Publicado em Crônicas, Textos

Despedida

34. Despedida

Toda segunda-feira. No início às cinco da tarde, depois passamos para às onze horas da manhã, pois seus compromissos mudaram e minha agenda precisou acompanhá-la. O mais importante era que fosse sempre às segundas-feiras, seu dia livre. No começo ela vinha de uniforme, direto da escola, mas depois passou a usar aquelas calças rasgadas no joelho, que estavam na moda. Éramos ambas meninas quando nos conhecemos, apesar da idade que nos separava. Ela nunca soube que eu dividia alguns de seus maiores medos e, muito menos, que achava outros engraçados, lembrando que eu também já os sentira um dia. “Isso passa, fique tranquila”, tive vontade de dizer-lhe inúmeras vezes, mas sempre me contive, já que eu estava ali para acompanhá-la em sua jornada, e não para lhe guiar por passos que talvez não fossem seus. Rimos muito juntas, pois nem sempre conseguia manter a seriedade diante dela. Aprendi coisas novas e me atualizei, notando como o tempo passa e que eu já não entendo mais todas as gírias que os jovens usam. Hoje, depois de dois anos e meio, viemos para nosso último encontro, passamos uma hora conversando sobre os mais diversos temas da vida, de sua vida. Não teve clima de despedida, já que nós não gostaríamos que terminasse. Mas, quando os ponteiros terminaram de dar a volta no relógio, levantamos de nossas confortáveis poltronas e seguimos para o corredor, em silêncio. Na porta, eu lhe agradeci pela oportunidade e pelo prazer que foi acompanhá-la por todo esse tempo. Ela, em resposta, me abraçou e disse que era ela quem precisava me agradecer, afinal crescera tanto com nossos encontros e conversas. Ah! Se ela soubesse o quanto eu também cresci desde aqueles primeiros dias, meus primeiros como Psicóloga.

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Por que a demora?

33. Por Que a Demora

Sou o que as pessoas chamam de ansiosa. E todo esse exagero é porque sofro quando alguém demora a me responder uma mensagem.

A tecnologia fez isso conosco, a comunicação tornou-se quase instantânea, e eu sinceramente não sei como seria viver em uma época em que uma conversa se dava por meio de uma troca de cartas, me arrepio só de pensar em precisar esperar uma semana inteira até ter notícias do outro novamente. Mas, o fato de os meios serem ágeis não significa que as pessoas também o sejam.

Quando envio um e-mail de trabalho, é porque estou com uma dúvida ou preciso do auxílio de alguém para prosseguir, então preciso de uma resposta rápida, é uma questão de otimizar o tempo, de produtividade, e não vejo qual a dificuldade de ler alguns parágrafos e digitar algo em retorno.

Na vida pessoal não é muito mais tranquilo do que isso: se envio uma mensagem para uma amiga, fico impaciente até receber sua resposta. Um verdadeiro pesadelo se instala caso ela demore, ou pior, não responda. Não há dor maior do que uma mensagem que foi visualizada e deixada de lado. Logo começo a repassar em minha cabeça nosso último contato e a me perguntar se ela está brava, afinal, eu devo ter feito algo para merecer ser punida com tanto silêncio.

Mas, o pior cenário de todos é quando encontro um cara, nós saímos e começamos a trocar mensagens ao longo da semana para nos conhecermos melhor. Se ele não me responde em um intervalo constante, começo a imaginar que não é só comigo que ele está conversando, talvez tenha outra. Ou então, quem sabe não esteja tão afim assim, já que não pode parar o que está fazendo nem por um segundo para falar comigo. E, pensando bem, não sei se quero me envolver com alguém que não tem tempo para mim, para nós. Começo a estipular prazos e, se ele não responder até lá, entendo o sinal de que não vale a pena insistir.

Às vezes me acalmo e tento pensar em outras possibilidades, talvez esteja ocupado, longe do celular, em uma reunião importante, ou vai ver que sua bateria acabou no meio do dia – você acredita nessa? Pois é, eu também não.

Continuo imaginando tudo o que pode estar se passando do outro lado, no outro aparelho. Quanto maior for o intervalo, mais fantasias elaboro, e olha que eu sei ser bem criativa. Outro dia, pensei que talvez ele estivesse… Opa, respondeu!