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Ativação Reticular

Céu em tons de rosa e roxo.

Talvez você já tenha ouvido falar em “Sistema Ativador Reticular”, ou S.A.R., para os íntimos. Esse sistema fica em nosso cérebro, sendo o responsável pela filtragem de toda informação que processamos. Já que não damos conta de absorver toda a informação e estímulos que estão à nossa volta, o S.A.R. funciona como um filtro, deixando entrar somente a informação que é relevante. Isso é o que nos permite focar nas coisas importantes.

Vou dar um exemplo prático: na semana anterior, em meio a uma reunião, conversei sobre Inteligência Emocional, um conceito tão em alta. No mesmo dia, reparei que tinha um livro com o mesmo título em minha estante. Claro, fora lido na época da faculdade, mas, apesar de olhar para a estante todos os dias, já havia me esquecido que ele estava ali. Logo naquele momento, reparei em sua presença. Que coincidência!

Depois disso, me deparei com o conceito de Inteligência Emocional em uma palestra sobre a importância do autoconhecimento para modificar comportamentos. Em seguida, uma ex-colega de escola postou em suas redes sociais que estava fazendo um curso online sobre o tema. Eu, graças à minha ativação reticular, fui atrás do tal curso.

A partir do momento que esse virou um tema para mim, ele passou a aparecer como mágica em minha tela e caixas de entrada. O termo “Propósito” foi outro que não tardou em transbordar por aí, chamando a minha atenção.

Tudo isso vem de encontro com meu atual momento emocional, estou extremamente tocada pelo tema do autoconhecimento. Venho a cada dia me convencendo de que talvez esse seja o caminho para me reencontrar.

Depois de tanto tempo trabalhando, me vi com medo de mudar, de explorar uma nova área e encerrar um caminho que venho percorrendo até então. E, principalmente, medo de colocar energia e expectativas em algo que talvez não dê resultados.

A verdade é que não sei o que quero, mas, pela primeira vez em muito tempo, me permiti explorar. Estou conhecendo uma nova área, entrando em contato, graças aos muitos e-books gratuitos sobre o tema e todo o conteúdo disponível na internet. Ainda tímida e muito receosa, comecei a estudar e pesquisar sobre novos assuntos. Mas, mais importante do que ser autodidata, é ter coragem de arriscar, não me contentar apenas em ser aluna, consumindo conteúdo de forma passiva, como um espectador assistindo a um jogo. Preciso conseguir entrar no meio do campo, para descobrir se há lugar para mim. É preciso enfrentar a folha em branco e começar a rascunhar. Afinal, sempre pode-se editar um rascunho, lapidar, aperfeiçoar. Enquanto o vazio continuará sendo o mesmo no fim do dia: nada.

Estou tentando me manter focada nisso, organizei um cronograma de estudos, pretendo praticar e acredito que só assim, entrando em contato com a área, é que posso desmistificar o processo de transição de carreira.

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Morada

Tati segurando uma caneca nas mãos.

Habitar é permanecer por determinado período. É ter lugar para ficar e se sentir em casa. Dentre todas as casas que já tive, a que melhor me acolheu foi o meu corpo.

Meu corpo é minha morada, é nele que vivo; é nele que sou. Nunca consegui ser fora dele, carrego-o em todas as minhas andanças e é sempre ele quem dita o ritmo.

Uso o corpo como forma de expressão, a linguagem não verbal grita por entre meus poros. A cor do cabelo, as roupas que escolho vestir, minha – péssima – postura, tudo! É preciso me sentir confortável nele, já que, até onde sei, somos inseparáveis. O conjunto do que sou comunica aos outros uma infinidade de coisas sobre mim. É dentro e a partir do corpo que desempenho os diferentes papéis sociais que carrego.

Nem sempre a relação entre o mundo interno e externo é clara. Tem dias em que me sinto poderosa, munida de toda minha razão, ferramentas e equipamentos tecnológicos, achando que posso dar conta de tudo. Basta uma noite mal dormida ou dor de cabeça e até os planos mais sólidos vão abaixo.

É preciso encarar os fatos: sou dentro dos limites de meu organismo. A saúde física e emocional é fundamental para qualquer atividade e, nesse tempo em que estou confinada dentro de casa, briguei e fiz as pazes comigo uma infinidade de vezes.

Já tentei criar rotinas de exercícios algumas vezes, faço funcionar por algum tempo e depois me perco; uso um aplicativo que dispara lembretes para que eu beba mais água e, por causa disso, não paro de fazer xixi; investi em autocuidado, por ver nos rituais uma das poucas formas que tenho para me cuidar no pequeno espaço de minha casa; adotei uma rotina de skincare e hoje sou tarada por uma máscara facial.

Cuido da pele, do corpo, da casa, da alma. Acredito que me cuidar é um ato de amor próprio. Fazer um chá no fim do dia para embarcar em uma leitura é mais do que uma tentativa desesperada de calar a ansiedade que me assombra o dia inteiro; é uma forma de ter um encontro comigo, de apreciar minha própria companhia, e acalmar o coração e a mente para conseguir pegar no sono.

Aprendi a me dar pausas, relaxar e, se for preciso, dizer um sonoro “não” a demandas externas, porque eu necessito de limites. Preciso usar parte do meu tempo comigo mesma, ou não farei nada direito no dia seguinte.

Nas últimas duas semanas, vivi uma dor de garganta que preocupou mais do que deveria, desestabilizou minha saúde física, destruiu o fiapo de sanidade que me restava e trouxe uma carga externa de ansiedade de todos aqueles que me querem bem.  

Em meio à correria da rotina, tratei os sintomas e descansei. Pequenas pausas entre uma reunião e outra salvaram meus dias. Sei que minha produtividade caiu significativamente e que devo textos a muita gente, mas silenciei o que gritava fora e me reconectei comigo. Precisamos nos entender primeiro, meu corpo e eu, para que então eu pudesse melhorar.

Eu não disse que é o corpo quem dita o ritmo? É ele quem faz as regras, e não eu. Mas, como somos um só, seguimos juntos. Hoje acordamos bem.