Publicado em Crônicas, Textos

Sou autônomo, e agora?

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Passei a vida toda trabalhando com carteira assinada. Oito horas por dia, cinco dias na semana. Apesar de não gostar muito de minhas funções no escritório, gostava do ritmo de trabalho. Sou muito organizado, então era confortável seguir a mesma rotina todos os dias, com pouca ou nenhuma alteração em meus horários e compromissos.

Mas fiz faculdade e quando me formei me deparei com uma área completamente diferente. Pedi demissão para poder começar a trabalhar de acordo com a minha formação e então, do dia para a noite, me vi sendo autônomo.

No começo achei ótimo, me senti livre com a flexibilidade de horários. Me sentia à vontade para fazer o que bem entendesse, porém, com a liberdade, perdi a segurança de ter uma grande empresa me dando suporte e, o principal: colegas de trabalho.

Ser autônomo é muito solitário, pois em geral não tenho ninguém com quem dividir o peso das decisões, as frustrações ou mesmo as pequenas comemorações, pois parece que ninguém entende exatamente o que estou sentindo ou pelo que estou passando.

E aos poucos os problemas começaram a surgir e me vi sendo responsável pelo trabalho técnico em si, pela administração e pela divulgação de meus serviços. Ter que planejar e executar cada uma das etapas do trabalho é muito mais complexo do que eu imaginava.

Precisei estudar um pouco e procurar algumas dicas para aprender a administrar e ter controle sobre os meus gastos. Depois, me vi fazendo um esforço enorme para divulgar meu trabalho e disponibilizar meu contato para pessoas que nunca vi antes. E logo eu, que detestava falar ao telefone, agora estou sempre atendendo ligações de números estranhos.

E o fato de não ter um horário definido logo se tornou um problema também, porque se eu não ficar atento, acabo trabalhando muito mais do que antes, afinal posso trabalhar em casa, um pouquinho de manhã, mais um pouquinho à noite e de repente até nos finais de semana. A agenda faz muita falta, pois sinto que minha semana fica desorganizada, com tantos compromissos e cada um em uma região.

Mas também tem algumas vantagens, pois eu estou sempre visitando lugares diferentes e, consequentemente, conhecendo lugares novos, não preciso responder a um superior, consigo encaixar alguns compromissos pessoais durante a semana, então fico em dia com minhas outras atividades, e se fizer uma forcinha até descolo um dia de folga de vez em quando.

Aos poucos vou entendendo meu ritmo e tentando encontrar uma linha de equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. E conforme vou ganhando confiança e vendo os primeiros resultados do meu esforço, vou ficando mais à vontade com a rotina de não ter rotina, e… Opa, peraí que o telefone está tocando. Preciso atender, vai que é um cliente.

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