Publicado em Crônicas, Textos

Mensagem de Adeus

36. Mensagem de Adeus

 

   Eu gostaria que essa história fosse bonita, poética, como uma carta de despedida. Mas nossa história nunca foi realmente bela e, além disso, são tempos modernos, sabe como é. Terminamos por mensagem mesmo. E quando digo que “terminamos”, quero dizer que eu terminei, e o que você fará a respeito já não me importa mais.

   Levei pouco mais de uma década para compreender algumas coisas e, por isso, sei que não conseguirei traduzi-las nessas poucas palavras. A primeira delas é que você estragou tudo, e eu não consigo esquecer nada do que vivi ou senti ao seu lado, então, minhas lembranças também estragaram qualquer possibilidade de reconciliação. Percebi que você não mudou e que não adianta eu esperar que mude. A novidade foi entender que, ainda que tudo fosse diferente hoje, nós não daríamos certo. Tive que me readaptar, para conviver com uma constante falta em minha vida e, adivinhe só, eu consegui! Mesmo com sua nova aparição, nada mudou, pois já não há mais espaço para você em minha vida, em quem eu sou hoje. Uma pessoa bem melhor, se quer saber minha opinião.

   Veja bem, não quero dizer que não faça falta, pelo contrário, o buraco ainda está lá, mas eu descobri que ele é meu e sempre será, de nada adianta tentar encaixar algo que há muito não cabe mais.

   Aprendi que a gente muda, cresce, amadurece. E o tempo também faz seu trabalho, ele passa. Todo o restante foi se acomodando, a ponto de hoje eu me ver como um quebra-cabeças: falta uma peça, não é difícil perceber, mas a imagem ainda está lá, e você consegue entendê-la só de olhar.

   Queria te contar que aprender a conviver com uma ausência é doloroso. Afinal só pode ser ausente o que já foi presente um dia. Eu sinto falta, e estaria mentindo se dissesse que não gostaria que tudo fosse diferente. Mas a vida, eu e você somos assim: incompletos.

   Eu gostaria muito de ter dito tudo isso pessoalmente, acho que merecíamos um encontro. Mas somos tão diferentes que tive a sensação de que não falávamos mais a mesma língua. Acho que não é fraqueza admitir que eu não dei conta de dizer tudo isso frente a frente, pois acho que você não me entenderia, ou sequer respeitaria.

   Mandei um textão por mensagem mesmo. A resposta frustrou, mas confirmou uma vez mais o quão incompatíveis nós sempre fomos, apesar do mesmo sangue. Por fim, como ser humano maduro que sou, te bloqueei. Mas, pela primeira vez não fiz por não querer mais te ouvir, e sim por saber que já não havia nada mais a ouvir.

   Enrolei tanto para enfrentar este momento, achando que eu tinha medo de você, sem saber que na verdade o medo era de lidar com minhas próprias emoções. Ah! Se eu soubesse a leveza que eu sentiria depois de colocar um ponto final nesse capítulo de minha história. Espero que entenda que não lhe quero mal, apenas não lhe quero mais.