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Autocuidado: mais saúde e bem-estar em sua rotina

Foto com livro e vela acesa, em um espaço bastante confortável para um ritual de autocuidado.

Chegar em casa, tirar os sapatos apertados e sentir a maciez do tapete em contato com seus pés; fazer um chá quentinho para acompanhar a leitura de um livro; ouvir uma playlist enquanto faz as tarefas domésticas; desligar o celular e ir para a cama mais cedo.

Existem pequenas atividades que fazemos em nossa rotina que nos dão prazer e são formas de descansar, ter lazer ou mesmo cuidar da saúde. É esse conjunto de rituais que recebem o nome de autocuidado, e é sobre isso que vou falar no post de hoje. Confira!

Mas afinal, o que é Autocuidado?

Como o próprio nome já diz, autocuidado refere-se ao ato de cuidar de si mesmo. Por isso, para desenvolver tais hábitos, é preciso estar atento às próprias demandas e necessidades. Seus rituais devem estar sempre em harmonia com seus objetivos, interesses e prazeres.

Muitas coisas podem ser consideradas como ações de autocuidado. Seu maior objetivo é cuidar da própria saúde e promover sensação de bem-estar.

É aprender a se dar um respiro. É impossível sentir-se bem o tempo todo, mas, com um pouquinho de atenção aos próprios sentimentos e às demandas do organismo, é possível encontrar e aperfeiçoar um estilo de vida que lhe gere mais prazer do que desconforto. É adotar atitudes positivas em relação à vida, priorizando a saúde física e mental.

É importante lembrar que não existe fórmula mágica, se é um processo extremamente pessoal, é necessário que cada um descubra aquilo que lhe faz bem, ou seja, encontre suas próprias formas de se cuidar. Afinal, o que é cuidado para mim, pode não ser para você.

Isso quer dizer que vai além de fazer um SPA em casa ou praticar cuidados estéticos. Pode ser algo ainda mais básico, como se alimentar bem e ter um sono regulado, ou mais abrangente, como falar ao telefone com uma pessoa querida ou maratonar uma série em seu dia de folga.

Cuidar de si, por mais irônico que pareça, é uma atividade que requer prática, isso porque mesmo morando dentro de nosso corpo, é comum sermos negligentes quanto a alguns cuidados básicos. Por isso, é preciso adotar uma atitude de abertura e estar disposto a olhar para si e fazer alguns esforços para conseguir mudar sua rotina.

Em resumo, é conseguir acrescentar práticas saudáveis à rotina que beneficiem sua mente e/ou corpo. Isso também é uma forma de aumentar o amor próprio, ou seja, conhecer e respeitar seus limites, prezando por sentir-se bem consigo mesmo e com quem se é.

Uma vida equilibrada traz benefícios para qualquer pessoa. Independente de gênero ou idade, todos devem se preocupar com a saúde. E, os cuidados tendem a melhorar até mesmo nossas relações sociais, a vida financeira e aumentar a produtividade.

Quem não deseja levar uma vida com mais harmonia?

Se quer exercer o autocuidado, esteja pronto para uma transformação de pensamento e comportamento. Mudar ou criar hábitos requer disciplina, foco e determinação. É preciso fazer um esforço consciente para colocar as novas atividades em prática, até que elas sejam incorporadas ao seu dia a dia.

Junto com a prática, cresce o sentimento de valorização pessoal, ou seja, quando você conhece e respeita seu valor, é mais natural que consiga encontrar tempo e invista recursos e energias para cuidar de seu bem mais precioso: você!

O que o Autocuidado não é?

Faço questão de destacar: autocuidado não é egoísmo!

Tão importante quanto cuidar de amigos e familiares, é saber cuidar de si. E isso não significa que você não se importe ou não se preocupe com as outras pessoas. Quer dizer apenas que entende a importância de estar bem consigo mesmo para que possa então contribuir com o bem-estar coletivo.

Seja gentil com você mesmo e torne as suas necessidades uma prioridade constante. E assim terá disposição para ajudar no cuidado das pessoas que ama.

Para isso, será necessário reservar tempo para realizar suas atividades e praticar seus rituais de cuidado, talvez você precise dizer alguns “nãos” pelo caminho e estabelecer limites entre suas necessidades e as demandas externas. Saiba que não há mal nenhum em fazer isso, o segredo está em encontrar um equilíbrio em sua vida.

Qual a importância do Autoconhecimento nesse processo?

Saber reconhecer e atender às próprias necessidades é algo que exige prática. Priorizar suas próprias vontades não é algo que acontece do dia para a noite.

Praticar o autoconhecimento é essencial para entendermos nossas atitudes e a sincronia entre as reações do organismo e tudo aquilo que acontece em nossa vida. É praticar a autopercepção, entendendo o que se sente, pensa ou gosta.

Essa é uma ferramenta muito importante para a saúde como um todo, pois nos permite conhecer nossas condições físicas e emocionais. Assim, conseguimos entender e temos motivação para atender nossas necessidades pessoais, respeitando nossos próprios limites e buscando levar uma vida mais harmônica.

Já que somos seres inteiros, corpo e mente estão conectados. Por isso não adianta dar atenção a um e negligenciar o outro, sintomas costumam ser um aviso de que algo não vai bem. É preciso dedicar atenção e cuidados para se conhecer e entender o que gera um desconforto ou irritação. Conhecer nossos incômodos é o primeiro passo em direção a uma solução, mudança ou tratamento.

Autoconhecimento é um fator de Inteligência Emocional e pode ser desenvolvido com esforço e dedicação. A autoestima também é muito bem-vinda nesse caminho de descobertas, pois permitirá que acreditemos e valorizemos nossas próprias vontades e decisões.

Somente assim, com muita atenção e praticando no dia a dia é que você descobrirá quais práticas e rituais de autocuidado melhor funcionam para você. Não copie, experimente. Se questione sobre a experiência e tente, sempre que necessário, encontrar formas de gerar bem-estar a si mesmo.

Autocuidado e Saúde Física:

Cuidar do corpo contribui com a saúde e com a longevidade. Com um corpo saudável, nos sentimos mais dispostos a enfrentar os desafios que a vida nos impõe. Somos mais enérgicos, produtivos e eficientes.

A prática de atividades físicas, fazer caminhadas e ter uma alimentação equilibrada são bons exemplos de cuidados pessoais que podem e devem ser contínuos. Você também pode testar dança ou a prática de algum esporte.

Outra prática fundamental para qualquer pessoa, é adotar uma rotina equilibrada de sono, que garante o descanso do corpo e da mente para a reposição de energia. Dormir bem tem relação direta com uma vida mais equilibrada.

Além de movimentar e relaxar seu corpo, também pode experimentar pequenas práticas como criar um ritual de skincare (cuidados com a pele), o uso de um perfume que lhe seja agradável, um banho prolongado, ou uma roupa confortável. Explore todos os sentidos sensoriais e descubra seus gostos.

A atividade física e os estímulos sensoriais contribuem muito para a redução do estresse e da ansiedade, contribuem também com uma vida com menos patologias.

Autocuidado e Saúde Emocional:

Os cuidados com a saúde não se limitam ao organismo e, por isso, dedicar atenção ao seu estado emocional é tão importante quanto cuidar do corpo.

Sem autoconhecimento não conseguimos controlar nossas emoções. É muito importante entender e se conectar com suas emoções. Apesar de não pode evitar senti-las, pode desenvolver formas de lidar com cada uma delas. Pode também rever seus hábitos e modificar comportamentos, buscando trabalhar seus pontos fracos e usando seus pontos mais fortes como elementos que te darão força nessa jornada de autodescoberta.

Práticas como meditação e psicoterapia são grandes aliadas da saúde emocional. Porém, também são consideradas cuidadosas, atividades como: ler um livro, praticar um hobbie e reservar momentos para o lazer.

Se afastar de pessoas tóxicas e estreitar relações positivas e benéficas são formas de se cuidar e se valorizar a nível emocional. Aprender a determinar limites entre o que é aceitável para você ou não o auxiliará a escolher suas companhias e a melhor forma de usar seu tempo e energia.

Cuidar de si a nível emocional garante mais tranquilidade, contribuindo com uma vida mais equilibrada, melhores relações interpessoais e menos sentimentos negativos.

Como começar?

Se você chegou aqui, deve estar se perguntando: “Certo, e por onde eu começo?”. Não se apresse, não há segredo. A escolha das atividades fica por sua conta, mas separei algumas dicas sobre como introduzir hábitos em sua rotina. Veja só! 

  1. Comece com pequenos passos: Como todo hábito, precisa ser criado e repetido. Constância é mais importante do que volume. Comece uma mudança por vez, vá abrindo espaço em sua rotina para pequenos cuidados, dedique tempo e atenção a si mesmo. É assim que você aprenderá a se respeitar e valorizar.
  2. Marque um encontro com você mesmo: A rotina de autocuidados demanda tempo, por isso, reserve espaço na agenda para apreciar sua própria companhia. Cuide-se, faça exercícios, pratique o autoconhecimento e descubra o prazer em ter um hobbie pessoal.
  3. Experimente: Não tem receita, somos pessoas diferentes, da mesma forma que nossas necessidades e desejos. Espero que esse post sirva de inspiração, mas estas são apenas algumas sugestões de como você pode começar a se cuidar. Experimente atividades, crie rituais e se permita se descobrir, é uma aventura!
  4. Aprecie: O ideal é que os hábitos não sejam vistos como obrigações em sua rotina, e sim compromissos com você mesmo. Autocuidado requer conexão! Aprecie seus momentos para realmente se explorar e aprender mais sobre você, cuide do seu corpo, que é a sua casa; e da sua mente, que é seu guia.

Espero que o post sirva mais de inspiração do que guia. Autocuidado é uma jornada de aprendizado pessoal com o objetivo de trazer mais bem-estar para a vida de cada pessoa. Cuidar de si é o primeiro passo para uma vida mais plena e para estar apto a ir além, ajudando outras pessoas a terem o mesmo olhar e carinho por si.

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Ativação Reticular

Céu em tons de rosa e roxo.

Talvez você já tenha ouvido falar em “Sistema Ativador Reticular”, ou S.A.R., para os íntimos. Esse sistema fica em nosso cérebro, sendo o responsável pela filtragem de toda informação que processamos. Já que não damos conta de absorver toda a informação e estímulos que estão à nossa volta, o S.A.R. funciona como um filtro, deixando entrar somente a informação que é relevante. Isso é o que nos permite focar nas coisas importantes.

Vou dar um exemplo prático: na semana anterior, em meio a uma reunião, conversei sobre Inteligência Emocional, um conceito tão em alta. No mesmo dia, reparei que tinha um livro com o mesmo título em minha estante. Claro, fora lido na época da faculdade, mas, apesar de olhar para a estante todos os dias, já havia me esquecido que ele estava ali. Logo naquele momento, reparei em sua presença. Que coincidência!

Depois disso, me deparei com o conceito de Inteligência Emocional em uma palestra sobre a importância do autoconhecimento para modificar comportamentos. Em seguida, uma ex-colega de escola postou em suas redes sociais que estava fazendo um curso online sobre o tema. Eu, graças à minha ativação reticular, fui atrás do tal curso.

A partir do momento que esse virou um tema para mim, ele passou a aparecer como mágica em minha tela e caixas de entrada. O termo “Propósito” foi outro que não tardou em transbordar por aí, chamando a minha atenção.

Tudo isso vem de encontro com meu atual momento emocional, estou extremamente tocada pelo tema do autoconhecimento. Venho a cada dia me convencendo de que talvez esse seja o caminho para me reencontrar.

Depois de tanto tempo trabalhando, me vi com medo de mudar, de explorar uma nova área e encerrar um caminho que venho percorrendo até então. E, principalmente, medo de colocar energia e expectativas em algo que talvez não dê resultados.

A verdade é que não sei o que quero, mas, pela primeira vez em muito tempo, me permiti explorar. Estou conhecendo uma nova área, entrando em contato, graças aos muitos e-books gratuitos sobre o tema e todo o conteúdo disponível na internet. Ainda tímida e muito receosa, comecei a estudar e pesquisar sobre novos assuntos. Mas, mais importante do que ser autodidata, é ter coragem de arriscar, não me contentar apenas em ser aluna, consumindo conteúdo de forma passiva, como um espectador assistindo a um jogo. Preciso conseguir entrar no meio do campo, para descobrir se há lugar para mim. É preciso enfrentar a folha em branco e começar a rascunhar. Afinal, sempre pode-se editar um rascunho, lapidar, aperfeiçoar. Enquanto o vazio continuará sendo o mesmo no fim do dia: nada.

Estou tentando me manter focada nisso, organizei um cronograma de estudos, pretendo praticar e acredito que só assim, entrando em contato com a área, é que posso desmistificar o processo de transição de carreira.

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10 motivos para levar uma vida mais organizada

Mesa organizada para uma rotina mais produtiva.

Em meio a rotinas cada vez mais cheias, cada minuto do nosso tempo é valioso. Já se sentiu ansioso, ou mesmo sufocado, em meio à sua bagunça? Pois é, todos nós temos a nossa.

Então, continue a leitura até o final para descobrir como a organização pessoal pode transformar a sua vida.

A organização física do espaço que nos cerca é apenas a etapa inicial de uma vida nos trilhos. Organizar é encontrar problemas e criar uma lógica para resolvê-los. Ou seja, é propor soluções práticas, agrupando e categorizando itens, de modo que cada coisa tenha seu lugar pré-estabelecido.

Mas, longe de parar por aí, se você deseja levar uma vida organizada, precisa desenvolver a habilidade de manter a ordem, fazer planejamentos e segui-los.

As emoções têm papel fundamental na capacidade de se organizar, assim como, levar uma vida organizada, com rotinas estabelecidas, tem grande impacto no mundo interno.  Até nossa saúde física pode ser alterada a depender das condições ambientais à nossa volta.

Organizar-se é conseguir analisar o ambiente, as pessoas e a si mesmo, estabelecer planos e metas coerentes e ser capaz de seguir as ações planejadas. Assim, podemos entendê-la como um conjunto de hábitos e métodos que podem melhorar seu desempenho em diversas áreas da vida.

A seguir, você confere uma lista com 10 benefícios de incorporar a organização em seu dia a dia:

  1. Produtividade: Gastando menos tempo com bagunça e com mudanças de contexto, você se sentirá mais apto a focar no que realmente deve ser feito. A procrastinação vai embora e sua rotina fica mais eficiente;
  2. Economia: Talvez você não veja relação direta, mas a verdade é que ser organizado tem impacto real em sua saúde financeira, pois anotar e ter controle dos gastos te ajuda a poupar com coisas desnecessárias e a encontrar gargalos no orçamento. Planejando as despesas e anotando tudo, você obtém um uma visão geral de seu fluxo de caixa;
  3. Memória: Chega de tanto esforço para lembrar de tudo e frustração por não dar conta! Tenha uma agenda e/ou um bloco de notas à disposição. Anote seus afazeres, as tarefas novas que chegam e priorize seus compromissos. As listas são aliadas da organização e da nossa mente;
  4. Redução de Ansiedade: Conseguir visualizar todos os seus afazeres, traçar caminhos e prioridades, ajuda a reduzir a ansiedade. Além disso, a própria organização do ambiente físico pode ajudar a relaxar, por ser uma atividade que requer criatividade e foco no momento presente;
  5. Gestão de Tempo: Além do principal, que é parar de gastar seu tempo com bagunça e retrabalho (já que organização é criar uma ordem lógica e duradoura). Criar rotinas contribui com a otimização de suas tarefas. Anote seus compromissos na agenda, estabeleça horários para realizar suas atividades, e não deixe de reservar um tempinho para os imprevistos que aparecerão no dia a dia. Lembre-se sempre que descansar e recarregar as energias é necessidade básica do organismo e fundamental para quem quer levar uma vida mais produtiva; 
  6. Autoestima: Sim, a organização também contribui com a autoestima! A saúde mental é grande aliada e impactada na organização. Quando você percebe que sua vida está em ordem, consegue cumprir com seus combinados e tudo parece caminhar, se sente mais confiante e determinado. Isso sem falar na sensação de bem-estar de viver em um ambiente limpo e organizado;
  7. Cumprimento de Metas: Quando você consegue ter clareza sobre seus afazeres, delega tarefas e divide suas metas em pequenas atividades realizáveis, fica mais fácil manter o foco para executá-las pouco a pouco, rumo a seus objetivos;
  8. Redução de Estresse: À essa altura os pontos já estão se ligando sozinhos, não é mesmo? Uma vez que sua vida está organizada, você se sente bem, produtivo e consegue gerir melhor seu tempo, é natural que se sinta menos atarefado, pressionado ou estressado. Eu avisei que a organização e a saúde física e mental caminham juntas;
  9. Relacionamentos: Com menos fontes de estresse, uma rotina otimizada e conseguindo cumprir com suas estratégias, os relacionamentos interpessoais tendem a ter significativa melhora. Use a organização entre as pessoas com quem convive e logo será recompensado com seus benefícios, divida claramente tarefas, delegue responsabilidades e crie um sistema prático que funcione no ambiente de sua casa, trabalho, e onde mais desejar;
  10. Tempo: Eu sei que já falamos em tempo, mas tem coisa melhor do que sentir que sobra tempo no seu dia para aquilo que realmente importa? Reserve tempo para o lazer e o descanso, para estar com filhos e amigos, para se dedicar a um hobbie ou simplesmente para não fazer nada. Com esse conjunto, sua vida ficará mais equilibrada e harmônica.

           

Investir tempo hoje para pensar e estabelecer uma rotina fará uma verdadeira transformação em você!

Pense em sua rotina, entenda suas necessidades e comece já a elaborar seu plano de ação.

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Confinada

Confinada, olhando por janela fechada com grades.

Eu sei que todo mundo já está cansado de ouvir falar em quarentena e que cada um tem o seu relato. Mas eu precisava escrever sobre isso, então me desculpe. A escrita é, para mim, uma forma de expurgar os sentimentos, coloco para fora tudo aquilo que não cabe em mim. E hoje, meus amigos, transbordo.

Completamos um ano de pandemia. Dá para contar nos dedos quantas vezes vi minha mãe, meu irmão e minha família. Os amigos eu não vejo desde janeiro do ano anterior. Lembro de todas as conversas que tive com a minha mãe, preparando-a com antecedência em cada data, já com a certeza de que não comemoraríamos nossos aniversários ou o Natal.

Fazer aniversário foi uma experiência muito estranha, porque eu adoro comemorar. Mas, me senti muito mal em celebrar a vida em meio a tanta destruição. Tantas famílias arrasadas, tanto desgoverno.

Terminamos uma volta ao sol e tudo ainda parece parado. Fomos pegos de surpresa, mandados para casa no susto, com nossos notebooks embaixo do braço e um suposto home office.

Só que nós não estamos trabalhando em casa, estamos de quarentena! É muito difícil fazer absolutamente todas as atividades dentro do mesmo ambiente, sinto que não descanso, não paro nunca. E, quando faço uma pausa, me vejo perturbada com as notícias, os números crescentes e as decisões mortais do governo. A ansiedade é tanta que não consigo dormir. Me encolho na cama, perdida em pensamentos e medos. Logo o despertador toca e começa tudo de novo: exercício, trabalho, almoço, jantar, cama.

Sinto-me impedida, estou em casa há mais de um ano, sem ir caminhar em um parque, como tanto amo, sem fazer uma compra que não seja no supermercado. Sair é uma experiência perturbadora agora: manter o distanciamento em relação a outras pessoas, o elástico da máscara apertando a orelha, o suor sempre escorrendo por dentro da máscara e abafando a respiração. O álcool que protege é o mesmo que resseca as mãos.

A vida parou, mas não voltará a ser como antes. A verdade é que ainda não sabemos como tudo será. Sem pessoas queridas, sem tantos comércios que não resistiram à devastação da economia. Ninguém sabe ainda como iremos nos comportar socialmente. Aglomerações me parecem uma realidade tão distante hoje, e digo isso com ingressos de shows comprados e guardados na gaveta. Será que me sentirei segura para ir a um evento? Provavelmente não.

Apesar de tudo, todas as noites agradeço por meus privilégios, tenho uma casa confortável, uma pessoa maravilhosa ao meu lado, e minha família ainda está bem. Sinto uma tristeza enorme dentro de mim ao pensar em quantas famílias estão enlutadas neste momento, enquanto pessoas como eu reclamam alergias na mão; ou pessoas como muitos de meus colegas nas redes sociais, que reclamam por não irem à praia.

Sinto um buraco enorme no peito, tristeza e ansiedade têm sido companheiras constantes. É horrível encarar a morte tão de perto ˗ e eu nem sei o que é estar em uma linha de frente ˗ e não saber até quando estarei bem. Por quanto tempo ainda aguentarei até minha saúde física e/ou mental desabar?

Cada dia é uma batalha, e estamos sobrevivendo: à Covid, à economia e às doenças emocionais que nos atingem. Minha luta diária, e o que eu desejo a todos, é que se protejam e sejam gentis consigo e com todos à sua volta. Não estamos motivados ou superprodutivos porque vivemos um período histórico digno de uma distopia.

Infelizmente é real.

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4 Dicas para criar ou mudar um hábito

Agenda para organizar hábitos.

Você já teve vontade de incorporar um hábito saudável à sua rotina? Ou então, sente vontade de abrir mão de um antigo, mas não consegue largá-lo?

Criar ou modificar hábitos não é uma tarefa fácil, mas, uma vez que entendemos como o mecanismo funciona, descobrimos como dar um empurrãozinho para adotarmos uma rotina mais satisfatória e alinhada com nossos desejos. É sobre isso que vou falar no artigo de hoje.

Segundo Charles Duhigg, autor de “O poder do hábito”, hábitos são as escolhas que fazemos deliberadamente em algum momento e, nas quais paramos de refletir depois, apenas continuando a fazer.

Isso acontece porque o cérebro humano é como uma máquina de repetição, uma vez que aprende a fazer algo, tende a repetir para economizar energia. Então, com o tempo, essas decisões que foram tomadas em certo momento se tornam comportamentos automáticos que, às vezes, nem reparamos que fazemos.

Sendo um comportamento aprendido, temos condições de modificar ou criar novos hábitos. Para tal, é necessário, antes de tudo, identificar a deixa, ou seja, o que acontece antes do comportamento que o desperta, o momento ou as razões pelas quais o realizamos; depois entender a rotina, que é o comportamento ou atividade executada pelo hábito; por fim, identificar qual a recompensa que ele gera, aquilo que acontece imediatamente depois.

Como o cérebro funciona por associação, uma vez que aprendemos um comportamento e passamos a executá-lo, paramos de refletir sobre ele. É assim que nascem os hábitos. Não podemos simplesmente “perder” um hábito, deixando-o para trás, mas podemos reprogramar essas associações que nosso cérebro executa. Basta entender o que configura o hábito e realizar pequenas alterações, de forma a adquirir um novo padrão.

Então, para criar ou mudar um hábito, você precisa:

  1. Observar e entender sua rotina para encontrar os componentes do hábito: a deixa (o que o motiva), a rotina (o comportamento) e a recompensa;
  2. Estabelecer pequenos objetivos: sempre que desejar alcançar uma meta, quebre-a em pequenas tarefas, assim poderá subir um degrau de cada vez e a cada novo objetivo alcançado, estará mais próximo de seu desejo final;
  3. Manter o novo comportamento em sua rotina: no começo é necessário fazer um esforço consciente, lembrar-se de executar o comportamento, lutar contra empecilhos, preguiça e tudo o que pode surgir pelo caminho. Aqui vale tudo: Crie lembretes no celular, anote na agenda, faça tudo o que possa te ajudar e estimular;
  4. Acompanhar seus progressos: anotar é importante para que você possa acompanhar – e comemorar – suas pequenas vitórias. Isso vai estimulá-lo a continuar seguindo seu foco.

Quando menos esperar, o hábito estará moldado. A partir daí é só fazer a manutenção, ou seja, garantir que ele continue congruente com suas atividades, garantindo uma vida mais plena, onde todos os seus esforços sigam na mesma direção.

E aí, já sabe qual o primeiro hábito que você quer mudar? Me conta aqui nos comentários!

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Morada

Tati segurando uma caneca nas mãos.

Habitar é permanecer por determinado período. É ter lugar para ficar e se sentir em casa. Dentre todas as casas que já tive, a que melhor me acolheu foi o meu corpo.

Meu corpo é minha morada, é nele que vivo; é nele que sou. Nunca consegui ser fora dele, carrego-o em todas as minhas andanças e é sempre ele quem dita o ritmo.

Uso o corpo como forma de expressão, a linguagem não verbal grita por entre meus poros. A cor do cabelo, as roupas que escolho vestir, minha – péssima – postura, tudo! É preciso me sentir confortável nele, já que, até onde sei, somos inseparáveis. O conjunto do que sou comunica aos outros uma infinidade de coisas sobre mim. É dentro e a partir do corpo que desempenho os diferentes papéis sociais que carrego.

Nem sempre a relação entre o mundo interno e externo é clara. Tem dias em que me sinto poderosa, munida de toda minha razão, ferramentas e equipamentos tecnológicos, achando que posso dar conta de tudo. Basta uma noite mal dormida ou dor de cabeça e até os planos mais sólidos vão abaixo.

É preciso encarar os fatos: sou dentro dos limites de meu organismo. A saúde física e emocional é fundamental para qualquer atividade e, nesse tempo em que estou confinada dentro de casa, briguei e fiz as pazes comigo uma infinidade de vezes.

Já tentei criar rotinas de exercícios algumas vezes, faço funcionar por algum tempo e depois me perco; uso um aplicativo que dispara lembretes para que eu beba mais água e, por causa disso, não paro de fazer xixi; investi em autocuidado, por ver nos rituais uma das poucas formas que tenho para me cuidar no pequeno espaço de minha casa; adotei uma rotina de skincare e hoje sou tarada por uma máscara facial.

Cuido da pele, do corpo, da casa, da alma. Acredito que me cuidar é um ato de amor próprio. Fazer um chá no fim do dia para embarcar em uma leitura é mais do que uma tentativa desesperada de calar a ansiedade que me assombra o dia inteiro; é uma forma de ter um encontro comigo, de apreciar minha própria companhia, e acalmar o coração e a mente para conseguir pegar no sono.

Aprendi a me dar pausas, relaxar e, se for preciso, dizer um sonoro “não” a demandas externas, porque eu necessito de limites. Preciso usar parte do meu tempo comigo mesma, ou não farei nada direito no dia seguinte.

Nas últimas duas semanas, vivi uma dor de garganta que preocupou mais do que deveria, desestabilizou minha saúde física, destruiu o fiapo de sanidade que me restava e trouxe uma carga externa de ansiedade de todos aqueles que me querem bem.  

Em meio à correria da rotina, tratei os sintomas e descansei. Pequenas pausas entre uma reunião e outra salvaram meus dias. Sei que minha produtividade caiu significativamente e que devo textos a muita gente, mas silenciei o que gritava fora e me reconectei comigo. Precisamos nos entender primeiro, meu corpo e eu, para que então eu pudesse melhorar.

Eu não disse que é o corpo quem dita o ritmo? É ele quem faz as regras, e não eu. Mas, como somos um só, seguimos juntos. Hoje acordamos bem.

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Arrumado não é Organizado!

Mulher organizando uma  pilha de roupas.

Se você chegou aqui esperando encontrar uma solução mágica para a bagunça, sinto lhe informar que não conheço nenhuma. Mas, lendo até o final, descobrirá algo que pode mudar a sua vida e, de brinde, ganhar algumas dicas. Está pronto?

Para começo de conversa, quero deixar claro que é isso mesmo: arrumado não é organizado!

Calma, você já vai entender a diferença entre os dois para poder escolher o que a sua casa ou a sua vida, realmente precisam.

Sabe quando você vai receber uma visita e guarda tudo dentro do armário? O balcão fica livre, bem arrumadinho. Dá uma sensação de paz, não dá? Eu sei, já senti também. Mas quanto tempo isso dura? Na minha experiência, um ou dois dias, no máximo. E nem vamos falar sobre o medo de precisar abrir a fatídica porta e deixar tudo cair rolando.

Isso acontece porque arrumar é acomodar as coisas, ajeitar para fazer caber, encaixar. Mas, o simples ato de tirar da vista é como varrer a sujeira para baixo do tapete: ela continua lá. Você até pode sentir que tudo está organizado, esteticamente agradável, mas o trabalho não é duradouro e logo a bagunça está de volta.

Então, se arrumar pode ser fácil, mas não resolve o problema, o que fazer com tudo o que eu tenho em casa?

Arrumar pode ser o primeiro passo, para tirar o excesso de coisas da frente, mas não é solução. Seja em casa, na bolsa ou no escritório, o segredo é: Organizar! Uma vez e de uma vez por todas.

Organizar é, em essência, pensar. Encontrando uma lógica que funcione para cada pessoa e ambiente. Quem se dispõe a organizar está em busca de soluções práticas e definitivas. Assim, podemos dizer que organizar é ser capaz de reconhecer um problema e de solucioná-lo.

A Organização é um evento único e por isso requer o investimento de tempo. Fique tranquilo, você será recompensado com agilidade, produtividade, menos estresse e não perderá mais tempo com retrabalho.

Categorizar é parte fundamental da organização, é preciso pensar na utilidade de cada objeto e encontrar um grupo ou categoria para ele. Cada agrupamento ou tipo de item deve ter sua “casa”, de forma que, após o uso, você sempre saberá para onde aquilo deve voltar.

Encontrando um lugar para cada coisa, você sempre sabe onde está tudo o que precisa. Por esse motivo, toda organização deve ser personalizada de acordo com os itens, espaço e necessidades da pessoa que irá se beneficiar dela.

Não deixe de envolver a pessoa que usará o ambiente no processo de organização, já que, posteriormente, ela será a responsável por respeitar as categorias e manter cada coisa em seu lugar.

Para começar a organizar hoje:

Se liga nessas dicas para te ajudar na organização!

  1. Desapegue:O primeiro passo para a organização de um cômodo é o desapego, confira cada item e se desfaça de tudo aquilo que já não tem mais utilidade. Crie uma pilha para doações, afinal o que não serve para você ainda pode servir para outra pessoa; e uma pilha com os itens que devem ser descartados no lixo ou reciclados. Reduzir é a etapa inicial pois, ao final dela, você saberá exatamente a quantia de coisas que tem.
  2. Foco na funcionalidade: A funcionalidade deve vir antes da estética, pois de nada adianta organizar seu guarda-roupa como se fosse uma vitrine de loja se isso não for prático e funcional para sua rotina. Coisas muito elaboradas podem ficar difíceis de se manter e, portanto, não colaboram de verdade com a otimização do seu tempo.
  3. Crie categorias: As categorias são como “famílias”, você pode agrupar itens por função ou tamanho. Tenha clareza de sua lógica e escolhas, assim será mais fácil classificar cada novo item que chegar e não haverá confusão na hora de guardar um objeto após seu uso. Também é possível criar subcategorias que otimizem o espaço ou ordem de uso das coisas. Tudo depende de suas necessidades e prioridades.
  4. Organize aos poucos: Um cômodo por vez, um móvel por vez. É mais importante se demorar em criar categorias definitivas e funcionais do que querer dar conta de fazer tudo em um dia só e terminar exausto, correndo o risco de relaxar ou desistir no meio do caminho. Não se apresse, o que você está fazendo é uma verdadeira mudança em sua vida, e isso leva tempo!
  5. Crie rotinas: Depois de organizar, você verá como será capaz de poupar tempo. Para se beneficiar ainda mais, crie rotinas bem definidas que lhe ajudem a gerir seu tempo e ser mais produtivo. Use e abuse de listas para não esquecer nenhuma tarefa.
  6. Depois de organizar, pode arrumar: A arrumação não é uma vilã! A vida é corrida, nós usamos as coisas, e as tiramos do lugar. Não tem problema, uma vez que você estabeleceu uma ordem lógica e faz a organização trabalhar para você. Agora basta arrumar os poucos itens que ficaram fora do lugar. Na verdade, o trabalho de arrumação deve ser frequente, já que funciona como manutenção da organização.

Então me conta, hoje a sua casa está arrumada ou organizada?

Respira fundo e mão na massa 🙂

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Ritual

Mesa preparada para escrever, com Notebook, caderno e uma xícara de café.

Sofro do que chamo de procrastinação produtiva. Sou uma pessoa extremamente acelerada, daquelas que não consegue ficar parada, estou sempre fazendo algo e já pensando na lista das próximas atividades. Até o fim do dia já terei acrescentado mais itens e, se der tempo, passo a lista a limpo, porque ninguém merece ficar olhando para uma folha toda rabiscada. 

Ordem e método são palavras que fazem carinho a meus ouvidos. Mas, apesar de ser super produtiva, isso não significa que eu seja sempre assertiva. É vergonhosa a quantidade de vezes em que na verdade não sou. 

O fato de não ficar parada dá a falsa sensação de que estou sempre em dia com os compromissos. Mas acabo perdendo muito tempo criando pequenos rituais, ou refazendo o que já estava feito, em busca de uma falsa sensação de perfeição que me traz alívio, ainda que momentâneo.

Tento resolver pequenas pendências antes de começar a fazer o que realmente importa. Por um lado, tiro um monte de coisas da mente e coloco alguns compromissos em dia. Por outro, já estou cansada quando finalmente vou começar o dia, parece que o relógio vive correndo contra mim.

Por exemplo, antes de escrever, escolho um caderno para colocar os primeiros rascunhos. Abro a pasta do computador onde guardo meus arquivos, releio trechos, reorganizo a ordem dos textos, crio pastas para categorizá-los e passo algum tempo remexendo no que já foi feito.

Em seguida, preparo meu espaço de trabalho e gasto muito tempo criando as condições ideais: luz, espaço, um chazinho ou café para acompanhar. Tem dias em que até acendo uma velinha aromática para dar um toque ao ambiente. Tudo precisa estar confortável e propício para a atividade, como se fosse isso que a possibilitasse. Crio uma mesa digna do Pinterest, aí paro para tirar uma foto, é claro.

Depois, finalmente me concentro e começo a rabiscar, crio tópicos para estruturar o texto. Por vezes me distraio com uma ideia nova que surge e paro para fazer anotações em paralelo. É sabido que perdemos tempo na troca de contexto. E assim, demoro para voltar minha concentração para a ideia original.  

Faço tudo antes de fazer o que realmente importa: sentar e começar a escrever. Não importa muito se o primeiro rascunho será feito no computador, em um caderno ou em um guardanapo amassado. O mais importante é me permitir deixar as ideias fluírem, tornar minha mão com a caneta um instrumento criativo. Escrever sem filtros ou bloqueio. A revisão fica para um segundo momento, com seus próprios rituais.

Não espere o momento perfeito, considere o agora como o sinal que você estava esperando. Comece, só assim poderá testar, conhecer seus resultados e progredir.

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Como Conquistar de Vez o Hábito da Leitura

Mulher sentada em livraria lendo um livro.

Você é do tipo de pessoa que adora entrar em uma livraria, admirar capas de livros e se encantar ao ler as sinopses na contracapa? Talvez até compre alguns dos títulos mais atrativos ou indicados. Só que os livros ficam lá, eternamente parados na sua estante.

Se você deseja mudar esse cenário e criar uma rotina de leitura, continue lendo até o final e descubra como fazer da leitura um hábito saudável e prazeroso em sua vida.

Primeiro, é importante destacar que a leitura é uma das mais importantes maneiras de entrar em contato com o mundo. E o hábito da leitura pode servir aos mais diversos objetivos, como: podemos ler para nos informar; ler para estudar e aprender sobre um determinado assunto; ou ainda, podemos ler por prazer, apenas para saboreando as palavras e aumentando nosso repertório cultural. 

Caso ainda não esteja convencido, confira os benefícios de incorporar a leitura em sua rotina: 

  • Enriquecer vocabulário;
  • Ajuda a desenvolver a habilidade de comunicação: quanto mais você ler, mais facilidade terá para escrever e se expressar;
  • Oferece visões de mundo e pontos de vista diferentes dos nossos, funcionando como uma excelente expansão de consciência;
  • Ensina coisas novas;
  • Estimula a capacidade imaginativa e é um alimento para a criatividade;
  • Aumenta repertório cultural;
  • Auxilia na capacidade de entender e interpretar fatos e dados;
  • Oferece a chance de conhecer outros mundos sem precisar sair do lugar.

Mesmo assim, muitas pessoas sentem dificuldade de desenvolver o hábito da leitura.

Então aqui estão algumas dicas infalíveis para você conquistar de vez esse hábito:

  1. Comece: Parece óbvio, mas não podia ser mais verdadeiro. O segredo para desenvolver qualquer hábito é começar, fazendo um esforço para arranjar e preservar tempo para realizar a atividade. O hábito não se criará sozinho, você precisa se dedicar a ele até que seja naturalmente incorporado à sua rotina.
  2. Procure assuntos de seu interesse: Já vi muita gente desistir de ler, alegando que livros são chatos. Me soa como uma ofensa! Mas, vamos lá: o mais importante é que a leitura seja um momento prazeroso, caso contrário não dedicaremos esforço algum a ele. Ninguém lê para ficar entediado, concorda? Se quiser chegar até a última página, você precisa experimentar, se permita flutuar entre gêneros até descobrir o que lhe agrada. Sem julgamentos, ok? O lazer – e prazer – é todo seu. 
  3. Priorize qualidade: Não adianta se forçar a ler um livro só porque todo mundo já leu, tampouco adianta ler só para dizer que leu. Dê preferência a títulos que sejam de seu interesse e cujo conhecimento possa agregar valor, ou seja, lhe ensinar algo. A leitura não acaba quando fechamos o livro, é importante que a história ou conteúdo continue ressoando em nós, ela tem o poder de nos transformar. 
  4. Encontre um ambiente ideal: Algumas pessoas leem no ônibus, outras em uma sala barulhenta com a TV ligada, mas algumas precisam de silêncio absoluto. Apesar de poder ler em diversos momentos e locais, para aumentar ainda mais o prazer dessa atividade, uma boa dica é encontrar um lugar ideal, que seja confortável e te desperte a vontade de ter um livro como companhia. Vale preparar todo o ambiente, a luz, o som e até a bebida ou lanchinho que irá acompanhá-lo.
  5. Reserve espaço na agenda: É claro que é ótimo quando conseguimos ler nas horas vagas, uma boa maneira de aumentar o ritmo de leitura é ler em intervalos, otimizando seu tempo. Mas, também é fundamental encontrar um horário para ler sem interrupções, dê prioridade ao livro para conseguir entrar na história e aproveitar ainda mais o conteúdo. 
  6. Crie metas: Criar metas de leitura ajuda a estabelecer um bom ritmo de leitura, isso porque o cérebro quer sanar o desafio. Você pode criar uma meta de número de livros ou de páginas lidas para o ano e quebrar essa meta em blocos menores, como metas mensais e até um número mínimo diário, assim manterá um ritmo confortável. 
  7. Faça marcações: Esse assunto é polêmico, já que algumas pessoas são expressamente contra fazer qualquer marcação ou grifo em seus livros. Existem alternativas menos invasivas, como post-its e tirinhas colantes, caso não queira escrever ou riscar as páginas. O importante é que você possa manusear o livro durante a leitura, pois esse contato ajuda a fixar a aprendizagem. Faça resumos, destaque partes que lhe interessem ou que você queira encontrar facilmente depois.
  8. Se puder, leia mais de um livro ao mesmo tempo: Essa dica é comprovada cientificamente. Estudos afirmam que esse hábito força o nosso cérebro a lembrar de mais coisas e abrir espaço para mais memórias, além de aguçar a concentração, isso porque o cérebro é um músculo, e exercitando-o, ele se torna ainda mais forte. Caso ache difícil, uma boa dica é alternar entre estilos, por exemplo, ler um romance e um livro de poesias. 
  9. Procure dicas ou participe de grupos: Existem diversos fóruns e até redes sociais que reúnem pessoas com a mesma paixão pelos livros. Estar em ambientes que valorizam o hábito da leitura é uma forma de se manter estimulado e atualizado. Você pode acompanhar lançamentos, procurar por classificações e resenhas, enfim, tudo que o insira cada vez mais no mundo dos livros. 
  10. Use a tecnologia a seu favor: Apesar de a internet e os dispositivos serem uma grande fonte de distração, podemos usá-los como aliados na hora da leitura. Você pode optar por um dispositivo de leitura digital como alternativa a livros em formato físico, pode usar o bloco de notas do celular para anotar suas citações preferidas e pode usar aplicativos para criar e acompanhar suas metas. Vale tudo, menos perder o foco da leitura, combinado? 

Boa leitura! 😊

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Furo no tempo

Imagem de relógio para contar o Tempo.

“Você acha que eu tenho tempo pra isso?”, foi a resposta que ouvi ao meu pedido. Recolhi minha mágoa, guardando-a para lidar na terapia. Passaria horas destrinchando a rejeição, parecida com aquela outra que sofri na infância e que, provavelmente, era a responsável por eu me sentir da forma como me sentia hoje. 

Mas quem tem tempo para alguma coisa nos dias de hoje? Além de extremamente ocupados com nossos afazeres, desperdiçamos horas em nossos smartphones e usamos a boa e velha desculpa do tempo. Ninguém contesta, pois, eventualmente, todos usam a mesma carta. 

Eu sei como é não ter tempo para almoçar e só comer um lanchinho, matar a ida à academia por falta de espaço na agenda, pedir uma pizza porque não deu para cozinhar, perder uma consulta por ter calculado mal o trânsito, remarcar um cinema porque precisou trabalhar até mais tarde, perder a hora porque foi deitar exausto na noite anterior. E, meu favorito: combinar de combinar um almoço entre amigas e nunca chegar às vias de fato, porque parece impossível encontrar compatibilidade entre as agendas – spoiler: quanto maior o grupo de amigas, mais difícil. 

Heidegger dizia que é a temporalidade que nos define. Mas provavelmente ele não se referia a como nos tornamos escravos de nossas vidas pela falta dele. Vivemos em falta, sempre adiando e nos esquecendo de perguntar o que realmente importa. Será que um compromisso de trabalho é mesmo mais importante do que um final de semana de folga? Nunca vi alguém exausto conseguir ser produtivo. 

Temos relógios, mas não temos equilíbrio. Esquecemos há muito que somos nós mesmos os responsáveis por administrar as 24 horas que o dia nos dá, e o dia seguinte também, e depois o outro. E não adianta resmungar, o primeiro item da agenda deve ser organizar a própria, ou o resto vira um caos.

Escolhemos o que fazer com nossa limitação de tempo, por isso, aprender sobre prioridades deveria fazer parte do currículo básico das escolas. Ficamos frustrados por não conseguir dar conta de tudo o que gostaríamos e, invariavelmente, chateados se não somos escolhidos – ou priorizados – por outras pessoas. 

Por isso, quando meu irmão disse que não tinha tempo para me ajudar a instalar meu quadro novo fiquei chateada: ou ele não me priorizou, ou apenas usou a desculpa do seu relógio. É apenas um furo na parede, pelo amor de Deus!