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Morada

Tati segurando uma caneca nas mãos.

Habitar é permanecer por determinado período. É ter lugar para ficar e se sentir em casa. Dentre todas as casas que já tive, a que melhor me acolheu foi o meu corpo.

Meu corpo é minha morada, é nele que vivo; é nele que sou. Nunca consegui ser fora dele, carrego-o em todas as minhas andanças e é sempre ele quem dita o ritmo.

Uso o corpo como forma de expressão, a linguagem não verbal grita por entre meus poros. A cor do cabelo, as roupas que escolho vestir, minha – péssima – postura, tudo! É preciso me sentir confortável nele, já que, até onde sei, somos inseparáveis. O conjunto do que sou comunica aos outros uma infinidade de coisas sobre mim. É dentro e a partir do corpo que desempenho os diferentes papéis sociais que carrego.

Nem sempre a relação entre o mundo interno e externo é clara. Tem dias em que me sinto poderosa, munida de toda minha razão, ferramentas e equipamentos tecnológicos, achando que posso dar conta de tudo. Basta uma noite mal dormida ou dor de cabeça e até os planos mais sólidos vão abaixo.

É preciso encarar os fatos: sou dentro dos limites de meu organismo. A saúde física e emocional é fundamental para qualquer atividade e, nesse tempo em que estou confinada dentro de casa, briguei e fiz as pazes comigo uma infinidade de vezes.

Já tentei criar rotinas de exercícios algumas vezes, faço funcionar por algum tempo e depois me perco; uso um aplicativo que dispara lembretes para que eu beba mais água e, por causa disso, não paro de fazer xixi; investi em autocuidado, por ver nos rituais uma das poucas formas que tenho para me cuidar no pequeno espaço de minha casa; adotei uma rotina de skincare e hoje sou tarada por uma máscara facial.

Cuido da pele, do corpo, da casa, da alma. Acredito que me cuidar é um ato de amor próprio. Fazer um chá no fim do dia para embarcar em uma leitura é mais do que uma tentativa desesperada de calar a ansiedade que me assombra o dia inteiro; é uma forma de ter um encontro comigo, de apreciar minha própria companhia, e acalmar o coração e a mente para conseguir pegar no sono.

Aprendi a me dar pausas, relaxar e, se for preciso, dizer um sonoro “não” a demandas externas, porque eu necessito de limites. Preciso usar parte do meu tempo comigo mesma, ou não farei nada direito no dia seguinte.

Nas últimas duas semanas, vivi uma dor de garganta que preocupou mais do que deveria, desestabilizou minha saúde física, destruiu o fiapo de sanidade que me restava e trouxe uma carga externa de ansiedade de todos aqueles que me querem bem.  

Em meio à correria da rotina, tratei os sintomas e descansei. Pequenas pausas entre uma reunião e outra salvaram meus dias. Sei que minha produtividade caiu significativamente e que devo textos a muita gente, mas silenciei o que gritava fora e me reconectei comigo. Precisamos nos entender primeiro, meu corpo e eu, para que então eu pudesse melhorar.

Eu não disse que é o corpo quem dita o ritmo? É ele quem faz as regras, e não eu. Mas, como somos um só, seguimos juntos. Hoje acordamos bem.

Publicado em Lifestyle, Textos

Arrumado não é Organizado!

Mulher organizando uma  pilha de roupas.

Se você chegou aqui esperando encontrar uma solução mágica para a bagunça, sinto lhe informar que não conheço nenhuma. Mas, lendo até o final, descobrirá algo que pode mudar a sua vida e, de brinde, ganhar algumas dicas. Está pronto?

Para começo de conversa, quero deixar claro que é isso mesmo: arrumado não é organizado!

Calma, você já vai entender a diferença entre os dois para poder escolher o que a sua casa ou a sua vida, realmente precisam.

Sabe quando você vai receber uma visita e guarda tudo dentro do armário? O balcão fica livre, bem arrumadinho. Dá uma sensação de paz, não dá? Eu sei, já senti também. Mas quanto tempo isso dura? Na minha experiência, um ou dois dias, no máximo. E nem vamos falar sobre o medo de precisar abrir a fatídica porta e deixar tudo cair rolando.

Isso acontece porque arrumar é acomodar as coisas, ajeitar para fazer caber, encaixar. Mas, o simples ato de tirar da vista é como varrer a sujeira para baixo do tapete: ela continua lá. Você até pode sentir que tudo está organizado, esteticamente agradável, mas o trabalho não é duradouro e logo a bagunça está de volta.

Então, se arrumar pode ser fácil, mas não resolve o problema, o que fazer com tudo o que eu tenho em casa?

Arrumar pode ser o primeiro passo, para tirar o excesso de coisas da frente, mas não é solução. Seja em casa, na bolsa ou no escritório, o segredo é: Organizar! Uma vez e de uma vez por todas.

Organizar é, em essência, pensar. Encontrando uma lógica que funcione para cada pessoa e ambiente. Quem se dispõe a organizar está em busca de soluções práticas e definitivas. Assim, podemos dizer que organizar é ser capaz de reconhecer um problema e de solucioná-lo.

A Organização é um evento único e por isso requer o investimento de tempo. Fique tranquilo, você será recompensado com agilidade, produtividade, menos estresse e não perderá mais tempo com retrabalho.

Categorizar é parte fundamental da organização, é preciso pensar na utilidade de cada objeto e encontrar um grupo ou categoria para ele. Cada agrupamento ou tipo de item deve ter sua “casa”, de forma que, após o uso, você sempre saberá para onde aquilo deve voltar.

Encontrando um lugar para cada coisa, você sempre sabe onde está tudo o que precisa. Por esse motivo, toda organização deve ser personalizada de acordo com os itens, espaço e necessidades da pessoa que irá se beneficiar dela.

Não deixe de envolver a pessoa que usará o ambiente no processo de organização, já que, posteriormente, ela será a responsável por respeitar as categorias e manter cada coisa em seu lugar.

Para começar a organizar hoje:

Se liga nessas dicas para te ajudar na organização!

  1. Desapegue:O primeiro passo para a organização de um cômodo é o desapego, confira cada item e se desfaça de tudo aquilo que já não tem mais utilidade. Crie uma pilha para doações, afinal o que não serve para você ainda pode servir para outra pessoa; e uma pilha com os itens que devem ser descartados no lixo ou reciclados. Reduzir é a etapa inicial pois, ao final dela, você saberá exatamente a quantia de coisas que tem.
  2. Foco na funcionalidade: A funcionalidade deve vir antes da estética, pois de nada adianta organizar seu guarda-roupa como se fosse uma vitrine de loja se isso não for prático e funcional para sua rotina. Coisas muito elaboradas podem ficar difíceis de se manter e, portanto, não colaboram de verdade com a otimização do seu tempo.
  3. Crie categorias: As categorias são como “famílias”, você pode agrupar itens por função ou tamanho. Tenha clareza de sua lógica e escolhas, assim será mais fácil classificar cada novo item que chegar e não haverá confusão na hora de guardar um objeto após seu uso. Também é possível criar subcategorias que otimizem o espaço ou ordem de uso das coisas. Tudo depende de suas necessidades e prioridades.
  4. Organize aos poucos: Um cômodo por vez, um móvel por vez. É mais importante se demorar em criar categorias definitivas e funcionais do que querer dar conta de fazer tudo em um dia só e terminar exausto, correndo o risco de relaxar ou desistir no meio do caminho. Não se apresse, o que você está fazendo é uma verdadeira mudança em sua vida, e isso leva tempo!
  5. Crie rotinas: Depois de organizar, você verá como será capaz de poupar tempo. Para se beneficiar ainda mais, crie rotinas bem definidas que lhe ajudem a gerir seu tempo e ser mais produtivo. Use e abuse de listas para não esquecer nenhuma tarefa.
  6. Depois de organizar, pode arrumar: A arrumação não é uma vilã! A vida é corrida, nós usamos as coisas, e as tiramos do lugar. Não tem problema, uma vez que você estabeleceu uma ordem lógica e faz a organização trabalhar para você. Agora basta arrumar os poucos itens que ficaram fora do lugar. Na verdade, o trabalho de arrumação deve ser frequente, já que funciona como manutenção da organização.

Então me conta, hoje a sua casa está arrumada ou organizada?

Respira fundo e mão na massa 🙂

Publicado em Crônicas, Textos

Ritual

Mesa preparada para escrever, com Notebook, caderno e uma xícara de café.

Sofro do que chamo de procrastinação produtiva. Sou uma pessoa extremamente acelerada, daquelas que não consegue ficar parada, estou sempre fazendo algo e já pensando na lista das próximas atividades. Até o fim do dia já terei acrescentado mais itens e, se der tempo, passo a lista a limpo, porque ninguém merece ficar olhando para uma folha toda rabiscada. 

Ordem e método são palavras que fazem carinho a meus ouvidos. Mas, apesar de ser super produtiva, isso não significa que eu seja sempre assertiva. É vergonhosa a quantidade de vezes em que na verdade não sou. 

O fato de não ficar parada dá a falsa sensação de que estou sempre em dia com os compromissos. Mas acabo perdendo muito tempo criando pequenos rituais, ou refazendo o que já estava feito, em busca de uma falsa sensação de perfeição que me traz alívio, ainda que momentâneo.

Tento resolver pequenas pendências antes de começar a fazer o que realmente importa. Por um lado, tiro um monte de coisas da mente e coloco alguns compromissos em dia. Por outro, já estou cansada quando finalmente vou começar o dia, parece que o relógio vive correndo contra mim.

Por exemplo, antes de escrever, escolho um caderno para colocar os primeiros rascunhos. Abro a pasta do computador onde guardo meus arquivos, releio trechos, reorganizo a ordem dos textos, crio pastas para categorizá-los e passo algum tempo remexendo no que já foi feito.

Em seguida, preparo meu espaço de trabalho e gasto muito tempo criando as condições ideais: luz, espaço, um chazinho ou café para acompanhar. Tem dias em que até acendo uma velinha aromática para dar um toque ao ambiente. Tudo precisa estar confortável e propício para a atividade, como se fosse isso que a possibilitasse. Crio uma mesa digna do Pinterest, aí paro para tirar uma foto, é claro.

Depois, finalmente me concentro e começo a rabiscar, crio tópicos para estruturar o texto. Por vezes me distraio com uma ideia nova que surge e paro para fazer anotações em paralelo. É sabido que perdemos tempo na troca de contexto. E assim, demoro para voltar minha concentração para a ideia original.  

Faço tudo antes de fazer o que realmente importa: sentar e começar a escrever. Não importa muito se o primeiro rascunho será feito no computador, em um caderno ou em um guardanapo amassado. O mais importante é me permitir deixar as ideias fluírem, tornar minha mão com a caneta um instrumento criativo. Escrever sem filtros ou bloqueio. A revisão fica para um segundo momento, com seus próprios rituais.

Não espere o momento perfeito, considere o agora como o sinal que você estava esperando. Comece, só assim poderá testar, conhecer seus resultados e progredir.