Publicado em Crônicas, Textos

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Bom dia, amigo, o produto é novo? Nunca usado? É original? Tem quanto tempo de garantia? Se não servir posso trocar? Qual o tamanho? E a nota fiscal? Tem a pronta entrega? Aceita duzentos? Cento e oitenta e eu retiro ainda hoje? Tem desconto a vista? Qual o valor mínimo?

Para mim a internet tem se revelado uma amostra grátis do inferno, já estou vendo o que vou encontrar por lá. Não é bonito.

É verdade que é muito bom ter a possibilidade de fazer vendas online. O trabalho mesmo acontece apenas uma vez, depois que você cria uma base com todos os seus dados e ativa os anúncios dos produtos, pronto: a mágica acontece. Você pode fazer uma venda em pleno feriado de carnaval, ou então enquanto toma banho ou faz a janta, é cômodo vender de pijama e pantufas. Isso sem falar na delícia que é acordar e descobrir que fez uma venda durante a madrugada. Na loja virtual muitas barreiras são rompidas, não importa o horário ou localização, dá para vender até para cidades que você não sabia que existiam no mapa, é tudo uma questão de calcular o frete.

O único porém é que a internet mudou e tem mudado nosso comportamento. As interações se dão de forma distinta do bom e velho contato pessoal. Os clientes pesquisam bastante antes de comprar, é comum que saibam até mais do que você sobre o seu próprio produto, então é preciso estar afiado para responder uma série de perguntas técnicas, muito mais do que quando você e seu produto ficavam atrás de um balcão.

Há também a cultura da oferta – ou desvalorização – é comum que as pessoas tentem dar “lances” nos produtos antes de comprar, tentando pechinchar qualquer tipo de desconto. Além disso, a concorrência é feroz, e está a apenas um clique de distância. Como todos querem vender, fica-se preso a uma espécie de leilão invertido: ganha a venda quem lucra menos.

O cliente exige excelência, mas sem querer pagar por ela. São raras as vendas onde não há ao menos uma tentativa de barganha. Na minha opinião é a parte mais desgastante de todo o processo. Me pergunto se essas pessoas se comportam da mesma forma quando vão a uma loja física e conversam com um funcionário cara a cara, olho no olho. A barreira do respeito é quebrada por diversas vezes, mas é preciso continuar respondendo com paciência e educação, pois no pós-venda há uma avaliação que determina sua reputação. Aquelas cinco estrelinhas determinarão se os próximos clientes fecharão ou não suas compras com você.

É preciso ainda lidar com trocas e defeitos, assumir prejuízos, pagar comissão para o portal e parte de seu lucro vai para o governo. Não sobra muito no final do mês, principalmente considerando que você precisa reabastecer o estoque. Ainda assim é uma opção mais barata do que manter a estrutura das portas abertas e afixadas em um bairro.

Desde que comecei a vender online, mudei minha forma de comprar, pois sei como funciona do outro lado do anúncio. Há uma pessoa tentando trabalho, lucrar ou mesmo zerando seu estoque para sair do ramo. Talvez alguém que, como eu, ri das perguntas antes de respirar fundo e responder. 

O que me consola é que enquanto termino de editar esse texto, fiz mais uma venda.

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Cada coisa em seu lugar

Escrivaninha (7)

Arrumar é eliminar temporariamente a bagunça, como costumamos fazer na maior parte das vezes, apenas tirando as coisas do meio do caminho, dando um jeitinho de fazer tudo caber em algum lugar. Assim, pelo menos por um breve período, o espaço fica agradável aos olhos e tudo parece bem. Pode ser só um “tapinha” mesmo, não precisa perder tempo se preocupando com a funcionalidade da coisa. Quer dizer, funciona, mas só até o momento em que é preciso encontrar algo.

Já quando falamos em organizar, queremos realmente eliminar a bagunça, usando um método lógico que ajude a tornar o ambiente funcional e adequado, personalizado para o uso, por isso não há regras ou segredos. Na organização cada coisa encontra um lugar. Categorizando e tornando a rotina mais prática, não há necessidade de bagunçar tudo apenas para encontrar um item, porque você passa a conhecer a morada de cada peça que habita seu armário.

Organizando, ganha-se tempo, espaço e ainda se economiza. Mas, o motivo principal de querer organizar tudo o que vejo pela frente é a calma que me proporciona. Quando estou agitada, ansiosa ou preocupada com alguma coisa, costumo canalizar toda a energia em organização: passo horas reorganizando as peças de meu guarda-roupa, recategorizando os arquivos do meu computador e até redecorando a sala. Mexer nas minhas coisas, relembrar tudo o que tenho, mudar coisas de lugar, colocar no uso, por algum motivo me acalma.

Organizar é pensar, refletir sobre a distribuição e espaço das coisas, não é sobre rigidez e meticulosidade, é sobre praticidade. Por isso, organizar me ajuda a pensar, estruturar o ambiente externo me ajuda a ir organizando os pensamentos e sentimentos também, além da sensação de retomar o controle e de estar fazendo algo ativamente, já que nem sempre podemos agir diante de uma determinada situação.

Me acalma saber que a minha volta tudo tem um propósito, escolho o lugar de cada um dos objetos que me pertencem, ganho tempo para fazer outras coisas, tempo para me concentrar e me ocupar de outras coisas, já que o que é meu está bem resolvido.

Organização é um conceito, aplico-o em minha rotina com várias ferramentas, desde agenda até os mais variados aplicativos que estão à disposição. Assim, otimizo meu tempo, não perco prazos ou compromissos e estou – quase – sempre em dia com as tarefas. Minha escrivaninha é um alvo constante e sei que parece bobo, pois passo horas mexendo em meus papéis e canetas e parece que nada mudou, mas é assim que surgem algumas ideias, que controlo minha ansiedade e que me torno mais produtiva.

Aprendi a me organizar de fora para dentro.