Publicado em Crônicas, Textos

Balada

08-balada

Na sexta-feira já começa o esquenta. Depois da aula vou para um barzinho com o pessoal. Depois durmo e descanso bem para o sábado. No sábado vou para a balada.

Todo sábado tem balada. A turma é grande e é difícil reunir todo mundo, pois alguém sempre tem um compromisso com a família ou uma prova pra estudar. Mas vamos nos revezando e ninguém nunca fica na mão. Geralmente vou pra casa da Bia e nos arrumamos juntas por lá, depois o pai dela nos deixa na porta do lugar (ele acha mais seguro assim). Esperamos o resto do pessoal chegar e enquanto isso começamos a conversar com alguém na fila.

Eu adoro ir pra balada, gosto muito de dançar com as minhas amigas. O problema é que é uma noite carregada de ansiedade e expectativas. Por mais que eu negue, sempre tem aquele friozinho na barriga e eu me pergunto “será que é hoje que eu vou conhecer alguém especial?”. E especial para quê? Para sair comigo e assim eu não precisarei mais ir para a balada? É de se pensar… Eu tenho pensado bastante ultimamente.

Finalmente o pessoal chega, a porta se abre e a noite começa. Acho engraçado que apesar de gostar de estar na companhia dos meus amigos, lá dentro é impossível de conversar, só conseguimos nos escutar se gritarmos. Enfim, vamos até o banheiro, depois até o bar e ficamos andando pela casa procurando um lugar na pista de dança e, depois de mudar algumas vezes, achamos um lugar para ficar. Começamos a dançar e rir, afinal já estamos ficando um pouco altos. Alguém se aproxima e começa a puxar papo, tentar dançar conosco. E vamos deixando rolar. Aos poucos cada um de nós vai “se ajeitando”.

Eu conheço o Carlos (o André, o Pedro, o Rafael), nós começamos a dançar, ele me puxa para perto e pergunta meu nome. “Dani”, eu respondo. Ele se apresenta e continuamos dançando em silêncio. Nos beijamos, rola aquele clima e depois procuramos um lugar mais calmo para podermos conversar. Fico sabendo sua idade, o que ele estuda, com o que trabalha, que veio do interior de São Paulo, que é guitarrista de uma banda de garagem e que tem dois cachorros. Ficamos durante a noite toda, até que chega a hora de ir embora.

No dia seguinte, nos adicionamos no facebook, mandamos uma mensagem e, ou ele some ou eu me canso e me afasto, ou, com sorte, marcamos um segundo encontro. Com o Carlos teve um segundo encontro. Combinamos de ir num barzinho, alí perto da Alameda Santos. Ele me pegou no metrô e fomos conversando até lá, dei sorte, ele parece ser uma pessoa legal. Passamos a noite conversando e descobrindo mais coisas um sobre o outro.

Volto pra casa com aquele friozinho na barriga, me perguntando quais são as intenções dele e se “temos futuro”. Bom, já me sinto na liberdade de dar aquela olhadinha básica no facebook dele e ver fotos, amigos, postagens. É, até aqui ele está aprovado, a fase seguinte é falar sobre ele com as amigas e pedir conselhos.

Mensagem vai, mensagem vem e passamos a semana toda conversando. Na quinta-feira ele me chama para sair de novo e no final de semana vamos ao cinema e assistimos um filme que eu nem sequer consigo lembrar o nome. Depois jantamos e ele me acompanha até o metrô.

Parecia estar tudo bem nas primeiras três semanas, até que começou o já tão conhecido distanciamento. Ele chega devagar, começa com um intervalo maior entre as mensagens, depois o assunto vai terminando, eu percebo que estou me esforçando para manter uma conversa que já não flui naturalmente. Será que vai acontecer de novo?

Aconteceu. Chamei ele para sair no final de semana e ele disse que não podia, tinha que ir no aniversário de uma tia, aí no sábado foi marcado em uma foto na mesma balada em que nos conhecemos. Conversamos a respeito e ouvi o clichê já decorado (por nós dois) de que ele gostou muito de mim e que sou uma pessoa incrível e que mereço arrumar alguém tão legal quanto eu, mas ele não está em um bom momento e não quer se envolver agora. Eu já sabia, Carlos. Já sabia.

Choro, choro mesmo sabendo que não devia chorar. Ligo pra Cris e pergunto se ela pode vir aqui em casa, e ela vem munida de muito brigadeiro. Passamos a tarde toda conversando sobre meninos, futuro e as tão terríveis expectativas. E aí me dou conta de que preciso começar tudo de novo. Agora vai ser diferente, pois o pé na bunda tem que ter servido para alguma coisa, aprendi minha lição.

Mais uma semana vem e vai. Na sexta-feira já começa o esquenta. Depois da aula vou para um barzinho com o pessoal. Depois durmo e descanso bem para o sábado. No sábado vou para a balada.

Todo sábado tem balada.

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