Publicado em Crônicas, Textos

Ritual

Mesa preparada para escrever, com Notebook, caderno e uma xícara de café.

Sofro do que chamo de procrastinação produtiva. Sou uma pessoa extremamente acelerada, daquelas que não consegue ficar parada, estou sempre fazendo algo e já pensando na lista das próximas atividades. Até o fim do dia já terei acrescentado mais itens e, se der tempo, passo a lista a limpo, porque ninguém merece ficar olhando para uma folha toda rabiscada. 

Ordem e método são palavras que fazem carinho a meus ouvidos. Mas, apesar de ser super produtiva, isso não significa que eu seja sempre assertiva. É vergonhosa a quantidade de vezes em que na verdade não sou. 

O fato de não ficar parada dá a falsa sensação de que estou sempre em dia com os compromissos. Mas acabo perdendo muito tempo criando pequenos rituais, ou refazendo o que já estava feito, em busca de uma falsa sensação de perfeição que me traz alívio, ainda que momentâneo.

Tento resolver pequenas pendências antes de começar a fazer o que realmente importa. Por um lado, tiro um monte de coisas da mente e coloco alguns compromissos em dia. Por outro, já estou cansada quando finalmente vou começar o dia, parece que o relógio vive correndo contra mim.

Por exemplo, antes de escrever, escolho um caderno para colocar os primeiros rascunhos. Abro a pasta do computador onde guardo meus arquivos, releio trechos, reorganizo a ordem dos textos, crio pastas para categorizá-los e passo algum tempo remexendo no que já foi feito.

Em seguida, preparo meu espaço de trabalho e gasto muito tempo criando as condições ideais: luz, espaço, um chazinho ou café para acompanhar. Tem dias em que até acendo uma velinha aromática para dar um toque ao ambiente. Tudo precisa estar confortável e propício para a atividade, como se fosse isso que a possibilitasse. Crio uma mesa digna do Pinterest, aí paro para tirar uma foto, é claro.

Depois, finalmente me concentro e começo a rabiscar, crio tópicos para estruturar o texto. Por vezes me distraio com uma ideia nova que surge e paro para fazer anotações em paralelo. É sabido que perdemos tempo na troca de contexto. E assim, demoro para voltar minha concentração para a ideia original.  

Faço tudo antes de fazer o que realmente importa: sentar e começar a escrever. Não importa muito se o primeiro rascunho será feito no computador, em um caderno ou em um guardanapo amassado. O mais importante é me permitir deixar as ideias fluírem, tornar minha mão com a caneta um instrumento criativo. Escrever sem filtros ou bloqueio. A revisão fica para um segundo momento, com seus próprios rituais.

Não espere o momento perfeito, considere o agora como o sinal que você estava esperando. Comece, só assim poderá testar, conhecer seus resultados e progredir.

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