Publicado em Crônicas, Textos

Uma Porta Vermelha

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No começo da semana, fui convidada para fazer parte de um grupo, um grupo de estudos, daqueles que só aceita profissionais. Fiquei muito surpresa por ter sido escolhida, pois não me sentia preparada para tal. Mas, apesar da insegurança repentina, tratei de espalhar a notícia para todas as pessoas de meu convívio, da família aos amigos. Deixei todos orgulhosos do meu feito.

Ah! Eu queria isso há tanto tempo, me senti tão realizada com a notícia. Acho que não consegui pensar em nada além disso por dois dias inteiros. Até que, no terceiro dia, fui invadida por uma onda de inseguranças e fui tomada por um medo de não conseguir corresponder às expectativas do grupo, de não conseguir acompanhá-los. Ou pior, e se eu não conseguisse satisfazer minhas próprias expectativas?

Foram dias difíceis, uma longa espera. Mas o dia finalmente chegou! Conferi várias vezes o endereço e saí de casa com bastante antecedência, para me certificar de que estaria lá na hora e local combinado.

Cheguei a tempo. Mas, me deparei com algo inusitado. O encontro não era num café ou restaurante, como eu havia imaginado. Tive a surpresa de encontrar uma porta vermelha na minha frente, apenas isso: uma entrada em meio a um muro de tijolos. E, para aumentar ainda mais minha apreensão, a porta estava fechada, sem dar nenhuma dica do que havia em seu interior.

Entrei em pânico, pensei ter sido vítima de um golpe. Me senti enganada! Quase dei meia volta e fui embora, deixando tudo para trás. Mas então comecei a pensar no que havia atrás daquela misteriosa porta. Que caminhos e que encontros me aguardavam atrás de toda aquela solidez? De repente senti meus pés travados ao chão e me dei conta de que não poderia sair dali assim, estava presa. Atada a todas as possibilidades que nunca se realizariam se eu as deixasse trancadas ali. As mesmas que talvez não se realizassem mesmo se eu entrasse, afinal não posso ter controle sobre elas.

Tudo o que pude fazer foi dar três batidas ritmadas na superfície vermelha que estava à minha frente. Só assim me acalmei, agora estava feito. Esperei, até ouvir passos do outro lado do salão – ou o que quer que fosse. E quando alguém abriu, fui recebida pelo desconhecido e vi minhas fantasias se desfazendo sob os meus pés, afinal o lugar em nada se parecia com o que eu havia imaginado. Era diferente, era vivo, era real. Respirei fundo, entrei e ouvi o som da porta se fechando atrás de nós. Depois disso, não ouvi mais nada.

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