Publicado em Crônicas, Textos

Dentro de mim

Árvores (48)

Ansiedade é o nome daquele monstro que mora debaixo do meu travesseiro e me mantém acordada madrugadas adentro. É aquilo que me prende com os dois pés no chão, me faz sentir medo de experimentar coisas novas e, ao mesmo tempo, é quem não me deixa ficar parada. Relaxar? Nunca! Afinal, o que está bem hoje pode não estar amanhã.

Às vezes ela fala mais alto do que qualquer outra voz, nem adianta gritar ou espernear, quando quer: ela (me) vence! É constante tormento, motivo de alguns dos meus banhos mais longos, quando ao invés de lavar o corpo, encharco a mente com fantasias que talvez nunca venham a acontecer – mas vai quê!

Aflição, frio no estômago, vazio, ânsia, cansaço, tontura, apatia, tremor, depressão, suor. Nos misturamos uma na outra, como galhos entrelaçados, ela com seus sintomas e eu com meus sentimentos. Carrego afeto por onde vou, e ela vem na bagagem. É impossível sermos uma sem a outra.

Nos dias mais difíceis, escrevo. Cartas, poemas, crônicas. O simples movimento das mãos me lembra que estou no controle, que posso, que escolho, que faço. As palavras são um lembrete de que sinto, sinto tanto que transbordo em letras. Ela se acanha quando eu domino, mas sei que o jogo pode virar novamente, é só uma questão de tempo. Pronto, já virou.

Entendi que vamos precisar conviver, já que nenhuma de nós vai a lugar algum. Ela tem a forma que eu dou, é contorno dos meus receios, alimento dos meus anseios. Aprendi que não preciso temê-la, mas temo que ela me afaste de você.