Publicado em Crônicas, Textos

O fim de nossa amizade

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Ontem passei em frente à minha antiga academia e, estando lá, não tive como não lembrar da Renata. Nós estudávamos na mesma sala e nunca havíamos conversado, até que minha mãe resolveu que eu precisava de uma atividade física, então escolhi me matricular em aulas de dança. Imagine qual foi o tamanho de minha surpresa ao chegar na primeira aula e me deparar com ela!

Inicialmente fiquei irritada, não gostei de pensar que misturaria dois mundos, não queria que ela me visse dançando. Depois fiquei com vergonha, pois não sabia se devia conversar com ela ou não, quero dizer, a gente se conhecia, mas não éramos amigas. E eu sei que esse pensamento nem sequer passaria pela minha cabeça se estivéssemos na sala de aula, mas ali eu me sentia entrando em um território que já pertencia a ela.

Enquanto tentava me decidir, ela sorriu e veio em minha direção me cumprimentar. A professora se apresentou e pediu que eu me apresentasse para a turma. A aula foi gostosa, melhor do que eu esperava.

No dia seguinte, na escola, ao ver Renata passando com as amigas, levantei a mão e acenei para ela, num impulso. Ela sorriu e acenou de volta. Foi assim que começou. Daí para a frente começamos a conversar na aula de dança e a nos cumprimentar na escola. Nunca viramos melhores amigas, se é isso o que você está se perguntando. Mas, com certeza, nos tornamos amigas.

E descobri que a Rê era uma pessoa muito legal! Mesmo não tendo outros amigos em comum na escola, conseguimos fortalecer um laço entre nós. Até saímos juntas algumas vezes depois da aula de dança, com outras colegas de lá. E meus pais lhe deram carona no dia de nossa apresentação, no fim do ano.

O tempo passou e finalmente veio a nossa formatura. Saímos do colégio e logo depois, da academia. Nenhuma das duas quis permanecer nas aulas, dissemos que não tínhamos mais tempo, por causa do início de nossas faculdades, mas na verdade eu achava que as aulas de dança pertenciam ao passado, eram muito “adolescentes” para mim, uma jovem adulta. Tenho certeza de que ela pensava o mesmo.

Segui meu curso, fiz novos amigos e a Rê foi ficando mais distante, assim como outros amigos de colégio. Mas nunca a esqueci, acompanhava suas redes sociais, sempre curtia suas fotos e estava feliz em saber que, de alguma forma, ela ainda estava lá.

Depois de um tempo, acho que lá pelo meio do segundo ano de faculdade, eu perdi minha amiga. É, Rê me deixou. Descobri do nada, sem aviso, quase ao acaso. Fiquei chocada! De repente me dei conta de como somos vulneráveis, como a vida é curta e passageira e nós, tão entretidos em nossas rotinas, nem reparamos que o tempo está passando, pra mim, pra você e pra ela.

Renata já não estava presente em minha vida há tempos, mas saber que agora ela realmente não está mais lá, que não posso conversar com ela, perguntar como está ou chamá-la para sair é tão triste. Quantas oportunidades de encontrá-la eu não tive e desperdicei.

Pois é, fiquei muito triste no dia em que senti saudades e, ao procurá-la, descobri que ela me excluíra do Facebook. Poxa, eu nem fiz nada!

Mas ainda assim, a academia sempre me lembrará da Rê.

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