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Confinada

Confinada, olhando por janela fechada com grades.

Eu sei que todo mundo já está cansado de ouvir falar em quarentena e que cada um tem o seu relato. Mas eu precisava escrever sobre isso, então me desculpe. A escrita é, para mim, uma forma de expurgar os sentimentos, coloco para fora tudo aquilo que não cabe em mim. E hoje, meus amigos, transbordo.

Completamos um ano de pandemia. Dá para contar nos dedos quantas vezes vi minha mãe, meu irmão e minha família. Os amigos eu não vejo desde janeiro do ano anterior. Lembro de todas as conversas que tive com a minha mãe, preparando-a com antecedência em cada data, já com a certeza de que não comemoraríamos nossos aniversários ou o Natal.

Fazer aniversário foi uma experiência muito estranha, porque eu adoro comemorar. Mas, me senti muito mal em celebrar a vida em meio a tanta destruição. Tantas famílias arrasadas, tanto desgoverno.

Terminamos uma volta ao sol e tudo ainda parece parado. Fomos pegos de surpresa, mandados para casa no susto, com nossos notebooks embaixo do braço e um suposto home office.

Só que nós não estamos trabalhando em casa, estamos de quarentena! É muito difícil fazer absolutamente todas as atividades dentro do mesmo ambiente, sinto que não descanso, não paro nunca. E, quando faço uma pausa, me vejo perturbada com as notícias, os números crescentes e as decisões mortais do governo. A ansiedade é tanta que não consigo dormir. Me encolho na cama, perdida em pensamentos e medos. Logo o despertador toca e começa tudo de novo: exercício, trabalho, almoço, jantar, cama.

Sinto-me impedida, estou em casa há mais de um ano, sem ir caminhar em um parque, como tanto amo, sem fazer uma compra que não seja no supermercado. Sair é uma experiência perturbadora agora: manter o distanciamento em relação a outras pessoas, o elástico da máscara apertando a orelha, o suor sempre escorrendo por dentro da máscara e abafando a respiração. O álcool que protege é o mesmo que resseca as mãos.

A vida parou, mas não voltará a ser como antes. A verdade é que ainda não sabemos como tudo será. Sem pessoas queridas, sem tantos comércios que não resistiram à devastação da economia. Ninguém sabe ainda como iremos nos comportar socialmente. Aglomerações me parecem uma realidade tão distante hoje, e digo isso com ingressos de shows comprados e guardados na gaveta. Será que me sentirei segura para ir a um evento? Provavelmente não.

Apesar de tudo, todas as noites agradeço por meus privilégios, tenho uma casa confortável, uma pessoa maravilhosa ao meu lado, e minha família ainda está bem. Sinto uma tristeza enorme dentro de mim ao pensar em quantas famílias estão enlutadas neste momento, enquanto pessoas como eu reclamam alergias na mão; ou pessoas como muitos de meus colegas nas redes sociais, que reclamam por não irem à praia.

Sinto um buraco enorme no peito, tristeza e ansiedade têm sido companheiras constantes. É horrível encarar a morte tão de perto ˗ e eu nem sei o que é estar em uma linha de frente ˗ e não saber até quando estarei bem. Por quanto tempo ainda aguentarei até minha saúde física e/ou mental desabar?

Cada dia é uma batalha, e estamos sobrevivendo: à Covid, à economia e às doenças emocionais que nos atingem. Minha luta diária, e o que eu desejo a todos, é que se protejam e sejam gentis consigo e com todos à sua volta. Não estamos motivados ou superprodutivos porque vivemos um período histórico digno de uma distopia.

Infelizmente é real.

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4 Dicas para criar ou mudar um hábito

Agenda para organizar hábitos.

Você já teve vontade de incorporar um hábito saudável à sua rotina? Ou então, sente vontade de abrir mão de um antigo, mas não consegue largá-lo?

Criar ou modificar hábitos não é uma tarefa fácil, mas, uma vez que entendemos como o mecanismo funciona, descobrimos como dar um empurrãozinho para adotarmos uma rotina mais satisfatória e alinhada com nossos desejos. É sobre isso que vou falar no artigo de hoje.

Segundo Charles Duhigg, autor de “O poder do hábito”, hábitos são as escolhas que fazemos deliberadamente em algum momento e, nas quais paramos de refletir depois, apenas continuando a fazer.

Isso acontece porque o cérebro humano é como uma máquina de repetição, uma vez que aprende a fazer algo, tende a repetir para economizar energia. Então, com o tempo, essas decisões que foram tomadas em certo momento se tornam comportamentos automáticos que, às vezes, nem reparamos que fazemos.

Sendo um comportamento aprendido, temos condições de modificar ou criar novos hábitos. Para tal, é necessário, antes de tudo, identificar a deixa, ou seja, o que acontece antes do comportamento que o desperta, o momento ou as razões pelas quais o realizamos; depois entender a rotina, que é o comportamento ou atividade executada pelo hábito; por fim, identificar qual a recompensa que ele gera, aquilo que acontece imediatamente depois.

Como o cérebro funciona por associação, uma vez que aprendemos um comportamento e passamos a executá-lo, paramos de refletir sobre ele. É assim que nascem os hábitos. Não podemos simplesmente “perder” um hábito, deixando-o para trás, mas podemos reprogramar essas associações que nosso cérebro executa. Basta entender o que configura o hábito e realizar pequenas alterações, de forma a adquirir um novo padrão.

Então, para criar ou mudar um hábito, você precisa:

  1. Observar e entender sua rotina para encontrar os componentes do hábito: a deixa (o que o motiva), a rotina (o comportamento) e a recompensa;
  2. Estabelecer pequenos objetivos: sempre que desejar alcançar uma meta, quebre-a em pequenas tarefas, assim poderá subir um degrau de cada vez e a cada novo objetivo alcançado, estará mais próximo de seu desejo final;
  3. Manter o novo comportamento em sua rotina: no começo é necessário fazer um esforço consciente, lembrar-se de executar o comportamento, lutar contra empecilhos, preguiça e tudo o que pode surgir pelo caminho. Aqui vale tudo: Crie lembretes no celular, anote na agenda, faça tudo o que possa te ajudar e estimular;
  4. Acompanhar seus progressos: anotar é importante para que você possa acompanhar – e comemorar – suas pequenas vitórias. Isso vai estimulá-lo a continuar seguindo seu foco.

Quando menos esperar, o hábito estará moldado. A partir daí é só fazer a manutenção, ou seja, garantir que ele continue congruente com suas atividades, garantindo uma vida mais plena, onde todos os seus esforços sigam na mesma direção.

E aí, já sabe qual o primeiro hábito que você quer mudar? Me conta aqui nos comentários!

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Morada

Tati segurando uma caneca nas mãos.

Habitar é permanecer por determinado período. É ter lugar para ficar e se sentir em casa. Dentre todas as casas que já tive, a que melhor me acolheu foi o meu corpo.

Meu corpo é minha morada, é nele que vivo; é nele que sou. Nunca consegui ser fora dele, carrego-o em todas as minhas andanças e é sempre ele quem dita o ritmo.

Uso o corpo como forma de expressão, a linguagem não verbal grita por entre meus poros. A cor do cabelo, as roupas que escolho vestir, minha – péssima – postura, tudo! É preciso me sentir confortável nele, já que, até onde sei, somos inseparáveis. O conjunto do que sou comunica aos outros uma infinidade de coisas sobre mim. É dentro e a partir do corpo que desempenho os diferentes papéis sociais que carrego.

Nem sempre a relação entre o mundo interno e externo é clara. Tem dias em que me sinto poderosa, munida de toda minha razão, ferramentas e equipamentos tecnológicos, achando que posso dar conta de tudo. Basta uma noite mal dormida ou dor de cabeça e até os planos mais sólidos vão abaixo.

É preciso encarar os fatos: sou dentro dos limites de meu organismo. A saúde física e emocional é fundamental para qualquer atividade e, nesse tempo em que estou confinada dentro de casa, briguei e fiz as pazes comigo uma infinidade de vezes.

Já tentei criar rotinas de exercícios algumas vezes, faço funcionar por algum tempo e depois me perco; uso um aplicativo que dispara lembretes para que eu beba mais água e, por causa disso, não paro de fazer xixi; investi em autocuidado, por ver nos rituais uma das poucas formas que tenho para me cuidar no pequeno espaço de minha casa; adotei uma rotina de skincare e hoje sou tarada por uma máscara facial.

Cuido da pele, do corpo, da casa, da alma. Acredito que me cuidar é um ato de amor próprio. Fazer um chá no fim do dia para embarcar em uma leitura é mais do que uma tentativa desesperada de calar a ansiedade que me assombra o dia inteiro; é uma forma de ter um encontro comigo, de apreciar minha própria companhia, e acalmar o coração e a mente para conseguir pegar no sono.

Aprendi a me dar pausas, relaxar e, se for preciso, dizer um sonoro “não” a demandas externas, porque eu necessito de limites. Preciso usar parte do meu tempo comigo mesma, ou não farei nada direito no dia seguinte.

Nas últimas duas semanas, vivi uma dor de garganta que preocupou mais do que deveria, desestabilizou minha saúde física, destruiu o fiapo de sanidade que me restava e trouxe uma carga externa de ansiedade de todos aqueles que me querem bem.  

Em meio à correria da rotina, tratei os sintomas e descansei. Pequenas pausas entre uma reunião e outra salvaram meus dias. Sei que minha produtividade caiu significativamente e que devo textos a muita gente, mas silenciei o que gritava fora e me reconectei comigo. Precisamos nos entender primeiro, meu corpo e eu, para que então eu pudesse melhorar.

Eu não disse que é o corpo quem dita o ritmo? É ele quem faz as regras, e não eu. Mas, como somos um só, seguimos juntos. Hoje acordamos bem.

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Arrumado não é Organizado!

Mulher organizando uma  pilha de roupas.

Se você chegou aqui esperando encontrar uma solução mágica para a bagunça, sinto lhe informar que não conheço nenhuma. Mas, lendo até o final, descobrirá algo que pode mudar a sua vida e, de brinde, ganhar algumas dicas. Está pronto?

Para começo de conversa, quero deixar claro que é isso mesmo: arrumado não é organizado!

Calma, você já vai entender a diferença entre os dois para poder escolher o que a sua casa ou a sua vida, realmente precisam.

Sabe quando você vai receber uma visita e guarda tudo dentro do armário? O balcão fica livre, bem arrumadinho. Dá uma sensação de paz, não dá? Eu sei, já senti também. Mas quanto tempo isso dura? Na minha experiência, um ou dois dias, no máximo. E nem vamos falar sobre o medo de precisar abrir a fatídica porta e deixar tudo cair rolando.

Isso acontece porque arrumar é acomodar as coisas, ajeitar para fazer caber, encaixar. Mas, o simples ato de tirar da vista é como varrer a sujeira para baixo do tapete: ela continua lá. Você até pode sentir que tudo está organizado, esteticamente agradável, mas o trabalho não é duradouro e logo a bagunça está de volta.

Então, se arrumar pode ser fácil, mas não resolve o problema, o que fazer com tudo o que eu tenho em casa?

Arrumar pode ser o primeiro passo, para tirar o excesso de coisas da frente, mas não é solução. Seja em casa, na bolsa ou no escritório, o segredo é: Organizar! Uma vez e de uma vez por todas.

Organizar é, em essência, pensar. Encontrando uma lógica que funcione para cada pessoa e ambiente. Quem se dispõe a organizar está em busca de soluções práticas e definitivas. Assim, podemos dizer que organizar é ser capaz de reconhecer um problema e de solucioná-lo.

A Organização é um evento único e por isso requer o investimento de tempo. Fique tranquilo, você será recompensado com agilidade, produtividade, menos estresse e não perderá mais tempo com retrabalho.

Categorizar é parte fundamental da organização, é preciso pensar na utilidade de cada objeto e encontrar um grupo ou categoria para ele. Cada agrupamento ou tipo de item deve ter sua “casa”, de forma que, após o uso, você sempre saberá para onde aquilo deve voltar.

Encontrando um lugar para cada coisa, você sempre sabe onde está tudo o que precisa. Por esse motivo, toda organização deve ser personalizada de acordo com os itens, espaço e necessidades da pessoa que irá se beneficiar dela.

Não deixe de envolver a pessoa que usará o ambiente no processo de organização, já que, posteriormente, ela será a responsável por respeitar as categorias e manter cada coisa em seu lugar.

Para começar a organizar hoje:

Se liga nessas dicas para te ajudar na organização!

  1. Desapegue:O primeiro passo para a organização de um cômodo é o desapego, confira cada item e se desfaça de tudo aquilo que já não tem mais utilidade. Crie uma pilha para doações, afinal o que não serve para você ainda pode servir para outra pessoa; e uma pilha com os itens que devem ser descartados no lixo ou reciclados. Reduzir é a etapa inicial pois, ao final dela, você saberá exatamente a quantia de coisas que tem.
  2. Foco na funcionalidade: A funcionalidade deve vir antes da estética, pois de nada adianta organizar seu guarda-roupa como se fosse uma vitrine de loja se isso não for prático e funcional para sua rotina. Coisas muito elaboradas podem ficar difíceis de se manter e, portanto, não colaboram de verdade com a otimização do seu tempo.
  3. Crie categorias: As categorias são como “famílias”, você pode agrupar itens por função ou tamanho. Tenha clareza de sua lógica e escolhas, assim será mais fácil classificar cada novo item que chegar e não haverá confusão na hora de guardar um objeto após seu uso. Também é possível criar subcategorias que otimizem o espaço ou ordem de uso das coisas. Tudo depende de suas necessidades e prioridades.
  4. Organize aos poucos: Um cômodo por vez, um móvel por vez. É mais importante se demorar em criar categorias definitivas e funcionais do que querer dar conta de fazer tudo em um dia só e terminar exausto, correndo o risco de relaxar ou desistir no meio do caminho. Não se apresse, o que você está fazendo é uma verdadeira mudança em sua vida, e isso leva tempo!
  5. Crie rotinas: Depois de organizar, você verá como será capaz de poupar tempo. Para se beneficiar ainda mais, crie rotinas bem definidas que lhe ajudem a gerir seu tempo e ser mais produtivo. Use e abuse de listas para não esquecer nenhuma tarefa.
  6. Depois de organizar, pode arrumar: A arrumação não é uma vilã! A vida é corrida, nós usamos as coisas, e as tiramos do lugar. Não tem problema, uma vez que você estabeleceu uma ordem lógica e faz a organização trabalhar para você. Agora basta arrumar os poucos itens que ficaram fora do lugar. Na verdade, o trabalho de arrumação deve ser frequente, já que funciona como manutenção da organização.

Então me conta, hoje a sua casa está arrumada ou organizada?

Respira fundo e mão na massa 🙂

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Ritual

Mesa preparada para escrever, com Notebook, caderno e uma xícara de café.

Sofro do que chamo de procrastinação produtiva. Sou uma pessoa extremamente acelerada, daquelas que não consegue ficar parada, estou sempre fazendo algo e já pensando na lista das próximas atividades. Até o fim do dia já terei acrescentado mais itens e, se der tempo, passo a lista a limpo, porque ninguém merece ficar olhando para uma folha toda rabiscada. 

Ordem e método são palavras que fazem carinho a meus ouvidos. Mas, apesar de ser super produtiva, isso não significa que eu seja sempre assertiva. É vergonhosa a quantidade de vezes em que na verdade não sou. 

O fato de não ficar parada dá a falsa sensação de que estou sempre em dia com os compromissos. Mas acabo perdendo muito tempo criando pequenos rituais, ou refazendo o que já estava feito, em busca de uma falsa sensação de perfeição que me traz alívio, ainda que momentâneo.

Tento resolver pequenas pendências antes de começar a fazer o que realmente importa. Por um lado, tiro um monte de coisas da mente e coloco alguns compromissos em dia. Por outro, já estou cansada quando finalmente vou começar o dia, parece que o relógio vive correndo contra mim.

Por exemplo, antes de escrever, escolho um caderno para colocar os primeiros rascunhos. Abro a pasta do computador onde guardo meus arquivos, releio trechos, reorganizo a ordem dos textos, crio pastas para categorizá-los e passo algum tempo remexendo no que já foi feito.

Em seguida, preparo meu espaço de trabalho e gasto muito tempo criando as condições ideais: luz, espaço, um chazinho ou café para acompanhar. Tem dias em que até acendo uma velinha aromática para dar um toque ao ambiente. Tudo precisa estar confortável e propício para a atividade, como se fosse isso que a possibilitasse. Crio uma mesa digna do Pinterest, aí paro para tirar uma foto, é claro.

Depois, finalmente me concentro e começo a rabiscar, crio tópicos para estruturar o texto. Por vezes me distraio com uma ideia nova que surge e paro para fazer anotações em paralelo. É sabido que perdemos tempo na troca de contexto. E assim, demoro para voltar minha concentração para a ideia original.  

Faço tudo antes de fazer o que realmente importa: sentar e começar a escrever. Não importa muito se o primeiro rascunho será feito no computador, em um caderno ou em um guardanapo amassado. O mais importante é me permitir deixar as ideias fluírem, tornar minha mão com a caneta um instrumento criativo. Escrever sem filtros ou bloqueio. A revisão fica para um segundo momento, com seus próprios rituais.

Não espere o momento perfeito, considere o agora como o sinal que você estava esperando. Comece, só assim poderá testar, conhecer seus resultados e progredir.

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Como Conquistar de Vez o Hábito da Leitura

Mulher sentada em livraria lendo um livro.

Você é do tipo de pessoa que adora entrar em uma livraria, admirar capas de livros e se encantar ao ler as sinopses na contracapa? Talvez até compre alguns dos títulos mais atrativos ou indicados. Só que os livros ficam lá, eternamente parados na sua estante.

Se você deseja mudar esse cenário e criar uma rotina de leitura, continue lendo até o final e descubra como fazer da leitura um hábito saudável e prazeroso em sua vida.

Primeiro, é importante destacar que a leitura é uma das mais importantes maneiras de entrar em contato com o mundo. E o hábito da leitura pode servir aos mais diversos objetivos, como: podemos ler para nos informar; ler para estudar e aprender sobre um determinado assunto; ou ainda, podemos ler por prazer, apenas para saboreando as palavras e aumentando nosso repertório cultural. 

Caso ainda não esteja convencido, confira os benefícios de incorporar a leitura em sua rotina: 

  • Enriquecer vocabulário;
  • Ajuda a desenvolver a habilidade de comunicação: quanto mais você ler, mais facilidade terá para escrever e se expressar;
  • Oferece visões de mundo e pontos de vista diferentes dos nossos, funcionando como uma excelente expansão de consciência;
  • Ensina coisas novas;
  • Estimula a capacidade imaginativa e é um alimento para a criatividade;
  • Aumenta repertório cultural;
  • Auxilia na capacidade de entender e interpretar fatos e dados;
  • Oferece a chance de conhecer outros mundos sem precisar sair do lugar.

Mesmo assim, muitas pessoas sentem dificuldade de desenvolver o hábito da leitura.

Então aqui estão algumas dicas infalíveis para você conquistar de vez esse hábito:

  1. Comece: Parece óbvio, mas não podia ser mais verdadeiro. O segredo para desenvolver qualquer hábito é começar, fazendo um esforço para arranjar e preservar tempo para realizar a atividade. O hábito não se criará sozinho, você precisa se dedicar a ele até que seja naturalmente incorporado à sua rotina.
  2. Procure assuntos de seu interesse: Já vi muita gente desistir de ler, alegando que livros são chatos. Me soa como uma ofensa! Mas, vamos lá: o mais importante é que a leitura seja um momento prazeroso, caso contrário não dedicaremos esforço algum a ele. Ninguém lê para ficar entediado, concorda? Se quiser chegar até a última página, você precisa experimentar, se permita flutuar entre gêneros até descobrir o que lhe agrada. Sem julgamentos, ok? O lazer – e prazer – é todo seu. 
  3. Priorize qualidade: Não adianta se forçar a ler um livro só porque todo mundo já leu, tampouco adianta ler só para dizer que leu. Dê preferência a títulos que sejam de seu interesse e cujo conhecimento possa agregar valor, ou seja, lhe ensinar algo. A leitura não acaba quando fechamos o livro, é importante que a história ou conteúdo continue ressoando em nós, ela tem o poder de nos transformar. 
  4. Encontre um ambiente ideal: Algumas pessoas leem no ônibus, outras em uma sala barulhenta com a TV ligada, mas algumas precisam de silêncio absoluto. Apesar de poder ler em diversos momentos e locais, para aumentar ainda mais o prazer dessa atividade, uma boa dica é encontrar um lugar ideal, que seja confortável e te desperte a vontade de ter um livro como companhia. Vale preparar todo o ambiente, a luz, o som e até a bebida ou lanchinho que irá acompanhá-lo.
  5. Reserve espaço na agenda: É claro que é ótimo quando conseguimos ler nas horas vagas, uma boa maneira de aumentar o ritmo de leitura é ler em intervalos, otimizando seu tempo. Mas, também é fundamental encontrar um horário para ler sem interrupções, dê prioridade ao livro para conseguir entrar na história e aproveitar ainda mais o conteúdo. 
  6. Crie metas: Criar metas de leitura ajuda a estabelecer um bom ritmo de leitura, isso porque o cérebro quer sanar o desafio. Você pode criar uma meta de número de livros ou de páginas lidas para o ano e quebrar essa meta em blocos menores, como metas mensais e até um número mínimo diário, assim manterá um ritmo confortável. 
  7. Faça marcações: Esse assunto é polêmico, já que algumas pessoas são expressamente contra fazer qualquer marcação ou grifo em seus livros. Existem alternativas menos invasivas, como post-its e tirinhas colantes, caso não queira escrever ou riscar as páginas. O importante é que você possa manusear o livro durante a leitura, pois esse contato ajuda a fixar a aprendizagem. Faça resumos, destaque partes que lhe interessem ou que você queira encontrar facilmente depois.
  8. Se puder, leia mais de um livro ao mesmo tempo: Essa dica é comprovada cientificamente. Estudos afirmam que esse hábito força o nosso cérebro a lembrar de mais coisas e abrir espaço para mais memórias, além de aguçar a concentração, isso porque o cérebro é um músculo, e exercitando-o, ele se torna ainda mais forte. Caso ache difícil, uma boa dica é alternar entre estilos, por exemplo, ler um romance e um livro de poesias. 
  9. Procure dicas ou participe de grupos: Existem diversos fóruns e até redes sociais que reúnem pessoas com a mesma paixão pelos livros. Estar em ambientes que valorizam o hábito da leitura é uma forma de se manter estimulado e atualizado. Você pode acompanhar lançamentos, procurar por classificações e resenhas, enfim, tudo que o insira cada vez mais no mundo dos livros. 
  10. Use a tecnologia a seu favor: Apesar de a internet e os dispositivos serem uma grande fonte de distração, podemos usá-los como aliados na hora da leitura. Você pode optar por um dispositivo de leitura digital como alternativa a livros em formato físico, pode usar o bloco de notas do celular para anotar suas citações preferidas e pode usar aplicativos para criar e acompanhar suas metas. Vale tudo, menos perder o foco da leitura, combinado? 

Boa leitura! 😊

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Furo no tempo

Imagem de relógio para contar o Tempo.

“Você acha que eu tenho tempo pra isso?”, foi a resposta que ouvi ao meu pedido. Recolhi minha mágoa, guardando-a para lidar na terapia. Passaria horas destrinchando a rejeição, parecida com aquela outra que sofri na infância e que, provavelmente, era a responsável por eu me sentir da forma como me sentia hoje. 

Mas quem tem tempo para alguma coisa nos dias de hoje? Além de extremamente ocupados com nossos afazeres, desperdiçamos horas em nossos smartphones e usamos a boa e velha desculpa do tempo. Ninguém contesta, pois, eventualmente, todos usam a mesma carta. 

Eu sei como é não ter tempo para almoçar e só comer um lanchinho, matar a ida à academia por falta de espaço na agenda, pedir uma pizza porque não deu para cozinhar, perder uma consulta por ter calculado mal o trânsito, remarcar um cinema porque precisou trabalhar até mais tarde, perder a hora porque foi deitar exausto na noite anterior. E, meu favorito: combinar de combinar um almoço entre amigas e nunca chegar às vias de fato, porque parece impossível encontrar compatibilidade entre as agendas – spoiler: quanto maior o grupo de amigas, mais difícil. 

Heidegger dizia que é a temporalidade que nos define. Mas provavelmente ele não se referia a como nos tornamos escravos de nossas vidas pela falta dele. Vivemos em falta, sempre adiando e nos esquecendo de perguntar o que realmente importa. Será que um compromisso de trabalho é mesmo mais importante do que um final de semana de folga? Nunca vi alguém exausto conseguir ser produtivo. 

Temos relógios, mas não temos equilíbrio. Esquecemos há muito que somos nós mesmos os responsáveis por administrar as 24 horas que o dia nos dá, e o dia seguinte também, e depois o outro. E não adianta resmungar, o primeiro item da agenda deve ser organizar a própria, ou o resto vira um caos.

Escolhemos o que fazer com nossa limitação de tempo, por isso, aprender sobre prioridades deveria fazer parte do currículo básico das escolas. Ficamos frustrados por não conseguir dar conta de tudo o que gostaríamos e, invariavelmente, chateados se não somos escolhidos – ou priorizados – por outras pessoas. 

Por isso, quando meu irmão disse que não tinha tempo para me ajudar a instalar meu quadro novo fiquei chateada: ou ele não me priorizou, ou apenas usou a desculpa do seu relógio. É apenas um furo na parede, pelo amor de Deus!

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Amor na Quarentena

Máscaras de Tecido usadas durante a quarentena da pandemia Covid-19.

Mal posso dizer que me lembro da primeira vez que nos vimos. Estávamos no supermercado, ambos usando máscaras no rosto e com as mãos ainda úmidas do mandatório álcool em gel. Não era comum encontrar muitas pessoas fazendo compras às três da tarde, ainda assim, lá estávamos nós. Reparei nele em frente ao balcão da padaria, parado, esperando pacientemente com uma cesta em mãos. Eu, empurrando meu carrinho, parei na seção de frutas e verduras e comecei a escolher tomates, depois cenouras e, por último, maçãs. 

Estava pensando se devia pegar mais cenouras para fazer um bolo quando ele passou carregando um nas mãos. Salivei, constatando que realmente seria mais fácil comprar um bolo pronto. Mas, uma das metas que estabeleci na quarentena foi justamente a de me aprimorar na cozinha. Enquanto estava trabalhando não tinha tempo para nada e vivia dependendo de restaurantes e comida congelada, mas desde a demissão, estava usando a cozinha como forma de relaxar, uma dentre as várias tentativas de não surtar. 

Passava algumas horas diárias em frente ao computador, enviando currículos, mesmo que houvesse pouca esperança de conseguir um emprego em meio à pandemia. E, no restante do tempo, precisava me ocupar com outras coisas, certo? Voltei e enchi um saco com mais cenouras, além de escolher algumas mandioquinhas para fazer aquela receita de sopa que havia encontrado no dia anterior.

Perdi meu companheiro de vista por algum tempo e só fui reencontrá-lo no caixa, quando percebi que ele parou atrás de mim em uma fila composta por nós dois e mais uma senhora de bastante idade. Esvaziei meu carrinho, colocando tudo em cima do balcão e cumprimentei a atendente que passava os produtos em frente ao scanner, concentrada demais para me responder. Fui até a outra ponta para colocar os itens em sacolas e travei uma batalha silenciosa com o pedaço de plástico em minhas mãos. Eu tinha o hábito de molhar a pontinha do dedo com saliva para conseguir abrir a sacolinha, hábito banal antigamente, mas que seria brutalmente condenado em tempos de coronavírus. 

– Deixa que eu te ajudo – ele disse, se aproximando e pegando uma sacola de cima do balcão – Faz assim – roçou as pontas do plástico uma na outra até que se desprenderam. 

Virei, olhando-o de perto dessa vez. Tudo o que pude concluir foi que seus olhos eram bonitos. Ainda estava me habituando a ler expressões faciais apenas pelas sobrancelhas, então não consegui sequer precisar se ele sorria por baixo da máscara ou não. 

– Obrigada – respondi e voltei a me concentrar em meus produtos. 

Terminei de guardar, inseri meu cartão na maquininha e fui embora, com sacolas penduradas em ambos os braços e feliz por estar com as mãos ocupadas e não poder coçar meus olhos, que insistiam em arder em horas impróprias. Ainda era estranho não poder tocar meu próprio rosto, e respeitar todas as novas normas de higiene exigia esforço. De repente me sentia extremamente consciente de tudo o que fazia quando estava na rua. 

Voltei para o prédio, esperei o elevador esvaziar para entrar – outra norma de segurança – e subi. Tirei os sapatos antes de entrar em casa, passei mais uma camada de álcool nas mãos com o frasco que agora ficava em cima de um vaso de planta ao lado da porta e, finalmente, entrei.

Não pensei mais nisso, até que, dois dias depois, achei tê-lo visto saindo do elevador. Eu havia descido para levar o lixo até a garagem. Mas, como estava sem óculos, e só o vira uma vez – e apenas metade de seu rosto – não podia afirmar. Pensando bem, podia ser qualquer um. Era difícil identificar as pessoas tão cobertas, especialmente porque em geral em saía sem meus óculos, já que as lentes ficavam completamente embaçadas com a respiração abafada pela máscara de tecido. 

Após tanto tempo em casa, me sentia melancólica, com saudade de pequenas coisas, como ver o rosto de alguém por inteiro. Isso sem contar na falta que me fazia uma caminhada ao ar livre, sentindo o sol batendo em minha pele enquanto andava com Nina em um parque, me deixando levar por seus puxões na coleira. Sentia falta de almoçar fora, pedir um suco, escolher uma sobremesa, ver pessoas aleatoriamente ao longo do dia, e não apenas alguns poucos rostos conhecidos em chamadas pré combinadas pela tela do celular.

Enquanto estava em casa me protegendo, sentia falta da vida. 

O interfone tocou, me tirando de meus devaneios e os latidos de Nina me trouxeram de volta à realidade. Um homem, que se apresentou como “Miguel, o vizinho do cento e vinte três”, disse que precisava comprar máscaras de tecido e que alguém do prédio havia me indicado. Logo imaginei dona Tereza, anunciando de andar em andar meu novo serviço. 

Fui demitida da agência assim que a pandemia começou. Sabíamos que enfrentaríamos um período de recessão e, numa medida preventiva, a empresa demitiu metade do time de marketing, inclusive eu. Passando o dia todo em casa, desenterrei a máquina de costura que herdei de vovó, assisti alguns tutoriais na internet e voilà! Usei alguns restos de tecido e elástico para criar minhas próprias máscaras. Basicamente, alternava entre mandar currículos, cozinhar, costurar e maratonar episódios de séries. Me guiava pelos horários de refeições de Nina e agradecia todos os dias por ter sua companhia. 

A campainha tocou e ela começou a latir, prendi-a na cozinha para poder atender. Miguel, como você já deve ter adivinhado, era o tal mascarado do supermercado. Nos apresentamos e ele disse que precisava comprar algumas máscaras, pois as que encontrava por aí sempre tinham elásticos justos e o deixavam com dor nas orelhas. Ri e disse que não havia problema, eu podia fazer do tamanho que ele desejasse. 

Convidei-o a entrar e passamos pelo desajeitado ritual de tirar os sapatos, passar álcool em gel nas mãos e manter as máscaras no rosto. Era a primeira vez que alguém entrava em casa em muito tempo. Fui até a lavanderia em busca de minha caixa de tecidos e Nina escapou sem que eu percebesse. Quando voltei para a sala, encontrei Miguel sentado no chão fazendo carinho do pescoço da cadelinha que não parava de se balançar, não era apenas o rabo que ela abanava, era o corpo inteiro. Talvez Nina estivesse ainda mais sedenta do que eu por contato humano. 

Mostrei uma máscara pronta a ele, os tecidos que tinha em casa e tirei algumas medidas de seu rosto. Ele escolheu algumas cores neutras e combinamos que eu lhe avisaria quando as máscaras estivessem prontas. Isso implicou em trocarmos nossos números de telefones. 

Daí em diante, passamos a nos ver quase todos os dias pelo prédio, na garagem, elevador ou portaria. Provavelmente nunca havíamos nos encontrado antes porque nenhum dos dois parava em casa, mas agora estávamos todos forçosamente presos em nossos ceps. Ele era programador e estava trabalhando em casa desde o início da quarentena.

Também começamos a trocar mensagens e conversar sobre temas aleatórios. Era divertido ter alguém para conversar em meio à pandemia, falar sobre qualquer outra coisa que não fosse “e a vacina, quando será que fica pronta?”. É claro que eu ainda saía de casa para fazer algumas compras e também visitava minha mãe, ainda que sem descer do carro, mas me apresentar a uma pessoa nova era uma forma de não esquecer quem eu era. O que parecia positivo, após tanto tempo em casa olhando para as paredes e fazendo monólogos com um cachorro. 

Assim que terminei as máscaras, avisei-lhe por mensagem. Ele, em resposta, disse que teria reuniões por vídeos até o fim do dia, então só poderia vir buscá-las no dia seguinte. Antes que eu pudesse me oferecer para subir e entregá-las, veio o convite. Miguel perguntou se eu gostaria de jantar com ele na sexta-feira, em casa, claro. Senti um frio no estômago só de imaginar como seria ter contato de verdade com alguém após seis meses de isolamento social. Já que ambos morávamos sozinhos e estávamos respeitando todas as regras, topei. Pedi que fosse em minha casa, para não deixar Nina sozinha, e ele pareceu animado com a oportunidade de revê-la. 

Então, na sexta-feira, após o expediente, ele enviou uma mensagem e desceu até meu apartamento. Trouxe uma garrafa de vinho e já chegou tirando os sapatos, e só então me dei conta de que não deveria deixá-lo descalço por tanto tempo. Ofereci-lhe uma de minhas pantufas e ele escolheu a de unicórnios. E foi assim que, de repente, havia mais alguém na casa além de mim, uma cadela e algumas plantas. 

– É bom ter alguém para conversar – disse enquanto ia até a cozinha buscar taças e um abridor para a garrafa. 

– Também acho – respondeu se sentando em uma cadeira e acariciando os pelos do pescoço de Nina – eu já estava enlouquecendo. 

Eu já sabia que ele era carioca, por seu sotaque inconfundível. Enquanto conversávamos, ele contou que toda a família morava no Rio de Janeiro, e ele veio para São Paulo assim que se formou porque conseguiu um emprego aqui. Sua companhia eram os colegas de trabalho e um amigo dos tempos de escola que também havia se mudado. Agora, trabalhando de casa, estava privado de contato físico com todos. Eu lhe contei que havia sido demitida e que estava numa corrida por um emprego novo, algo que obviamente estava ainda mais difícil nesse momento. 

Pedimos uma pizza e ele fez questão de descer para buscar e pagar quando chegou. Quando voltou, eu já o esperava na porta, com álcool gel em mãos. Higienizei a embalagem da pizza e nos servi. Nina deitou aos pés dele enquanto comíamos. 

– Me sinto traída! – brinquei apontando para a cadelinha adormecida. 

– O que posso fazer? Ela tem bom gosto – riu. 

Trocamos dicas de filmes e seriados, criticamos a má conduta do governo e no fim já estávamos trocando receitas. Ele prometeu que faria seu famoso hambúrguer caseiro em nosso próximo jantar.

Eu levei nossos pratos para a cozinha enquanto Miguel ficou na sala brincando com Nina, depois me juntei a eles e ficamos os três sentados no tapete. Era estranho estar perto de alguém após tantos meses sozinha, mais estranho ainda era me sentir à vontade com esse alguém. 

– O que foi? – perguntou e de repente me tornei consciente do fato que devia estar encarando-o há algum tempo. 

– Estava só pensando que é engraçado morarmos no mesmo prédio há tanto tempo e só nos conhecermos agora. 

– Viu, nem tudo o que está acontecendo esse ano é ruim. Fico feliz por ter te conhecido. 

Parou de afagar o pescoço de Nina e se apoiou no tapete, com a mão roçando na minha. Tentei puxar, em uma reação automática, mas ele a pressionou levemente. Era bom sentir um calorzinho ali. 

– Eu também – respondi, fechando os olhos quando o vi se aproximando para um beijo.

Nina latiu, nos fazendo rir, com os lábios ainda colados um ao outro. A sensação quente de sua respiração tão próximo a mim me fez estremecer. Ele me abraçou e eu me aconcheguei em seu peito. Nina pulou no meu colo, ficando entre nós, abanando o rabo. 

– Acho que era tudo o que ela queria – brinquei. 

– Eu também – ele respondeu, sussurrando em meu ouvido. 

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10 Dicas para começar a fazer Listas hoje

Listas para organização da rotina e aumento de produtividade.

Para iniciar nossa conversa, acho importante dizer que esse texto só existe porque fiz uma lista de tópicos antes de escrevê-lo. 

Listas são as maiores aliadas da organização. A neurociência afirma que listas e tópicos são mais facilmente processados pela mente, ajudando na categorização e memorização de informações. 

Listar tarefas para ajudar na organização do cotidiano e das atividades é um dos maiores aliados da produtividade. Pessoas que usam esse recurso conseguem priorizar a ordem de execução, dosando bem sua atenção e, por consequência, gerenciando melhor seu tempo. 

Anotar suas pendências é uma forma de obter um mapa visual de tudo o que se tem para fazer. Esse exercício valioso permite esvaziar a mente, colocando no papel tudo aquilo que antes se esforçava para lembrar. Tendo listas como auxiliares, você pode se focar no que realmente importa, sem gastar energia tentando reter os itens na memória. 

Ter uma agenda como ferramenta, por exemplo, é ter a garantia de que não esquecerá nenhum compromisso. Além de organizar a estrutura temporal do seu dia, ela auxilia na tomada de decisões e na escolha de quais devem ser suas prioridades. 

Você pode criar listas para diferentes áreas da sua vida, basta aprender a categorizar os itens, agrupando os temas que podem ser executados em sequência ou que dizem respeito a um mesmo assunto. 

Não apenas para organizar seu próprio trabalho, você pode usá-las ainda como recurso na hora de delegar tarefas a outras pessoas. Anote todos os itens que delegou em uma lista de “aguardando resposta”, assim pode revisá-la periodicamente e saberá os prazos, pessoas responsáveis e o que deve ser cobrado. 

Também é uma excelente ferramenta para projetos compartilhados, onde tudo deve ser registrado para que o grupo todo tenha acesso às informações, o andamento e a conclusão de cada atividade. 

Um segredo para conseguir cumprir grandes projetos ou atingir metas é quebrá-los em tarefas menores, estabelecendo submetas, assim, você caminha, passo a passo, rumo ao êxito. Lembre-se sempre de priorizar as atividades da lista e executá-las na ordem que for necessária ou mais conveniente para você. Faça com que a organização trabalhe a seu favor! 

Também é preciso destacar o poder do cumprimento de uma lista. É fato que sentimos prazer ao riscar um item da lista. Saber que concluímos algo é fator de motivação e engajamento. Poder acompanhar de maneira visual e concreta a conclusão de tarefas nos mostra o quanto somos capazes, estimulando a vencer desafios. É uma maneira tangível de acompanhar a capacidade, além de ser uma boa métrica de desempenho e desenvolvimento.  

A seguir, estão alguns tipos e sugestões de listas que podem te ajudar a começar a organizar sua rotina: 

  • Tarefas;
  • Compromissos;
  • Compras;
  • Viagens;
  • Itens para uma festa;
  • Delegar Tarefas; 
  • Pendências;
  • Prioridades;
  • Prós e Contras.

A lista é só o primeiro passo para uma vida mais organizada e produtiva. Uma vez que você pode canalizar sua energia em outras coisas, é preciso se dedicar à execução das tarefas. 

Confira essas dicas para não se perder nunca mais na organização de sua rotina:

  1. Anote tudo: Use uma agenda ou aplicativos, as ferramentas são suas aliadas na organização. É mais inteligente usar um pouco de tempo para organizar a rotina do que deixá-lo escapar enquanto tenta se lembrar de todos seus compromissos e afazeres. 
  2. Respeite seu tempo: Uma vez que você anotou, tem conhecimento de tudo o que tem para fazer, com suas devidas demandas de tempo, energia e prazos. Você precisa ser o guardião do próprio tempo, por isso, comprometa-se a realizar aquilo que se propôs, de forma coerente e razoável. 
  3. Reserve tempo para os imprevistos: Por mais organizado que seja, e por mais que se comprometa consigo mesmo, sempre surgirão imprevistos que precisarão de atenção imediata e passarão na frente do planejamento. Por isso, é importante que você não comprometa todo o seu tempo, deixe que sobrem janelas ou intervalos para lidar com essa demanda imediata e, se necessário, restabeleça a ordem e prioridade dos itens.
  4. Tenha uma caixa de entrada: Pode ser o bloco de notas do celular ou um caderninho de papel na bolsa. Tenha um lugar para anotar tudo o que chega de novo, assim você não precisa comprometer sua memória e atenção com as novas demandas, podendo direcioná-las posteriormente às devidas categorias. 
  5. Abuse das listas: Faça várias listas, use e abuse desse recurso. Ao invés de criar uma grande lista, separe-as por categorias ou contextos. Isso te permite ir direto ao ponto, se focando apenas no que importa em cada momento. 
  6. Divida projetos: Isso mesmo, divida grandes projetos em algumas listas de atividades, use o critério mais conveniente para cada situação, como prioridade, tipo de tarefa, local de execução ou ordem de dependência (caso a execução de um item dependa da conclusão do anterior). O mais importante é quebrar algo grande em pequenos pedaços que serão mais facilmente realizáveis. Sem nunca perder a dimensão do todo, é claro. 
  7. Revise: Tão importante quanto anotar, é revisar. Encaixe em sua rotina o momento de revisitar e revisar suas listas, isso te permitirá acompanhar o andamento dos projetos, além de ajudar a não esquecer de nada. 
  8. Não esqueça das tarefas delegadas: Sempre que uma atividade for delegada a outra pessoa ou estiver em uma etapa de espera, anote. Assim, ao fazer sua revisão, poderá conferir os prazos e entrar em contato com o responsável, se necessário. 
  9. Se dê recompensas: Você pode criar um sistema de recompensas para quando concluir um item ou lista. Afinal, é preciso comemorar pequenas vitórias e visualizar progressos. 
  10. Descanse: Ufa! Não esqueça que dentro de sua agenda, deve sempre haver um tempo reservado ao descanso e ao lazer. Ninguém consegue ser produtivo se estiver exausto. 

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Maçã do Amor

Maçãs do amor caramelizadas e confeitadas.

Quando concordei em participar do evento, não imaginei que teria tanto trabalho. Como se não bastasse ter que ir à maldita festa, eu havia sido encarregada de comprar bugigangas, fazer uma receita, e fora para decorar o salão algumas horas antes do grande dia.

Meu vestido já estava separado, junto com as sandálias de salto alto e os acessórios, eu sabia exatamente a maquiagem faria e como prenderia meu cabelo. O dia precisava ser perfeito, meu sorriso estaria parafusado no rosto, disso eu tinha certeza. Afinal, todos estariam lá, desviando seus olhares em minha direção. 

Cheguei em casa após algumas horas enfrentando o calor escaldante que fazia na rua, parecia impossível ser tão difícil comprar um pacote de palitos de madeira. Andei quase a avenida toda até ter algum sucesso. A volta para casa, dentro do vagão quente do metrô, serviu apenas para coroar um dia horrível. Tive medo de que as maçãs fossem amassadas, mas sobreviveram à aventura. 

Fui direto para a cozinha, depositei as sacolas e a bolsa em cima do balcão e fui até a torneira para lavar as mãos. Aproveitei e joguei um pouco de água fria no rosto e na nuca, gerando um alívio instantâneo para o calor que emanava de minha pele suada. Ainda com os olhos fechados, alcancei a gaveta de panos de prato e peguei um novo para secar o rosto. 

Desbloqueei a tela do celular, procurei a receita em meio à conversa das madrinhas e finalmente dei início ao ritual culinário. Separei, cuidadosamente, todos os ingredientes em cima da pia: açúcar, vinagre, corante, as maçãs e os benditos palitos. 

Liguei o som, deixando a música invadir a casa e meus ouvidos. Escolhi uma assadeira grande, forrei com papel manteiga enquanto cantava alto junto com Taylor Swift, pena que uma de nós sempre errasse o tom. 

Abri a torneira e lavei as maçãs, uma a uma, com cuidado, me certificando que nenhuma delas estava machucada, afinal, a aparência era de suma importância naquele dia. Tirei os cabinhos, substituindo-os por palitos de madeira, aplicando força para encaixá-los dentro de cada maçã. Bufei, irritada, ao quebrar o primeiro palito em minhas mãos. Peguei outro e tentei com menos força, até que consegui espetá-lo na maçã, rompendo sua casca e penetrando em direção ao miolo do fruto, deixando um pouco de caldo escorrer entre meus dedos. Lambi a mão, voltei a me lavar e repeti o processo em cada uma das maçãs. 

Em uma panela, misturei um pouco de água filtrada com duas xícaras bem cheias de açúcar cristal e meia colher de chá de vinagre. Torci o nariz ao sentir o cheiro forte desse último entrando em minhas narinas. Liguei o fogo para aquecer a mistura e fiquei observando até que começasse a ferver. Sem mexer, apenas usei uma espátula de silicone para ir limpando o açúcar que se acumulava nas bordas do recipiente. Depois do ponto de fervura, deixei cozinhar por cerca de vinte minutos, diminuindo o fogo e tampando a panela. 

Aproveitei o intervalo e fui até o quarto para me trocar, vesti algo mais leve e confortável, troquei os sapatos por minhas pantufas e, após prender o cabelo em um coque alto no topo da cabeça, finalmente me sentia em casa. Senti o cheiro adocicado que já dominava a casa toda e voltei bem a tempo de desligar o fogo. 

Peguei uma colherada da mistura e despejei em um pote cheio de água fria. Assim como a receita descrevia, vi a pequena massa endurecer instantaneamente, retirei, apoiando na pia e dei uma pancadinha com a colher, assistindo-a se quebrar. No ponto, firme e crocante. 

De volta à panela, acrescentei meia colher de corante vermelho em pó. Depois, fui até o armário e peguei o pequeno frasco sem rótulo que guardava atrás das xícaras. Despejei cinco gotas na mistura fervente, mexi com uma colher, e dei mais um esguicho, perdendo a conta. Faria diferença? 

Ri, aumentando ainda mais o som, e levei a panela para cima da pia. Cantei, usando a colher melada como microfone e fiquei observando enquanto a calda esfriava e parava de borbulhar. Me aproximei para sentir seu cheiro doce e convidativo. 

Inclinei a panela, e comecei a mergulhar as maçãs, uma a uma, segurando-as pelos palitos. Depois de mergulhar, levanta-as de volta e esperava o excesso de calda escorrer de volta para a panela. O passo seguinte era polvilhar com os pequenos confeitos coloridos em formato de coração. 

Fui ajeitando-as na assadeira, com algum espaço entre cada uma, para que não grudassem. Agora só precisaria esperar que esfriassem bem para então embrulhar em saquinhos transparentes, amarrados com um lacinho no topo. E assim tudo estaria finalmente pronto para o chá de panela.

Olhei para a pia com a louça suja acumulada e revirei os olhos, esperava ao menos que o noivo apreciasse meu esforço em me aproximar de sua querida futura esposa. Desliguei o som, ainda cantarolando e saí da cozinha, apagando a luz atrás de mim.