ser um exercício constante. Saiba que sua percepção não é uma verdade absoluta, evite fazer julgamentos e pressuposições. Esteja realmente aberto para conhecer perspectivas diferentes da sua;
  2. Adote uma postura de curiosidade: pergunte e esteja disponível para ouvir, conheça os pontos de vista do outro, respeite suas opiniões;
  3. Escute verdadeiramente: saiba ouvir sem julgar e sem querer resolver os problemas do outro. Você precisa entender quais são os sentimentos e as necessidades dessa pessoa antes de querer eliminar desconfortos e propor uma solução baseada em sua experiência ou opiniões;
  4. Nem sempre você precisa falar: em determinadas situações, demonstrar compaixão é saber acolher, ouvir o que chega do outro, sem dizer nada em resposta;
  5. Comunique-se com clareza: para evitar ruídos e mal-entendidos, seja claro e assertivo em suas falas. Mostre-se disponível para ajudar, mas sempre mantenha uma atitude respeitosa perante o outro.

Agora que você já sabe o que é empatia, e já conhece os comportamentos que, apesar de parecerem empáticos, vão contra a mensagem desejada, fique atento para colocar essa atitude em prática no seu dia a dia e senti a melhoria em suas relações e também no seu processo de autoconhecimento.

Se você gostou dessas dicas e pensou em mais alguma, me conta aqui embaixo nos comentários, porque não tem nada melhor do que trocarmos experiências e aprendermos juntos!

Um abraço, e até a próxima 🙂

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Máscara

Máscaras faciais usadas durante a pandemia do Coronavírus.

Sonhei que esquecia de vestir a máscara.

Eu entrei no elevador, desci, caminhei pelo hall do prédio e sai pela portaria, cumprimentando Julia, a funcionária do turno da manhã. Ela respondeu com um aceno, sem levantar a cabeça, e continuou fazendo anotações em seu livro de registros.

Foi só quando coloquei os pés na rua e senti uma lufada de vento gelado batendo em meu rosto que percebi. Levei as mãos ao queixo, tensa, e confirmei: estava sem a usual máscara de tecido que cobria metade da face.

Afastei rapidamente as mãos, lembrando que tocara uma série de objetos pelo caminho e ainda não havia me higienizado com álcool em gel. Foi isso que a vida virou: limpeza, preocupação e culpa.

Dei meia volta, passando pelo portão de cabeça baixa, e refiz meu caminho, andando rápido, com medo de cruzar com alguém e precisar me explicar. O condomínio aplicava multas em quem transitava em área coletiva sem máscara.

Puxei a gola da blusa, para tentar cobrir a boca e o nariz, enquanto rezava para não encontrar com nenhum vizinho no elevador. A subida foi longa, e eu estava tão nervosa que sentia os dedos trêmulos enquanto tentava encaixar a chave na fechadura.

Parece que só me permiti respirar novamente assim que me vi no aconchego de minha sala. Antes, via minha casa como um local de descanso, agora, era meu espaço seguro, possivelmente o único onde me sentia à vontade e em paz. Podendo respirar sem um tecido roçando em meu rosto, coçar os olhos, comer e tocar livremente nos objetos, desde que estivessem higienizados, é claro.

Ouvi o som de uma música invadindo a sala e rompendo com meu silêncio. E então acordei.

Era o despertador.

Levei a mão ao rosto, tateando meu queixo, boca, e nariz. Estava tudo bem, ainda estava em casa. Me afundei debaixo nas cobertas e me espreguicei, tomando coragem para levantar.

***

Passei o dia todo pensando no sonho e na aflição por me sentir despida da nova vestimenta social: a máscara facial.

É curioso como mesmo algo extremamente incômodo pode se tornar um hábito. A máscara tem dupla função: nos protege dos outros, enquanto os protege de nós. No começo, me sentia incomodada e demorava a conseguir ajeitá-la no rosto junto com os óculos, de forma que as lentes não embaçassem, por conta da respiração.

Me sentia esquisita, feia. Contava os dias para que sua obrigatoriedade acabasse. Agora, mais de um ano depois, confesso que não sei se saberia reconhecer algumas pessoas sem ela na rua. A Julia, da portaria, por exemplo, está trabalhando aqui há seis meses, o que quer dizer que, apesar de nos cumprimentarmos diariamente, nunca vi metade de seu rosto.

 Também demorei para me acostumar a não cumprimentar as pessoas com um beijo no rosto ou aperto de mãos. Me parecia falta de educação, dizer “oi” sem me aproximar. Ao mesmo tempo, é estranho pensar no quanto nos expúnhamos desnecessariamente ao tocar tantas pessoas sem saber no que elas haviam tocado antes.

Higiene, saúde e proteção foram conceitos ressignificados durante a pandemia. Apesar de sentir falta da tranquilidade de não precisar me preocupar com tantos detalhes, espero que consigamos manter alguns dos hábitos de higiene recém adquiridos. Afinal, não há mal nenhum em lavar as mãos assim que se chega em casa, não é mesmo?

Não acredito que estejamos vivendo um “novo normal”, como tantas matérias sensacionalistas insistem em dizer. Ainda vivemos em meio ao caos e, apesar das previsões, ainda não sabemos como sairemos dessa. Transformados, eu tenho certeza.

Sei que a pandemia não acabou, a doença é uma ameaça, e o comportamento de algumas pessoas também. Luto diariamente para cuidar de minha saúde física e mental, estou aprendendo a conviver com minha ansiedade, já que ambas habitamos as paredes de minha casa. Tento cuidar das pessoas queridas à distância e cuido do coletivo ao colaborar, não saindo sem necessidade e tomando todas as precauções possíveis.

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6 motivos para organizar o ambiente à sua volta

Mesa de trabalho organizada. A imagem passa uma sensação de tranquilidade.

“Entra, e não repara na bagunça!”

Quantas vezes você já ouviu essa frase? E quantas vezes foi você quem disse?

Existe um mito de que cada um se entende com a sua bagunça. Eu discordo. E vou te mostrar o porquê neste artigo.

Por mais que você ache que sabe “se virar” no meio das suas coisas, o fato é que a falta de organização nos faz perder muito tempo no dia a dia, e pode ser fator gerador de estresse e ansiedade.

Uma vida mais organizada traz benefícios tangíveis para sua produtividade e garantem mais saúde e bem-estar.

Pra começo de conversa, é importante entender que organizar é encontrar soluções lógicas para as coisas e situações que permeiam nossas vidas. A partir do momento que você cria categorias e define lugares específicos para as coisas, deixa de usar parte da sua rotina para lidar com coisas fora do lugar.

Uma vez que essa forma de pensar vai se instalando e vira um hábito, é fácil levá-la para sua agenda, trabalho e qualquer outra área da vida.

Minha dica é começar organizando o espaço físico à sua volta, seja seu guarda-roupa no quarto, mesa do escritório, enfim, qualquer lugar que você onde você passe bastante tempo e necessite de ordem.

A seguir, você confere uma lista com 6 motivos para organizar seu espaço pessoal:

  1. Encontrar o que precisa de forma rápida: ao categorizar os itens, você economiza tempo da rotina, otimizando a forma como agrupa e armazena os itens, tornando mais fácil encontrá-los e guardá-los novamente, após o uso;
  2. Melhor utilização do espaço: facilita a limpeza e higienização do ambiente, além de conseguir usar melhor seu espaço, agrupando itens semelhantes e aproveitando da melhor forma possível o tamanho de cada compartimento ou ambiente;
  3. Economia: ao manter tudo em seu devido lugar, você evita gastos desnecessários, recomprando um item ou evitando que algum produto passe da validade parado na prateleira. Possibilita também que você encontre gargalos em suas finanças e tenha total controle do seu fluxo de caixa;
  4. Praticidade e funcionalidade: quando o ambiente está organizado, você consegue gerenciar melhor seu tempo, ganhando maior fluidez na rotina e evitando retrabalho com arrumações constantes;
  5. Sensação de bem-estar: um ambiente limpo e organizado traz mais conforto, contribuindo com a saúde física e mental. Estar em um lugar visualmente agradável também nos ajuda a elevar a autoestima e o bem-estar. Isso, sem contar que a sensação de “dever cumprido” é uma ótima aliada na redução do estresse e da ansiedade;
  6. Produtividade e Gestão de tempo: o resultado de uma boa organização é certeiro. Com o ambiente organizado, as coisas caminham com mais tranquilidade e você tem aumento significativo na produtividade. Com mais foco e menos mudanças de contexto, você consegue aumentar sua concentração e eficiência.

Organizando sua rotina, é possível fazer uma gestão inteligente do tempo. Tenha mais tempo para você e para fazer aquilo que realmente importa. Diga adeus à procrastinação.

Se você der uma chance para a organização, será recompensado com mais eficiência e produtividade. E, em breve, verá a diferença que um espaço organizado pode fazer em sua rotina.

Publicado em Contos, Textos

Noite de (são) João

Imagem de festa junina, é noite e há luzes e bandeirinhas espalhadas pela rua.

A lenha estalava na fogueira, fazendo com que algumas fagulhas pulassem pelo chão. A noite de São João era sempre muito fria, por isso estava feliz por ter vestido uma blusa de lã por baixo da camisa xadrez vermelha e preta.

Todos os anos, no final do mês de junho, eu vinha para São Manuel visitar minha avó. A cidade era pequena, não chegando aos cinquenta mil habitantes, completamente diferente do agito da capital que eu estava habituada. Mas uma coisa era certa: essa pequena cidade sabia fazer as melhores festas juninas do mundo inteiro. Desde criança, eu ficava ansiosa pela data: as comidas, os cheiros e o calor da fogueira recheavam algumas de minhas melhores memórias. A camisa que eu vestia era praticamente meu uniforme, a primeira coisa que eu lembrava de colocar na mala quando vinha para a cidade.

Minha tia era responsável por levar meus primos e eu até a praça, no centro, onde acontecia o arraiá. Com o passar dos anos, começamos a ir sozinhos, sem supervisão dos adultos. Agora que já éramos adultas, minha prima, Márcia, fazia parte da organização da festa. E foi assim que acabei sendo escalada para ficar na barraca de bebidas.

Aprendi a fazer vinho quente e prometi que passaria parte da noite recolhendo fichas dos visitantes e trocando por copinhos de isopor cheios de bebida. Estava triste por perder parte da festa, mas animada em conhecer os bastidores. E, como pagamento, ganhei uma cartela de fichas para gastar nas outras barracas.

– A base do quentão é a cachaça, enquanto o vinho quente é feito com vinho tinto e especiarias – explicava, pela milésima vez para um grupinho de moças que já estavam bêbadas.

Elas riram como se aquilo fosse a coisa mais engraçada que eu pudesse dizer.

No fim, o trabalho não era tão glamoroso, eu precisava conferir a identidade de adolescentes que tentavam comprar bebidas alcoólicas e então vender-lhes algo da geladeira dos não alcoólicos: água, chá gelado ou refrigerante.

Alguém chegou e me pediu uma caipirinha, como se estivéssemos em um bar, mas então percebi que era uma cantada de mal gosto, dado que eu estava maquiada como caipira, com excesso de blush nas bochechas e pintinhas cuidadosamente desenhadas com lápis delineador. Também tinha um remendo em formato de coração costurado no bolso traseiro de minha jeans, algo que vovó aprontou mais cedo em minha calça.

Paçoca, milho verde e bolo de fubá, eu só conseguia pensar nas comidas que me aguardavam enquanto servia bebidas e ouvia a música sertaneja que ecoava pelas ruas ao redor da praça. O antigo coreto estava todo decorado com bandeirinhas coloridas, que balançavam com o vento da noite.

Uma música animada começou a tocar e algumas pessoas se reuniram em volta da fogueira para dançar. Aproveitei a baixa no movimento para olhar a festa. Peguei meu celular, que estava dentro da bolsa, e comecei a tirar algumas fotos das decorações e dos figurinos. Ele se destacava no meio da multidão, vestindo uma calça jeans justa, uma camisa xadrez em tons de azul e um grande chapéu de palha pendurado na cabeça.

– E ai, Fabi, como estão as coisas? – Márcia perguntou, se apoiando no balcão.

– Tudo bem por aqui, mas eu quero aproveitar um pouco da festa – respondi com cara de pidona.

Funcionou, minha prima recolheu a cestinha de fichas da barraca, anotou o que precisava trazer e disse que logo voltaria para recarregar a geladeira e com alguém para me substituir. Fiz mais uma receita de vinho quente na panela que estava no pequeno fogão à gás improvisado na estrutura metálica da barraca, e logo Márcia voltou com um rapaz carregando um carrinho cheio de latinhas de refrigerante. Os dois encheram a geladeira e ele já assumiu meu posto.

Agradeci-lhe e sai, de braços dados com Márcia.

– E então, já conheceu algum gatinho? – ela perguntou, me cutucando.

– Só alguns bêbados que me passaram uma cantada ruim.

– Não é possível, não quero que você vá embora com essa imagem aqui do interior. Depois você volta para São Paulo e todo mundo fica me perguntando sobre minha prima chique da capital. E você, o que tem para falar sobre mim?

– Deixa de fazer drama, sua boba. Eu só tenho coisas boas para falar sobre você e sobre a cidade. E até parece que alguém pergunta sobre mim.

– Perguntam sim, minhas amigas, e alguns garotos. Aquele ali inclusive – disse, fazendo um gesto discreto com a cabeça – o João, no ano passado ele ficou um tempão atrás de mim fazendo perguntas sobre a senhorita. Mas você já estava no ônibus de volta a São Paulo.

Quando me virei para ver de quem ela falava, dei de cara com o rapaz do chapéu de palha.

– Ele é daqui? – perguntei

– Não, ele é de São Paulo também, mas faz faculdade em Bauru, ele e os amigos sempre vem pra cá na época das festas. Por que, se interessou?

– Não – gaguejei – só estou perguntando.

– Hum, sei – só falta você vir até minha cidade e arrumar um namorado primeiro que eu! – ela interrompeu nossa caminhada assim que chegamos na frente da casa da Dona Lourdes, que cedera sua garagem como depósito para a festa – Prima, posso te deixar um pouquinho? Preciso visitar outras barracas e conferir se está tudo certo.

– Sem problemas, vou aproveitar para ir comer, estou faminta. É uma tortura ficar sentindo esse cheirinho de milho verde no ar.

– Vai lá, e descobre se o caipira tem um amigo pra me apresentar!

Mostrei a língua, em sinal de brincadeira, e continuei caminhando pela festa. Comecei a passear entre as barracas, deixando os sons e cheiros me invadirem, reacendendo as boas lembranças que tinha daquele lugar.

Fiz minha primeira parada na barraca do milho, onde comprei uma pamonha. Fui até a fogueira para me aquecer enquanto comia. Não percebi que ele vinha em minha direção, caminhando distraído, enquanto digitava uma mensagem, até que ele esbarrou em mim, derrubando quase toda minha comida no chão.

– Ei, olha por onde anda! – falei, irritada.

– Desculpa, moça, eu te compro outra – ele se virou e só então o reconheci.

– Não, tudo bem, estou com mais fichas aqui.

– Espera, eu te conheço? – perguntou.

Senti meu rosto corar sob seu olhar fixo e agradeci por estar com as bochechas revestidas de maquiagem.

– Não sei, minha prima disse que você ficou perguntando sobre mim no ano passado – provoquei.

Ele ficou parado por algum tempo e eu pude perceber que vasculhava sua mente em busca de mais informações.

– A Márcia – completei.

– Você é prima da Marcinha? Não pode acreditar em tudo o que essa garota diz, não. Espera, você é a prima de São Paulo.

– A própria. Fabiana – disse, estendendo a mão. Ele se esquivou de minha mão e me cumprimentou com um beijo no rosto.

– João, prazer.

– Mais de um João na mesma noite, o santo e você.

Ele riu e se ofereceu novamente para comprar outra pamonha. Recusei, mas disse que aceitava sua companhia para comprar um cachorro quente.

Fomos caminhando até a barraquinha e ficamos conversando enquanto esperávamos na fila. João estava no terceiro ano da faculdade de engenharia civil em Bauru, e tinha planos de abrir um escritório assim que terminasse a graduação. Ficou interessado quando lhe contei que cursava psicologia e me encheu de perguntas sobre filósofos e pensadores da área.

Sentamos em um banco da praça para que eu pudesse comer meu lanche e ele a maçã do amor que comprara de uma moça que andava pela festa com uma grande cesta de doces. Quando percebi, já estava falando sobre Freud e Jung, como uma típica caloura de psicologia.

– E você pensa em voltar então? – perguntei.

– Sim – respondeu, ainda mastigando – em sampa tem mais oportunidades, e minha mãe me mataria se eu não voltasse. Eu vou pra casa pelo menos um final de semana por mês, para ficar com meus pais.

– Deve ser difícil passar tanto tempo longe de casa.

– Por um bom motivo eu voltaria todos os finais de semana.

Sorri e dei uma mordida em meu cachorro quente, sem saber o que responder. Mastiguei lentamente enquanto ele me olhava, sorrindo.

Olha a cobraaaaa!

É mentira!

Fomos interrompidos pelo som estridente da quadrilha que começou a ecoar pelas caixas de som.

– Dança comigo? – ele perguntou. Jogamos nossos pratinhos no lixo e seguimos para o centro da praça, onde todos se reuniam para dançar quadrilha, ao lado da fogueira.

Olha a chuva!

Já passou!

Nos posicionamos na fila de casais e começamos a dançar. João sorria e eu me sentia hipnotizada por seu olhar. Demos as mãos para passar dentro do túnel e eu não conseguia parar de rir. Apesar de frequentar a festa anualmente, eu sempre dava um jeito de me esconder na hora da dança. Mas essa noite, o ritual estava completo.

Assim que os casais se dispersaram novamente pela praça, João se aproximou e segurou em minha mão. Me aproximei, e ele se abaixou, juntando nossos lábios. Um beijo doce, como maçã do amor.

Lembrei que ainda precisava perguntar se ele tinha um amigo para apresentarmos a Márcia.